quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Barbosa estreia no CNJ pedindo investigações

Atualizado: 28/11/2012 02:02 | Por FELIPE RECONDO, estadao.com.br

(*) A PRODUÇÃO DESSE NOVO REMÉDIO DEVERÁ SER FEITA EM MASSA PARA ATENDER
O COMBATE AO GRANDE NÚMERO DE CORRUPTOS NESTE PAÍS!
BRASÍLIA - Na primeira sessão no comando do Conselho Nacional de Justiça, o ministro Joaquim Barbosa indicou ser favorável às investigações patrimoniais abertas contra magistrados suspeitos de irregularidades e afirmou que a Justiça Militar dos Estados poderia ser extinta. São duas manifestações que o aproximam das bandeiras defendidas pela ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon, com quem ele se reuniu ontem à tarde para discutir a situação do CNJ.
As investigações patrimoniais abertas por Eliana geraram uma crise entre ela e o então presidente do CNJ, Cezar Peluso. As apurações estavam paradas em razão de pedidos de vista do conselheiro Tourinho Neto. Ontem, quando o caso voltou a ser discutido, o conselheiro Silvio Rocha defendeu a anulação de todas as investigações, pois o sigilo dos magistrados teria sido quebrado pela corregedoria sem autorização judicial.
A discussão não avançou, pois houve novo pedido de vista. Mas Barbosa indicou que apoiará as investigações abertas contra magistrados cujos patrimônios são incompatíveis com seus salários.
Militar. Na sessão de ontem, Barbosa enfrentou outra polêmica: os tribunais militares de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A produtividade dos tribunais e o volume de recursos despendidos anualmente levaram o ministro a dizer que esses tribunais poderiam ser extintos. "Uma justiça que poderia muito bem ser absorvida pela justiça comum, porque não há qualquer necessidade de sua existência."
Os dados do CNJ mostram que o orçamento dos tribunais militares estaduais supera R$ 96,4 milhões, enquanto o número de processos é de 6.087. Em MG, mesmo com orçamento de R$ 31 milhões e com média de 322 processos por ano por magistrado, dois juízes são processados por negligência por deixarem prescrever 274 processos criminais somente em 2010.


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DIAS TOFFOLI, BANDIDOS SEMPRE SÃO BANDIDOS E PONTO FINAL E "A TESE AULA TOFFOLIANA EM DEFESA DE BANDIDOS - UMA VERGONHA"



A absurda aula de Direito Penal ministrada pelo ministro reprovado em dois concursos para a magistratura

Dias Toffoli pede que os seus pares reflitam sobre a imensa asneira que, quase de modo histérico, formulou em defesa dos condenados do mensalão!


Este absurdo aconteceu nesta quarta-feira. O despautério foi transmitido ao vivo.

Dias Toffoli resolveu dar uma lição de Direito Penal a mestres. Talvez seja recalque por ter sido duas vezes reprovado em concurso para a magistratura.

Citou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva com insuspeito orgulho. Levantou questões em que cita, com alguma ironia, autor que se opunha a Marx. E ressaltou: “Não era de esquerda!’ Quem politiza o quê?”

E inverteu a lógica dos próprios argumentos.

Cita a banqueira (“uma bailarina”) condenada, defendendo-a com a seguinte argumentação: “Que tipo de violência ─ real ─ ela pode cometer?” Entendendo-se “real” como crimes de sangue, presumo.

O que defende Tofoli? Não condenar à cadeia criminosa quem não tenham matado, chegando a citar exemplos de crimes de homicídios com apenações menores.

E argumenta com uma suposta “posição de vanguarda”.

Qual vanguarda, reprovado candidato a juiz que virou ministro?

Desde BECCARIA, o seu título definitivo ─ “Dos delitos e das penas” ─ é considerado avanço filosófico e humanístico incomparável.

Até então as penas eram baseadas em uma retribuição, ou vingança, a um mal praticado.



Assim, o que valia era a intensidade da pena frente à agressão.

Não se tratava da recuperação ou reabilitação do ser humano.

