sábado, 7 de fevereiro de 2015

Uma crítica irônica ao racismo europeu em "Charleston Parade" - por um esquerdista.


 sexta-feira, fevereiro 06, 2015  Wilson Roberto Vieira Ferreira 

Estamos em 2028. A Europa foi arrasada por uma guerra mundial e Paris está em ruínas com poucos sobreviventes. Um explorador desce numa esfera voadora e descobre um dos sobreviventes. Ela é uma mulher selvagem que, com seu gorila de estimação, dança nas ruas um ritmo estranho chamado Charleston. Esse explorador é negro e vem da África que se tornou o centro da civilização, enquanto a Europa branca tornou-se arruinada e selvagem. Estamos falando de algum filme distópico atual? Não, esse é um estranho e irônico curta de ficção científica francês de 1927 “Charleston Parade” (Sur Un Air De Charleston) de Jean Renoir, filho do famoso pintor impressionista. O curta é uma engraçada crítica politicamente incorreta ao racismo e colonialismo europeu. A produção tornou-se obscura e esquecida pelas diversas coletâneas do diretor. Mas o “Cinegnose” descobriu e mostra para os leitores.

Filho do pintor impressionista francês Pierre-Auguste Renoir, Jean Renoir foi um dos menos conhecidos pioneiros do cinema. A carreira dele resultaria mais tarde em filmes realistas convencionais como A Grande Ilusão (1935) e Regras do Jogo (1937). Mas a sua primeira fase composta por filmes mudos foi subestimada e incompreendida no seu tempo, obrigando Renoir a vender quadros do pai famoso para financiar seus filmes.

Essa primeira fase composta de nove filmes mudos é marcada pelo experimentalismo e temas engraçados e bizarros. Uma amostra dessa fase é o surpreendente curta de ficção científica Charleston Parade (1927) realizado em uma tacada só em três dias.



A produção foi condenada pela público puritano nos EUA pelos trajes mínimos e a dança lasciva da atriz Catherine Hessling (esposa e musa do diretor), além dos subtextos  de crítica anticolonialista e  racial.

O curta de Jean Renoir surpreende por ser uma ficção científica distópica em plena década de 1920, muito tempo antes das distopias Admirável Mundo Novo e1984 aparecerem no campo literário e depois serem adaptados ao cinema, ou das distopias pós-apocalípticas como Planeta dos Macacos de 1968.

O curta


Em 2028, um explorador decola da África em um futurista veículo esférico voador para visitar uma Europa destruída por alguma grande guerra. Pousa sua nave na cidade de Paris abandonada e em ruínas, para encontrar sentada na calçada uma garota em trajes sumários acompanhada de seu gorila de estimação que lhe ensina uma dança nativa: o Charleston.

A garota está de shorts curtos e suas pernas se espalham lascivamente. O explorador pousa sua nave futurista no topo de um poste. Ele é um homem negro (representado de forma estereotipada por um ator branco) vestido com trajes de “minstrel show” (show de canções jazzísticas). Depois de algumas cenas em estilo pastelão onde, frente a frente, o explorador e a mulher parisiense selvagem se conhecem, ela começa a dançar. Os passos da dança são mostrados didaticamente em câmera lenta e rápida.

Perplexo com a dança, o explorador pede um telefone para dar a notícia da descoberta. Numa gag visual que mais tarde os desenhos animados copiariam, a garota faz materializar o telefone desenhando o contorno com giz em uma parede. De forma surreal, lembrando as trucagens de Meliés em Viagem a Lua, a garota disca para telefonistas representados por anjos de cabeças aladas – uma deles é o próprio Renoir.

O restante do curta é praticamente um estudo dos passos de dança do Charleston com muitos detalhes em câmera lenta e rápida.

Uma realidade invertida


O curta Charleston Parade é uma obra obscura e estranha. Raramente tem sido antologizada em DVDs sobre a obra do diretor. Certamente devido à sátira racial politicamente incorreta para os tempos atuais.

Renoir cria uma realidade alternativa invertida que parece fazer uma sátira à visão colonialista do europeu no período entre guerras. No filme, o continente europeu parece que foi arrasado por alguma guerra mundial, enquanto a África tornou-se um continente cultural e tecnologicamente avançado depois de décadas.

Naquele momento, a indústria de entretenimento principalmente francesa e alemã, inundava o mercado das chamadas pulp fictions (livros e revista populares especializados em romances de mistério, sci fi e aventuras) com uma visão exótica da Ásia e África – mostrados como mundos estranhos opostos à civilização europeia.


Essa visões romanceadas de outras culturas e povos fazia parte a expansão colonialista alemã e francesa nesses continentes – como, por exemplo, Congo, Nigéria, Camarões e Togo pelos franceses e o  Sudoeste africano pelos alemães antes da Primeira Guerra.

Em plena depressão econômica e hiperinflação que mergulhou a Europa sob os escombros da Primeira Guerra, essa literatura oferecia um momento de fuga, de escapismo da imaginação para selvas misteriosas com animais mitológicos e perigosas tribos de negros canibais.

