segunda-feira, 6 de agosto de 2012



É hora da faxina na cozinha africana

Londres – Quando Sanga Moses estava viajando para o minúsculo povoado ugandense onde mora sua mãe, ele notou uma figura familiar caminhando à beira da estrada, carregando um grande feixe de lenha. Era sua irmã de 12 anos, que reclamou aos prantos por ter de faltar à escola naquele dia e caminhar quase 20 quilômetros para ir e voltar da cidade mais próxima para pegar madeira, utilizada para alimentar o fogão da família.
Por Alice Rawsthorn- The New York Times News Service/Syndicate
É hora da faxina na cozinha africana

Londres – Quando Sanga Moses estava viajando para o minúsculo povoado ugandense onde mora sua mãe, ele notou uma figura familiar caminhando à beira da estrada, carregando um grande feixe de lenha. Era sua irmã de 12 anos, que reclamou aos prantos por ter de faltar à escola naquele dia e caminhar quase 20 quilômetros para ir e voltar da cidade mais próxima para pegar madeira, utilizada para alimentar o fogão da família.
Milhões de outros africanos, principalmente meninas, vivem o mesmo drama e têm de sacrificar tempo que poderia ser empregado estudando ou trabalhando para colher lenha, muitas vezes caminhando longas distâncias por terreno perigoso. Sanga, agora com 30 anos, estava tão preocupado que largou o emprego de contador em Kampala, capital de Uganda, e investiu suas economias de US$ 500 para desenvolver uma fonte acessível, barata e limpa de combustível para cozinhar. Além de economizar tempo e dinheiro, ele promete reduzir a poluição produzida pela fumaça insalubre do combustível improvisado, e os problemas de saúde causados por sua inalação, responsáveis pela morte de mais de 1,5 milhão de pessoas por ano.
Três anos depois, milhares de ugandeses estão cozinhando com o combustível orgânico produzido pela empresa fundada por ele, a Eco-Fuel Africa, e cerca de 1.500 agricultores estão aumentando a renda se valendo de seu equipamento para converter resíduos agrícolas em carvão orgânico. Além de gerar uma renda extremamente necessária para esses lavradores, o sistema criou empregos e oportunidades comerciais para centenas de outras pessoas na venda e entrega de combustível e fertilizante. A iniciativa também ajuda a desacelerar o desflorestamento na África, já que menos pessoas necessitam coletar madeira.
Numa época de interesse crescente pelo design humanitário, a Eco-Fuel Africa mostra como uma empresa pode utilizar o design, enquanto ferramenta prática e estratégica, para capacitar a grande maioria desprivilegiada da população mundial. Ao contrário de muitos outros empreendimentos de design humanitário, iniciados por designers ocidentais na esperança de ajudar os moradores das economias em desenvolvimento, a Eco-Fuel Africa foi criada por pessoas, como Sanga, cujos amigos e parentes devem se beneficiar deles.
'O problema que vejo com a maioria das outras intervenções é que elas não envolvem as comunidades locais o suficiente e são iniciadas por estrangeiros que não compreendem os problemas locais', ele escreveu por e-mail de Uganda. 'A Eco-Fuel Africa é um projeto caseiro criado por africanos locais para resolver problemas locais.'
Muitos designers humanitários do Ocidente concordariam. Toda área do desenvolvimento econômico é extremamente controversa, e o design humanitário não é exceção. À medida que o campo cresceu, surgiram debates acalorados sobre o risco de samaritanos ocidentais desperdiçarem recursos em projetos de design bem-intencionados, mas mal concebidos. Bruce Nussbaum, analista norte-americano de design, resumiu o problema num artigo de seu blog, em 2010, cujo título explica tudo: 'O design humanitário é o novo imperialismo?'. A Eco-Fuel Africa oferece um contraponto útil a esse estereótipo.
Desde o começo, Sanga, crescido num dos vilarejos mais pobres de Uganda e o primeiro membro da família a fazer faculdade, estava determinado a desenvolver um sistema que se adaptasse aos métodos de cozinhar utilizados pelos clientes em vez de forçar sua troca, como se viu em tentativas anteriores de desenvolver combustível orgânico. O equipamento da Eco-Fuel Africa foi projetado para ter uso e manutenção fáceis, até mesmo por pessoas não acostumadas a operar máquinas.
O sistema começa com os agricultores, que coletam resíduos orgânicos e os convertem em carvão vegetal em fornos fornecidos pela empresa. Eles mantêm parte do carvão para fertilizar a terra e vendem o resto à companhia. Como pouquíssimos lavradores poderiam comprar os fornos de imediato, a Eco-Fuel Africa os fornece de graça e deduz o preço do carvão fornecido. Parte do carvão é vendida a outros agricultores como fertilizante, mas a maioria é convertida em briquetes (massa de carvão comprimida) por distribuidores locais graças ao emprego das máquinas da empresa, e entregam o produto aos clientes com bicicletas personalizadas. Já existem quase 110 distribuidores, na maioria mulheres, que empregam jovens locais para fazer as entregas. A Eco-Fuel Africa incentiva os distribuidores a vender os briquetes em pequenas quantidades, tornando-os mais baratos para as famílias pobres.
A empresa enfrentou obstáculos, principalmente ao levantar capital em seus primeiros dias, em virtude da escassez de investidores na África. Sanga precisou vender a maioria dos pertences, inclusive a cama, para pagar pela produção do primeiro forno. Ainda assim, a Eco-Fuel Africa lançou os primeiros produtos em novembro de 2010, menos de dois anos depois de ver a irmã carregar um feixe de lenha.
Desde então, todos os aspectos do sistema foram testados. Tecnicamente, o mais desafiador deles foi projetar as máquinas para produzir os briquetes. Alguns dos primeiros modelos são movidos a energia solar e não podem ser utilizados durante as estações chuvosas. Outros operam com eletricidade, a qual é cara e pouco confiável em muitas regiões da África. Uma máquina de briquetagem manual foi desenvolvida agora, a Eco-Fuel Press, que comprime o carvão usando um macaco hidráulico. 'É um design muito simples, de baixo custo e produz briquetes de melhor qualidade', explicou Sanga. 'Também é fácil mantê-la.'
Depois de ter encontrado uma fórmula eficiente, Sanga agora está determinado a expandir o sistema, animado pela escolha como finalista do Buckminster Fuller Challenge 2012, que celebra projetos que abordam 'os problemas mais prementes da humanidade'. (Em tempo: eu fiz parte do júri.) Ele espera incentivar os futuros empreendedores a estabelecer microfranquias em suas comunidades locais, e está construindo um centro de treinamento em Uganda no qual eles vão aprender a fazer isso. O objetivo é formar 200 microfranquias no ano que vem, sendo que cada uma deve criar pelo menos três empregos e fornecer combustível para mais de 20 famílias.
Economizar tempo e dinheiro, fomentar o emprego e o empreendedorismo, reduzir a poluição e permitir que os agricultores melhorem a qualidade do solo são resultados importantes de qualquer empreendimento de design humanitário. E quanto mais sucesso a Eco-Fuel Africa tiver, mais dinheiro gerará para outros projetos de Sanga, usando parte dos lucros das vendas para plantar árvores.
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Osvaldo Aires Bade - Comentários Bem Roubados na "Socialização"

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