E muito menos do EXEMPLO que nasce da condenação, para que OUTROS não sejam incentivados a delinquir.


A simples reparação financeira é suficiente para impedir a ação delituosa?

Seria este o risco que Dias Toffoli apregoa?

Roubemos; se pegos, devolvamos.

E se formos espertos, apliquemos o produto do roubo auferindo ─ na pior das hipóteses, a da condenação ─ os juros do tempo em que o dinheiro público serviu de repasto a um grupo ou indivíduo.

Ou seja, a posição “vanguardista” de Toffoli é anterior a 1764!

Crime de sangue? Paga-se com cadeia. Crimes não violentos (fisicamente), paga-se como a devolução do roubo. Seria o caso de perguntar; em crimes de lesão corporal, defenderá Toffoli umas boas chibatadas como reprimenda?

Nada quanto ao exemplo social, ao caráter múltiplo da pena.

Toffoli cumpriu a imposição partidária de tentar, mais uma vez, defender seus patrões. Com argumentos sem nenhuma consistência. E fez um discurso que nem mesmo os partidários do PT (ou ao menos, os dirigentes) tiveram coragem de fazer.

Não surpreende. Na essência.

Surpreende na coragem. De se expor na inteireza da pequenez.

E na certeza de que o “fantasma” do STF aceita ser um arremedo de ministro por muitos anos.

Faz todo o sentido a defesa histérica (e histórica pelos piores motivos) de Dias Tofoli UM DIA após a declaração estapafúrdia do ministro da Justiça, que isenta o principal responsável pela degradação do sistema prisional brasileiro: ele próprio.

Tentaram tudo. Postergar. Defender o indefensável. Buscar a prescrição. Interromper o julgamento. Absolver. Com a condenação dos quadrilheiros, agora atacam-se as condições carcerárias no Brasil. Tudo de forma orquestrada.

Que seja somente um réquiem.


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terça-feira, 27 de novembro de 2012


Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema

 

O GLOBO: Você é do PCC? - Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão… O GLOBO: – Mas… a solução seria… - Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução. 

O GLOBO: – Você não têm medo de morrer? - Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social,
são fungos de um grande erro sujo. 

O GLOBO: – O que mudou nas periferias? - Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência. 

O GLOBO: – Mas o que devemos fazer? - Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa? 


O GLOBO: – Mas… não haveria solução? - Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

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domingo, 7 de outubro de 2012

Lula: povo se preocupa mais com futebol do que com mensalão
Lula
Segundo Lula, nem ele nem o povo brasileiro estão preocupados com o Mensalão, mas com as eleições em SP e com a possibilidade do Palmeiras cair para a 2ª divisão
Povo está preocupado se o Palmeiras vai cair para a segunda divisão ou se o Fernando Haddad vai ganhar, diz Lula

Relator do processo do mensalão deu autógrafos e posou para fotos
O ministro do STF e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa
Valter Campanato/Agência Brasil

Joaquim Barbosa: Ministro disse não acreditar que julgamento do mensalão influencie eleições. O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, recebeu cumprimentos calorosos de eleitores ao votar neste domingo no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. O ministro deu autógrafos e posou para fotos na chegada e na saída.

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Barbosa disse não acreditar que o julgamento do mensalão tenha influência no voto dos eleitores nesta disputa. "É uma eleição local. As pessoas estão preocupadas com questões locais", afirmou.

Barbosa ainda indicou não simpatizar com os partidos de oposição no Rio de Janeiro, ao revelar que nas eleições de 2008 não votou no candidato do PV, Fernando Gabeira, em quem já tinha votado outras vezes, segundo ele. "Não gostei da aliança", justificou o ministro. Gabeira concorreu por uma coligação com o PSDB, DEM e PPS e perdeu no segundo turno para o prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), que tenta a reeleição neste ano. Joaquim Barbosa, no entanto, não quis revelar em quem votou naquela ocasião e também não revelou em quem votou hoje.

O ministro disse que "é sempre boa" a realização de segundo turno das eleições, mas evitou palpitar em que cidades isso deve ocorrer.