Renoir simplesmente inverte tudo, mostrando o negro como uma cultura civilizada de vanguarda tecnológica, enquanto os brancos se tornaram selvagens, onde os sobreviventes dançam nas ruas de Paris um estranho ritmo chamado Charleston – na verdade, uma sintética criação a partir de ritmos da cultura negra norte-americana.

O Charleston

No ano em que Renoir lançou esse curta, o Charleston estava no auge do sucesso naquela década, e na França seu maior representante era a cantora e dançarina negra Josephine Baker com seu shows no Folies Bergère em Paris.

A ironia do curta Charleston Parade é que Renoir faz uma pequena história futurista de como o Charleston foi redescoberto pela nova geração e se tornou moda na África civilizada.

O ator branco que faz o explorador com uma máscara negra e luvas brancas e a sua roupa de “minstrel show” do teatro de variedades norte-americano se assemelha ao ator Al Jolson no filme O Cantor de Jazz, o primeiro filme sonorizado lançado naquele ano nos EUA. 

A ironia de Renoir poderia ter sido mais radical, colocando uma atriz negra (Josephine Baker, por exemplo) com uma máscara branca, dançando o Charleston. Mas se isso acontecesse, o diretor não poderia colocar a sua esposa e musa inspiradora Catherine Hessling como a estrela da produção.





  
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

SERIA UM RETRATO DA ADVOCACIA BRASILEIRA? Condenado 239 vezes por má-fé passa em prova da OAB



Por 
Fonte: www.conjur.com.br/


A advocacia brasileira vai ganhar, nos próximos dias, um integrante que, mesmo antes de ser habilitado profissionalmente, já acumulou mais experiência que muitos advogados veteranos. Trata-se de Luiz Eduardo Auricchio Bottura (foto). O novo advogado — que teve sua aprovação na segunda fase do Exame de Ordem publicada no último dia 8 — está no polo ativo e passivo em milhares de processos. Só por litigância de má-fé ele já foi condenado ao menos 239 vezes — clique aqui para ver a lista.
Figurinha carimbada nos tribunais, Bottura aciona delegados, advogados, juízes, desembargadores e qualquer um que o contrarie. Ele já se tornou famoso no Conselho Nacional de Justiça, no Conselho Nacional do Ministério Público, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, onde seus pedidos criativos e ousados são sistematicamente rejeitados. Em vez de inscrever-se para o Exame de Ordem de São Paulo, onde vive, Bottura foi buscar sua inscrição na OAB do Distrito Federal.
Diário Oficial de Justiça de Mato Grosso do Sul é um dos repositórios da atividade de Bottura. Na sua edição 2.098, o nome do novo advogado de Brasília é mencionado 108 vezes — todas elas em condenações por má-fé nos pedidos que fez à Justiça. As menções dessa data se referem, por exemplo, ao número de vezes que Bottura recorreu, de uma só vez, de decisões sobre queixas-crime que ele ajuizou contra o juiz Robson Celeste Candelorio, titular da comarca de Anaurilândia, no interior do estado.
Candelorio ocupou a vara que era da juíza Margarida Elizabeth Weiler, depois que ela foi aposentada compulsoriamente pelo TJ-MS por suspeita de favorecer Bottura em liminares. Ele entrou na lista negra depois que arquivou, ao assumir a comarca no lugar da juíza punida, mais de uma centena de ações ajuizadas por Bottura, todas por inépcia. O juiz também recebeu denúncia do Ministério Público contra Bottura pelo uso de uma mesma guia de recolhimento de custas judiciais em diversos processos. Como todas as tentativas de enquadrar criminalmente o juiz foram frustradas, Bottura insistiu com agravos no tribunal. A corte, porém, o multou em todos eles. Para evitar a sequência interminável de incidentes processuais, os desembargadores adiantaram que, se as multas não fossem recolhidas antecipadamente, nem adiantaria recorrer de novo. Bottura perdeu o benefício da Justiça gratuita concedido em primeira instância em todos os casos, e a corte quer agora que ele pague as custas processuais retroativas. Ao todo, foram 122 agravos em queixas-crime contra Candelorio.
A estratégia, então, passou a ser atacar os desembargadores. Segundo o advogado de Bottura, Fabrício dos Santos Gravata, dos 31 desembargadores do estado, 26 já sofreram arguições de suspeição. “Se um terço do tribunal se declarar suspeito, os processos têm que ir direto ao Superior Tribunal de Justiça”, explica.
Funcionou. Em outubro, seguindo antiga jurisprudência, o Supremo Tribunal Federal aceitou Reclamação de Bottura para que todas as Exceções de Suspeição sejam julgadas pela corte e não mais pelo TJ-MS, já que mais da metade dos desembargadores tiveram a suspeição alegada. Os próprios magistrados sul-mato-grossenses já estavam cansados. Oito deles declararam, de ofício, sua própria suspeição para não julgar mais recursos de Bottura. As demais 18 serão agora julgadas pelo STF.
O Conselho Nacional de Justiça também já censurou o litigante pela insistência. Ao julgar uma das denúncias levadas ao órgão contra os magistrados do TJ-MS, em 2009. O então conselheiro Marcelo Neves afirmou que a atitude indica “a possibilidade de uso abusivo da máquina estatal para a prática de perseguições de índole pessoal”. Na decisão, Neves reconheceu que “o requerente vem atuando com demasiada frequência”.
Segundo informações prestadas pelo TJ-MS ao CNJ no processo, a razão que motiva as ações de Bottura é a punição aplicada pela Corregedoria do tribunal à ex-juíza Margarida Elisabeth Weiler. Margarida recebeu a pena máxima depois que uma comissão concluiu uma correição em sua vara, em 2010.
Em pouco menos de um ano, a juíza acolheu e deu andamento a mais de 200 processos ajuizados por Bottura. No primeiro deles — uma Medida Cautelar de Alimentos e Arrolamento de Bens proposta em 7 de novembro de 2007 —, antes mesmo de mandar ouvir a parte contrária na ação, a juíza fixou pensão de R$ 100 mil em favor de Bottura — que deveria ser paga pelo ex-sogro, o empreiteiro Adalberto Bueno Netto. Também mandou apreender diversos bens na casa e no escritório de Bueno Netto e determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-sogro, da ex-mulher de Bottura, Patrícia — com quem foi casado por três anos —, e dos familiares e empresas deles. A decisão acabou suspensa pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Até mesmo a Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) foi processada na Vara de Anaurilândia, por rejeitar o registro de instrumentos contratuais das empresas de Eduardo Bottura.
Fábrica de processos
Depois de uma separação litigiosa, as ações de Bottura contra os Bueno Netto e diversas outras pessoas de qualquer forma envolvidas no caso foram surgindo em abundância. Apenas contra 13 dos advogados de seus desafetos, ele propôs 170 ações. São queixas-crime e ações de indenização por danos morais baseadas em alegações feitas pelos profissionais nas peças escritas que acompanham os processos, todas aceitas em Anaurilândia.

O assédio judicial levou oito advogados a entrar com representação na comissão de prerrogativas da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, pedindo que a entidade se manifeste, já que eles estão sendo processados por atos praticados no exercício da função. Segundo eles, a estratégia do ex-marido de Patrícia é processar, por difamação e injúria, qualquer um que peticione contra ele ou suas empresas. Pelo menos quatro escritórios já abandonaram o caso devido a processos ajuizados por Bottura.
Em São Paulo, o juiz criminal Alessandro Leite Pereira, do Fórum Central do Juizado Especial Criminal da Barra Funda, decidiu não receber acusações contra um dos advogados — a Queixa-Crime 050.08.015660-6/00. O resultado foi uma ação movida por Bottura pedindo o afastamento do juiz do caso, alegando suspeição. Até 2010, Bottura ajuizou nada menos que 431 exceções de suspeição contra juízes e desembargadores.
Nesse período, 196 pessoas diferentes foram processadas. Entre elas estão 12 desembargadores, três juízes, cinco árbitros, 21 advogados e sete delegados de Polícia. Só a família Bueno Netto respondia, em 2010, a 397 ações movidas por Bottura. Isso sem contar os consumidores processados por uma das suas empresas, a E-mail ME. Ela foi autora de pelo menos 503 ações em São Paulo, cobrando supostas dívidas a que muitos consumidores contestam alegando jamais terem adquirido qualquer produto.
Lesão psíquica
Bottura chegou a processar até mesmo a psicóloga da ex-mulher. Em 2010, Patrícia foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático. No mês passado, a Justiça paulista aceitou denúncia do Ministério Público contra o ex-marido por ofensa à saúde psicológica de Patrícia. Segundo o MP, o acusado promoveu campanha de ameaça, difamação e exposição da vítima. A denúncia por lesão corporal de natureza grave (artigo 129, parágrafo 1º, do Código Penal) foi aceita no último dia 28 de setembro pela juíza Fabiana Kumai Tsuno, da Vara Regional Sul 2 de Violência Domiciliar e Familiar contra a Mulher, do Foro Regional II, de Santo Amaro, na capital paulista. “Ao que consta, com a reiteração da conduta capitulada como contravenção penal, teria o acusado atingido o resultado correspondente à lesão à saúde psíquica da vítima”, afirmou a juíza na decisão.