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou neste domingo a importância do escândalo do mensalão, revelado em 2005 durante seu governo, e que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula disse que nem ele nem o povo brasileiro estão preocupados pelo julgamento, mas sim pelo resultado das eleições em São Paulo e pela possibilidade do Palmeiras cair para a segunda divisão.
'O povo não está preocupado com isso (o julgamento do mensalão). Está preocupado se o Palmeiras vai cair para a segunda divisão ou se o Fernando Haddad (candidato petista à prefeitura de São Paulo) vai ganhar', disse Lula.
O ex-presidente fez a declaração ao sair de um café da manhã com Haddad e antes de ir para São Bernardo do Campo, onde votará.
Até agora, Lula tinha evitado se pronunciar sobre o julgamento do mensalão, no qual participam como réus o chefe da Casa Civil durante seu governo, José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o antigo tesoureiro do partido Delúbio Soares.
Dos 37 acusados do caso, 22 já foram declarados culpados e o STF decide na semana que vem se a cúpula do PT foi responsável pela rede de corrupção, montada para subornar parlamentares e conseguir apoio ao governo.
Até agora, três dos dez juízes do Supremo votaram pela condenação de Dirceu, Genoino e Delúbio Soares, embora o ministro revisor tenha inocentado os dois primeiros.
Os seis juízes que ainda não se pronunciaram nesta fase do processo, limitada às acusações de corrupção ativa, farão isso numa audiência marcada para esta terça-feira. EFE
Joaquim Barbosa é aplaudido por eleitores durante votação



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Lulla doa riquezas do Brasil

Sem palavras... - Foto: internet






















Vocês sabiam que a maior jazida de ouro, além das de nióbio (metal estratégico), diamantes e outros elementos estão confirmadas no subsolo de Roraima, justamente na área da Reserva Raposa-Serra do Sol, que ocupa 42% da área daquele Estado. Essas riquezas são de conhecimento do governo brasileiro de longa data e também de outros países ávidos por esses recursos. 

Lula, apesar de saber disso, sob pressão internacional sancionou a reserva, apesar dos alertas da comunidade científica brasileira e das forças armadas nacionais, impedindo assim, legalmente, que o Brasil explore essas riquezas sob os aplausos dos EUA e Europa. Abrindo ainda mais a porta para muitas ONGs estrangeiras, e expulsando os rizicultores brasileiros de lá, onde detinham a maior produtividade do mundo nessa cultura. 

Vejam os detalhes dessa barbaridade abaixo, no relatório do Exército sobre o tema: 

"Embora aos olhos de alguns analistas afigure-se conspiratória a preocupação do estamento militar com a Amazônia, convém recordar que, em maio de 2005, um relatório da Abin redigido pelo Coronel Gelio Fregapani revelou que o Congresso norte-americano, por intermédio da Fundação Nacional para a Democracia dos EUA, doou US$ 85 milhões entre 1992 e 1994 ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI),(13) ONG cujas campanhas e ações judiciais tiveram papel decisivo na demarcação da reserva indígena de Raposa Serra do Sol, em Roraima, na fronteira com a Venezuela, por meio da Portaria no 534/05 - MJ. 

Curiosamente, o subsolo das áreas indígenas na fronteira abriga o maior veio de ouro do mundo, uma grande jazida de diamantes e depósitos incalculáveis de nióbio e outros minerais de uso estratégico, riquezas que doravante será vedado ao Brasil explorar, tendo em vista a homologação da reserva por decreto em 15 de abril de 2005. 

Também é curioso notar que, ao abraçar 42% do território roraimense, as reservas indígenas tenham bloqueado o acelerado o crescimento da rizicultura e de outras atividades agrícolas que, naquele Estado, encontram excepcionais condições de desenvolvimento: cada hectare de Roraima produz em média 7 ton. de arroz, contra a média nacional de 5,2 ton., ao passo que na soja a relação é de 3 ton. para 2,4 ton. - o que se explica em parte pelo fato de estar a região situada na linha do equador, recebendo 12 horas de sol intenso por dia. 