Segundo o MP, as práticas incluíram ameaças a familiares, divulgação de dossiês difamatórios contra as empresas da família da ex-mulher e a criação de blogs para expor a intimidade de Patrícia, de seus pais e de seus irmãos. As mensagens e e-mails citados pela promotora Roberta Tonini Quaresma, autora da denúncia, incluem frases como: “Você tem um passado complicado com substâncias que descobri no decorrer do casamento e não acho que seria bom ter uma ação de interdição ou difamação no seu histórico, mas se necessário e cabível, será feito”; “eu já sei que você está feia, parecendo uma chaminé, mas eu coloco ordem na casa rapidinho”; “e aí, já engordou dez quilos, tomou pau em todos MBA (sic) e descobriu que sem eu (sic) você não é nada?”; e “vou casar na Itália e renunciar à cidadania. Você nunca vai conseguir separar (sic) de mim”.
A denúncia ainda menciona que o acusado ajuizou dolosamente ações judiciais com o “intuito de perseguir e atormentar psicologicamente Patrícia”, em “manifesto abuso de direito”. “Patrícia e seus familiares passaram a viver em função das ações judiciais movidas por Luiz Eduardo, fazendo com que a ofendida se sentisse culpada por ter colocado sua família naquela situação”, diz a peça.
Trauma de guerra
A turbulenta separação entre Bottura e Patrícia envolve agressões e ameaças de morte. Em entrevista publicada pela revista Marie Claire em junho, Patrícia conta que ele enviou um dossiê falso a vários pessoas que haviam sido convidadas para o seu casamento, no qual a chamava de "vagabunda", entre outros palavrões, e acusava a família dela de corrupção nos negócios. “Ele ainda levou ao Conselho Federal de Medicina uma denúncia contra o psiquiatra, em que o acusava de assédio sexual contra Patrícia. Ela teve de defendê-lo”, diz a reportagem.

A pedido de Bottura, a edição de junho da revista foi censurada pela Justiça. A Editora Globo, que publica o periódico, recorreu da decisão ao Superior Tribunal de Justiça.
À revista, Patrícia contou que, mesmo após a Justiça conceder medida protetiva que impedia o ex-marido de chegar a menos de 50 metros dela, as ameaças continuaram. “Ele afirmava ter armas com alcance muito maior do que 50 metros e que seria fácil me atingir. Não tive outra forma de viver a não ser fora do país. Passei seis meses exilada na Espanha.”
Bottura rebate as acusações. Afirma que decisões judiciais o absolveram do crime de ameaça e não reconheceram a distribuição de dossiês contra a família da ex-mulher e de os ofender em blogs. Segundo ele, em outra ação judicial, há documentos que comprovariam que as mensagens ameaçadoras no celular de Patrícia saíram do próprio celular da ex-mulher.
Ele também nega ter ajuizado os processos contra Patrícia e sua família. "Os processos contra a família de Patrícia são movidos pela empresa do meu pai [Luiz Célio Bottura, ex-presidente da Dersa, nomeado ombudsman da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo em maio de 2011 e exonerado em setembro do mesmo ano], onde dois já foram sentenciados, todos a nosso favor, com a declaração de que o pai de Patrícia forjou uma arbitragem e que falsificou documentos para lesar nossa família", disse à ConJur, por e-mail.
  
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ANÁLISE SWOT PARA CARREIRAS! Aprenda a usar a análise SWOT para desenvolver suas habilidades e impulsionar sua carreira


Conheça uma ferramenta poderosa da administração que propiciará otimizar suas aptidões e qualidades profissionais



(*) Pablo de Paula
A análise SWOT é uma ferramenta da administração que foi criada por Albert Humphrey e que tem o objetivo de fazer com que o gestor enxergue com clareza o terreno e as múltiplas variáveis que o influenciam, ou seja, é analisar o ambiente interno e externo e criar meios inteligentes para que a organização tenha êxito e atinja seu alvo.

Ela permitirá que o planejamento estratégico seja realizado de maneira eficiente por conta da sua ênfase periférica e tubular no cenário mercadológico, onde serão analisados minuciosamente o lado de fora (concorrentes) e o lado de dentro (processos internos) da determinada empresa. No ambiente interno, encontramos as Forças (Strengths) e as Fraquezas (Weaknesses). Já no ambiente externo vislumbramos as Oportunidades (Opportunities) e as Ameaças (Threats).

Por ser uma ferramenta extremamente simples, ela também pode ser usada para o desenvolvimento profissional de cada um de nós, materializando aumentar nossas competências e nos levar para um patamar genuinamente excelso. Além disso, ela treinará nossa visão para que possamos distinguir, interpretar e influenciar as multiplicidades de esferas que estão ao nosso redor.

Esse método é poderosíssimo e completamente perfeito para aumentarmos nossa performance e nível de entendimento, porque nada é mais importante do que conhecer a atmosfera na qual estamos inseridos, porquanto é somente através desse conhecimento que poderemos encontrar as soluções para os inúmeros problemas existentes. Certamente, no meio dessa descoberta, saberemos com mais segurança quais ações temos que tomar para atingirmos mais facilmente os nossos propósitos.

Infelizmente, por conta do nosso despreparo e da nossa total negligência, ficamos vergonhosamente estagnados diante de momentos ímpares que deveriam ser usados para alavancar nosso valor e aprimorar nossa valia. Assim, caímos em uma arapuca criada por nossas próprias mãos, transformando nossa trajetória em uma frustração absoluta por conta de não sabermos como aproveitar nossas oportunidades mais determinantes.

Logo, esse instrumento é de suma importância para propelirmos nossa caminhada rumo ao sucesso. Para utilizar-se da análise SWOT em sua vida profissional, alavancando suas aptidões adormecidas e estimulando seu cosmo empreendedor, apanhe os exemplos abaixo e procure aplica-los gradualmente e progressivamente em seus empreendimentos:

Ambiente Interno - Pontos Fracos: onde sou medíocre?

Suponhamos que você tenha os seguintes pontos para serem trabalhados (eliminados):

• Comunicação confusa e enfadonha: se você não sabe transmitir uma mensagem de forma clara e objetiva, procure mudar esse panorama. Invista em cursos, treine nos eventos e festividades que você frequenta, busque copiar as pessoas que se destacam socialmente, converse com várias pessoas em seu dia a dia, ouça-as atentamente, as faça rir, enfim aprenda a conversar e a tratar as pessoas com cordialidade e afetividade.

• Conhecimento raso: se você possui pouca capacidade técnica e um raio de conhecimento limitado, destrua imediatamente esse fato negativo de sua vida. Se aprofunde em sua área de atuação, leia constantemente livros, artigos, revistas e jornais, participe de palestras, seminários e workshops, gaste tempo e dinheiro em uma pós-graduação, faça networking: ceife informações e dicas de seus contatos, comece a aprender um pouquinho todos os dias no seu trabalho: converse com o líder e com o operário, em síntese, esteja sempre aberto para ser reconstruído e otimizado. Ao fazer isso, você verá como o seu progresso o fará ser mais competente, inteligente e realizado em todas as instâncias presentes.

• Pouca (ou nenhuma) resiliência: se você é pouco equilibrado e sofre com isso nos relacionamentos interpessoais, é necessário criar uma blindagem emocional para suportar eficientemente essas pressões cotidianas. Para isso, é fundamental ostentar paciência e abnegação no trato com o próximo, objetivando fazer da servidão, o pilar supremo de suas ações no que tange as estimadas interações sociais.

• Falta de foco: se você vive perdido e não aprendeu a se encontrar no painel mercadológico, entenda uma coisa: você precisa de um alvo. Ele deve ser escolhido de acordo com seus dons e talentos naturais, de sorte que você possa traçar metas e executá-las progressivamente, alinhando-as com as suas devidas capacidades.

• Baixa autoestima: se você se acha pequeno e vive pensando que não representa nada para a sociedade, reflita sobre si mesmo e dê uma nota para as suas ações perante o mundo. Certamente, ela será baixa e você precisará criar suas virtudes e valores interiores para conseguir fomentar uma alma grandiosamente esperançosa e um coração absolutamente seguro, o que acarretará na geração de uma autoconfiança inabalável (eliminando totalmente a probabilidade de uma pessoa ser reprovada ridiculamente pela sua própria consciência).

Ambiente Interno - Pontos Fortes: onde sou brilhante?

Suponhamos que você tenha os seguintes pontos para serem aproveitados (otimizados):

• Empatia: pode ser que você tenha a faculdade de compreender a alma alheia. Assim, use isso a seu favor, procurando mostrar para as pessoas que você se importa verdadeiramente com elas, de modo a ganhar suas confianças e poder transitar no meio de seus tesouros e pedras preciosas.

• Persistência: pode ser que você tenha uma determinação implacável, o que fará com que as pedras e obstáculos da vida não impeçam o seu crescimento. Se desse jeito for, use sua garra, paciência e evasão para nunca deixar um projeto pela metade, ou um sonho apenas em seu plano fantasioso.

• Iniciativa: pode ser que você tenha muita atitude e pró-atividade, o que o transformará em um profissional extremamente ativo e focado. Utilize essa sua qualidade para buscar com mais vigor seus objetivos, encurtando a distância entre a fábula e a realidade, e detonando para sempre, o intervalo entre os anos luz e as milhas.

• Disciplina: pode ser que você seja uma pessoa disciplinadamente perfeita, o que é algo de extremo valor, pois ser constante perante os processos organizacionais é esbarrar os dedos no pedestal da excelência. Portanto, usufrua dessa poderosa virtude para se tornar mais produtivo e eficaz, gerando mais competência para a sua organização e colhendo os justos frutos dessa sábia postura.

• Carisma: pode ser que você seja socialmente acima da média, fazendo uma pluralidade enorme de pessoas gostarem de você. Desta forma, aproveite essa maravilha natural para subir mais facilmente seus degraus, procurando alcançar o topo através da generosidade e da máxima reciprocidade com o próximo.

Ambiente Externo – Ameaças: o que posso perder?

Você precisa ter uma visão macro do ambiente para identificar as armadilhas instaladas. Após isso, é necessário prover os meios eficazes para ataca-las e/ou diminuí-las em seu raio de intensidade.

Por exemplo, vamos conjecturar que a sua meta para esse ano seja ser promovido em seu emprego atual, todavia você possui um duplo problema: dois de seus maiores concorrentes estão em melhores condições: o primeiro possui uma formação mais robusta e o segundo possui mais tempo de empresa. Assim, para tentar aumentar suas chances de vitória diante dessa desvantajosa peleja, você precisará montar uma estratégia eficaz e extremamente agressiva contra tais eventos contrários.