Mais curioso ainda é constatar que essa competitividade tenha chamado a atenção da Casa Branca há quatro anos atrás: em agosto de 2003, técnicos do Departamento de Agricultura dos EUA percorreram Roraima para estimar o potencial da região, chefiados pelo Cônsul Ron Verdonk. 

Muito mais curioso foi o relatório publicado pela ONU em março de 2007, acusando o País de violar os direitos dos índios e reclamando que "nem todos os pedidos de explicação foram respondidos pelo governo brasileiro". 

Incrivelmente mais curioso foi o ultimado dado pela ONU ao Brasil cinco meses depois, exigindo que o Planalto expulse da reserva de Raposa Serra do Sol todos os rizicultores e demais não-índios que, ao ali residir, povoam e vivificam a faixa de fronteira do País. 

Por fim, convém reparar que o Cimi e outras ONGs atuantes na Amazônia insistem em segregar os indígenas do restante da população brasileira - e não raro tentam atiçá-los ostensivamente contra as autoridades -, mitigando o tradicional esforço do Estado para assimilar e incorporar os silvícolas à comunidade nacional. 

Aliás, as ingerências externas não se limitam a Roraima, mas se repetem em toda a Amazônia, sempre sob alegação de preservar o meio ambiente e proteger os povos indígenas. Durante palestra aos militares em 1998, o então Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, General Benedito Onofre Bezerra Leonel, observou que o narcotráfico, a degradação do meio ambiente e os abusos contra povos indígenas "deram origem a teses controvertidas como o dever de ingerência e a soberania limitada, que poderão ser usadas pelas grandes potências para justificar intervenções em países periféricos a pretexto de resguardar direitos humanos ou impedir desastres ecológicos". 

A expressão "grandes potências" foi utilizada no plural porque não se pode atribuir somente aos EUA as intrusões exógenas na região, conforme se depreende de depoimento concedido pelo General Valdésio Figueiredo ao Congresso Nacional em 2001: 

"Há pouco tempo, houve um acidente com um avião da Força Aérea, um Caravan, numa região próxima à dos pelotões de fronteira e depois o nosso pessoal do Esquadrão de Aviação foi auxiliá-los, para ver como resgatar os destroços do avião acidentado. 

Lá, eles encontraram um acampamento, um acampamento onde estava hasteada a bandeira da União Européia. O pessoal da FAB foi lá e questionou por que a bandeira da UE e não a bandeira do Brasil, e uma senhora, provavelmente francesa pelo sotaque, disse a eles que não tinha nada que botar bandeira do Brasil, que o Brasil não faz nada ali. Então os oficias a obrigaram a hastear a Bandeira do Brasil e depois conversando, perguntaram como é que ela se sentia, originária de um país desenvolvido, numa região tão inóspita. Ela respondeu que se sentia muito bem, pois estava em casa, pois a Amazônia também é deles. 

Depois eu já mandei uma patrulha com a Polícia Federal. Achei que o atrevimento foi muito grande e não podia ficar assim, mas não a encontraram, estava em trabalho de campo. Primeiro disseram que ela estava ali trabalhando pela ONG Médicos para o Mundo, em convênio com a FUNASA. 

Se existisse convênio com a FUNASA eu tinha que voltar atrás e deixar, mas não há convênio nenhum e, na última ida lá, só encontraram brasileiros, não encontraram mais a francesa, porque eu mandei a PF junto para prendê-la, se estivesse com o passaporte irregular, pois a maior parte desse pessoal tem 'visto' de turista e está lá no meio dos índios, trabalhando e fazendo proselitismo ou fazendo pesquisas". 

O fato acima narrado foi confirmado pela revista Isto É quase três anos depois - com provas fotográficas, inclusive. 

Por enquanto, a presença das Forças Armadas dentro das reservas indígenas - sobretudo aquelas situadas na faixa de fronteira - está assegurada pelo Decreto no 4.412/02. Todavia, o Brasil subscreveu em setembro de 2007 a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela Assembléia Geral da ONU por 192 votos a 15. 

Em seu art. 30, a Declaração determina que "no se desarrollarán actividades militares en las tierras o territorios de los pueblos indígenas, a menos que lo justifique una amenaza importante para el interés público pertinente o que se hayan acordado libremente con los pueblos indígenas interesados, o que éstos lo hayan solicitado". As resoluções da Assembléia Geral da ONU não criam obrigações para os Estados signatários - são declarações de intenção -, mas a adesão do Brasil ao documento denotou certa fraqueza diante das pressões internacionais. 

A mais recente dessas investidas foi barrada em maio de 2007, quando a implantação de um ambicioso projeto de "conservação" Amazônia, financiado pela USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional) e direcionado para cinco países da região - inclusive o Brasil -, provocou uma crise entre o Itamaraty e a instituição americana. Divulgado no site da USAID, a "Iniciativa para Conservação da Bacia Amazônica" recebeu sinal vermelho do Ministério de Relações Exteriores, que mandou suspender sua execução, prevista para julho. 

A proposta, ainda em fase de planejamento e com aportes previstos no valor de US$ 65 milhões, é coordenada por cinco grandes consórcios internacionais formados por 26 ONGs ambientalistas e indigenistas, instituições de pesquisa e universidades dos EUA e dos países da região. Na ocasião, pesou em favor do veto brasileiro a atuação do general Maynard Santa Rosa, titular da Secretaria de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, que enviou a todos os ministérios responsáveis pela gestão da Região Norte um parecer recomendando a proibição do projeto no País. 

Em um dos consórcios envolvidos no projeto da USAID, instituições privadas seriam encarregadas de "fortalecer as organizações indígenas" e demarcar áreas contíguas para os índios em terras do Brasil, Equador e Peru, sob a coordenação da Wildlife Conservation Society. 

O projeto também previa o fortalecimento de ONGs ambientalistas notoriamente refratárias a grandes obras de infra-estrutura, como as hidrelétricas no Rio Madeira, a estrada que liga a Amazônia ao Pacífico, o gasoduto de Urucu, a pavimentação de rodovias e outras obras destinadas a ampliar a presença brasileira na região e aproveitar suas riquezas em benefício do País. Em entrevista concedida ao Correio Braziliense, o general Maynard Marques Santa Rosa justificou sua oposição ao projeto da USAID levantando acusações bastante graves contra dois governos do G-8: 

"As ONGs trabalham livremente na Amazônia sem que possamos investigá-las. Acobertadas por essa proteção, defendem interesses ocultos das suas fontes de financiamento. Sabemos que existem ONGs prolíficas e com atuação humanística. Mas algumas ONGs são utilizadas como instrumentos de captação de informações por organismos de inteligência estrangeiros, atuam na espionagem. Sabe-se disso porque os serviços secretos do Reino Unido e dos EUA têm trabalhado na área. Temos informações seguras sobre isso". 

Segundo o General Rui Monarca Silveira, Subchefe do Estado-Maior do Exército, a Força Terrestre vem ampliando, dentro de suas possibilidades orçamentárias, a presença militar na Amazônia, transferindo para lá guarnições do Sul e do Sudeste, em resposta à presença militar norte-americana nos arredores do nosso perímetro de defesa (ver mapa a seguir). A região conta com efetivos de 25 mil homens, tendo recebido recentemente três brigadas de infantaria: de Petrópolis (RJ) para Boa Vista (RR), de Santo Ângelo (RS) para Tefé (AM) e de Niterói (RJ) para São Gabriel da Cachoeira (AM).(24) As preocupações do estamento castrense parecem encontrar eco junto à sociedade, pois em maio de 2005, o IBOPE divulgou uma pesquisa segundo a qual, para 75% dos brasileiros, o País corre o risco de ser invadido por uma grande potência devido às suas imensas riquezas naturais." 

Após esses dados cabais, só podemos concluir que a sanção da Reserva Raposa-Serra do Sol foi uma clara "doação" de recursos estratégicos brasileiros e da soberania do Brasil, às nações interessadas nos mesmos. 

Será que isso foi negociado secretamente? Pelo perfil de nosso presidente, o que os srs. leitores acham?

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