Para o primeiro concorrente, você precisará demostrar imediatamente para a liderança que apesar da desvantagem acadêmica, você possui um conhecimento técnico muito mais amplo e sólido do que o do seu oponente, provando que apenas ter títulos não significa que uma pessoa seja verdadeiramente melhor, e, principalmente, que você está pronto para mostrar na prática (com números) a veracidade desse inquestionável fato. Além disso, terá que convencer o gestor com argumentos plausíveis que possui resquícios inovadores e alma de empreendedor, o que fará com que a escolha dele seja feita em cima de fatos atraentes e completamente vigorosos.

Para o segundo concorrente, a tarefa será muito mais árdua, pois ele possui muita confiança e credibilidade com a liderança por conta do enorme tempo dedicado a empresa. Desta forma, é impreterível ostentar uma carta na manga, como uma habilidade que esteja alinhada com os propósitos do cargo oferecido, isto é, que facilite o desempenho da função por ser uma coisa já enraizada em você. Por exemplo: suponhamos que o cargo exija que o profissional saiba manusear com destreza a famosa calculadora HP 12C, assim, se você fez o curso e domina a ferramenta, estará automaticamente um degrau acima de seu adversário.

Uma outra maneira de sobrepujar esse funcionário veterano é através da iniciativa e da busca pela excelência em todas as instâncias existentes. Deste modo, você precisará ser ativo e antenado nos processos organizacionais e deverá fazer com que as suas ações executadas estejam sempre bem próximas da perfeição. Para que isso possa ocorrer, procure sempre trabalhar, estudar e pensar pelo menos três vezes a mais do que o seu referido oponente.

Para concluir, precisamos registrar que esse profissional deve, além de todas essas coisas mencionadas acima:

• Sempre buscar voltar seus olhares para as qualidades de seus concorrentes, de sorte a integrá-las e adquiri-las;

• Gerar um espírito holístico de analisar as ações alheias e procurar decifrá-las, buscando se antecipar aos processos futuros;

• Criar uma base forte para permanecer intacto perante as forças contrárias que possam vir a existir;

• Mensurar os próprios poderes e aplica-los em pontos específicos, objetivando acertar o alvo.

Portanto, esse colaborador deve ser um exímio jogador para poder manusear com maestria o tabuleiro empresarial, mexendo as peças de acordo com suas necessidades e desejos intrínsecos.

Ambiente Externo – Oportunidades: o que posso ganhar?

É hora de identificar quais são os melhores caminhos a serem percorridos, ou seja, aqueles que me levarão para o meu objetivo de maneira mais rápida e econômica.

Por inúmeras vezes, perdemos oportunidades simplesmente por não as enxergarmos. Fatalmente, nossa mente não foi ensinada a percebê-las e tampouco apalpá-las. O grande barato disso tudo, é que essas circunstâncias aparecem sempre como grandes tesouros ocultos, em que temos que buscar seus brilhos no estimado mapa para posteriormente desenterra-las e aproveita-las.

E essa atitude, de aproveitar nossas habilidades de desbravadores curiosos em busca de entusiasmantes veredas, nos levará a ter um senso interpretativo consideravelmente forte, que permitirá que saiamos na frente dos nossos concorrentes por ostentarmos uma visão mais aguçada e estimulada.

Um outro quesito a ser trabalhado minuciosamente são as nossas escolhas, porquanto por muitas vezes optamos por caminhos mais longos e que poderiam ter sido mais curtos e simples. Então, sofremos desnecessariamente por andarmos por extensos quilômetros quando na realidade poderíamos ter meramente percorrido apenas alguns poucos metros.

Podemos tomar como modelo dessa questão, um fato ocorrido na vida de um grande amigo meu, que passou quase quatro anos de sua vida tentando passar em vários concursos públicos, mas nunca obteve sucesso, até que resolveu exaltadamente montar seu próprio negócio, obtendo resultados consideráveis já no primeiro ano de atividade (como se tivesse nascido para fazer aquilo). Destarte, como conseguimos perceber, ele estava buscando a glória do lado de fora (trabalhando como empregado, o que aparentemente era o caminho mais curto) quando na verdade ela estava fatidicamente do lado de dentro (trabalhando como empresário, o que aparentemente era o caminho mais longo).

Precisamos ainda, aprender a aumentar gradualmente as circunstâncias favoráveis de nosso meio. Logicamente, isso somente acontecerá quando aumentamos o nosso valor, isto é, a medida em que elevamos os nossos talentos, automaticamente nos tornamos mais oportunistas, fabricando novas atmosferas e germinando novas opulências através dessa nossa evolução intelectual.

Concluindo, enxergar as oportunidades (percebê-las), desmembrá-las (torná-las reais), identifica-las (saber escolher as melhores) e aumenta-las (criar mais) são maneiras ímpares de aproveitarmos eficientemente as situações positivas que a vida nos fornece.

Certamente, ser um estrategista nesse mercado competitivo é uma questão de sobrevivência, porque o nível entre os participantes é muito parelho, o que faz com que tudo fique muito parecido entre tais profissionais. Desta forma, que possamos aprender a ter esse espírito antecipatório, de modo a otimizarmos nossas decisões e ao mesmo tempo, obtermos resultados mais expressivos.
(*) Pablo de Paula Bravin: Administrador - Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO (2011-2014). "Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito." Aristóteles // "A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre." Oscar Wilde
  
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

África, porta de entrada para a Europa para a cocaína da América do Sul

Dia 2012/10/09 - 09:27

O chefe da Unidade de Drogas e Crime Organizado explica como os cartéis sul-americanos mudaram sua estratégia de introdução de produtos na Europa


África estabeleceu-se como uma das principais bases de redes de tráfico de cocaína , tanto porque os cartéis usar seus países como armazéns como sua rota costa ocidental ao longo do qual camuflado entre os navios com drogas da América do Sul para a Europa.
É o que diz o chefe da Unidade de Drogas e Crime Organizado (UDYCO), Eloy Quiros , depois de fechar um "histórico" August na luta contra o tráfico de cocaína com a apreensão de cinco toneladas em várias operações e um elemento comum em quase todos: os cartéis colombianos estão na África e Costa Oeste uma rota privilegiada de entrada para o mercado europeu.
A mais significativa dessas operações terminou no último 15 de agosto , quando o Grupo de Operações Especiais (GEO), em colaboração com outras polícia interceptou um carregamento de 3.000 quilos de cocaína que tinham partido do Golfo da Guiné e se dirigiu para a Galiza, cujas águas a organização planejada para transbordar bens em terra em um barco ou pesca.

Melhor em pequenas quantidades


Quirós garante que um cache tanto da droga é "oportuna" e "muito incomum", porque a maioria das redes de tráfico de drogas preferem não arriscar e optar por tentar introduzir no recipiente 100 ou 200 quilos de cocaína . "Pegue um barco cheio de drogas não é normal, normal é tomar vários recipientes", enfatiza Quirós, prever que, antes do final deste ano pode ser um ligeiro aumento das quantidades de cocaína apreendidas devido a essas operações.
Uma batida, o oficial da polícia acrescentou que "não significa de forma alguma que está entrando droga em abundância no nosso país", mas são o principal obstáculo para a droga atinge a Europa e as investigações lançado no mês passado contra essas redes foram concluídas no mesmo mês.
O que eu destacar essas operações, como
Quirós, é que o tráfico de drogas organizações têm consolidado o caminho Africano para entrar a droga na Europa ;negligenciaram a rota do Mediterrâneo, muito mais controlada principalmente no Estreito, e descartaram navegar no Mar do Norte, o Atlântico, com condições climáticas adversas.
Quirós explicou que as embarcações podem contornando a costa Africano sem parar camouflaging em peixes que fazem a rota entre a África ea Europa , ou usadas como portas de trânsito países africanos como Guiné-Bissau e Guiné onde depositam os bens para movê-lo em outras embarcações em quantidades menores. Em 2007, a Interpol advertiu que a costa oeste da África começaram a rivalizar com a rota Caribe mar como pistas de entrada de cocaína para a Europa e Estados Unidos, respectivamente; cinco anos após a advertência tornou-se uma realidade consolidada.

A nova estratégia para África


"Logicamente cartéis operar como uma empresa comercial e estão mudando suas estratégias e prevalece agora é a África", enfatiza o chefe da UDYCO, lembrando que se quantidades elevadas ou não, os proprietários do medicamento permanecem colombianos e seu objetivo é acertar a coca mercado,
EUA e Europa. Neste apontar o continente Africano oferece muitas facilidades redes colombianas porque seus países, além de não ter capacidade de polícia para lutar eficazmente contra o tráfico de drogas, têm níveis crescentes de corrupção e os grupos armados que poderia ser financiado com o contrabando droga.
Quirós defende o sucesso completo encontra-se não apenas na prevenção da droga a partir de chegarem ao seu destino, mas "temos de desmantelar as redes , o ganho de convicções, de entrar na prisão e deve intervenirles todos os seus bens ", porque o que os torna mais mal não elimina a droga, mas o dinheiro, sem o qual não pode se reagrupar rapidamente.
Assim, considera-chave na luta contra o crime organizado e do tráfico de drogas da cooperação policial , troca de informações e juízes mão trabalho da polícia e do Ministério Público.
Fonte: (aqui)
  
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Paraná recebe nova onda de imigração de muçulmanos em busca de emprego



Muçulmanos durante reza na mussala (casa de orações) em Rolândia, no norte do Paraná

Eduardo Anizelli/Folhapress




De colonização alemã, a cidade de Rolândia, no norte do Paraná, tem pouco mais de 60 mil habitantes e um calor de 35 graus no verão. Em meio a casas em estilo germânico, produção de salame e Oktoberfest, vivem agora cerca de 200 muçulmanos, que percorrem as ruas de terra vermelha vestindo túnicas e taqiyahs (gorros de oração).

Chegado nos últimos cinco anos, o grupo integra nova onda migratória de islâmicos, que tem mudado a cara de pequenas cidades do Paraná e já provocou a abertura de pelo menos nove mesquitas e casas de oração.

"Brasil, muito bom. Tudo gente boa, trabalho. Só ruim feijão, tudo dia feijão [sic]", afirma o bengalês Abdus Samad, 29, no país há dois anos.
Os novos islâmicos são de países africanos e asiáticos, como Bangladesh, Paquistão e Gana, e fogem da instabilidade política ou da pobreza.

Em cidades como Rolândia, procuram trabalho em frigoríficos que fazem o abate halal de frangos, obrigatório para muçulmanos e feito preferencialmente por fiéis.
Antes do abate, realizado manualmente e com um único corte, é preciso dizer: "Em nome de Deus, Deus é maior".

O norte do Paraná, onde a Folha esteve, tem grande concentração de frigoríficos halal, que vêm aumentando exportação para países muçulmanos –por isso precisam da mão de obra.

Com os novos islâmicos, o Estado também é o segundo em templos muçulmanos no Brasil, só atrás de São Paulo.

Os novos imigrantes são na maioria homens, têm entre 20 e 30 anos, e trabalham com afinco. Adesivos com a inscrição "funcionário do mês" decoram a casa do bengalês Atiquer Rahman, 24.

Com o salário, eles compram celulares para falar com a família, enviam dinheiro e pagam as contas. Por causa do fuso em relação à terra natal, preferem trabalhar de madrugada, geralmente no setor de limpeza dos frigoríficos.

Muitos dividem o aluguel em até seis pessoas. Cozinham, comem no chão, por costume, e fazem as cinco orações diárias que prega o Alcorão em tapetinhos em casa. Para achar a direção de Meca, à qual devem se voltar, usam a bússola do celular.

Embora a comunidade hoje seja receptiva, no começo alguns moradores fechavam a janela quando os imigrantes passavam. Mas eles relevam o receio inicial. Dizem que os brasileiros não estão acostumados a estrangeiros, mas que, quando conhecem, "respeitam mais", como afirma o paquistanês Haji Muhammad, 36.

COIOTES

Muitos dos imigrantes chegaram ao Brasil pelas mãos de coiotes, gastando até R$ 20 mil. Em Bangladesh, havia anúncios em jornais que prometiam salários de R$ 5 mil. De avião, chegaram à Bolívia e depois atravessaram a fronteira brasileira de ônibus, a pé ou até a nado, cruzando rios.

Aqui, não viram nada da promessa de bons ganhos e emprego imediato. A maioria teve de pedir ajuda para sobreviver nos primeiros dias e, agora, recebe entre R$ 1.000 e R$ 1.500 ao mês.

Hoje, dizem que o Brasil é a sua casa. A maioria recebeu visto de permanência definitiva do governo federal.

Alguns já se renderam ao sertanejo, popular na região. Outros abrem um sorriso quando se fala em churrasco –desde que seja com abate halal e sem carne de porco.

O bengalês Sumsul Hoque Khokon, 28, que abriu um salão de beleza há duas semanas, mostra a foto do jogador Neymar. "Corto igual ele, se quiser", a R$ 10.

ABRIGO

A comerciante Maria Teixeira Navarro, 75, tem oito filhos. Mas é chamada de mãe por quase 50 homens espalhados pela cidade de Jaguapitã, no norte do Paraná.
"Mãe, mãe, senta aqui", dizem a ela bengaleses e paquistaneses, imigrantes que vivem na cidade há dois anos e que se afeiçoaram tanto à aposentada que a adotaram como parte da família.

"Ela é igual de mãe. Nunca vi isso. É igual de família", comenta o paquistanês Haji Muhammad, 36, com algumas incorreções na língua portuguesa.

Maria é uma das "mães" que os muçulmanos emigrados ao Brasil adotaram como suas. Há outro casal de "pais" em Jaguapitã. Em Rolândia, cidade vizinha com 200 imigrantes, um casal de aposentados também foi batizado de forma parecida.
São brasileiros que ajudaram os jovens recém-chegados com comida, roupa, emprego e com a própria casa.

É o caso de Maria. O paquistanês Muhammad e o conterrâneo Shafiq Urehman Khan, 39, moram na residência dela, nos fundos. Só pagam a conta de água.
Kahn foi o primeiro a chegar. "Ele estava dormindo embaixo de um pé de manga. Vi e falei: 'Não pode ficar assim'", diz Maria.

Botou o paquistanês para dentro de casa. Muhammad veio alguns meses depois.
Com o tempo, todos os imigrantes acabaram se acos- tumando a frequentar a casa da aposentada.

GESTOS

No começo, só se comunicavam por gestos, lembra Maria. "Eles falavam aquele buru-bururu enrolado."

Começaram a melhorar com a TV. "Assistiam e perguntavam o que era aquilo, o que era aquilo outro. Que nem criança quando está começando a ver as coisas. Aí foram aprendendo."
Hoje, Khan ajuda no comércio que a aposentada mantém na frente do imóvel e brinca com seus netos.

No começo, houve resistência. A própria família reclamou. "Falavam: nossa, a senhora vai pôr um homem estranho dentro de casa? Esses homens são perigosos".

Embora a comunidade hoje seja receptiva aos imigrantes, no começo alguns moradores fechavam a janela quando eles passavam.

"Tinham medo! Achavam que era homem-bomba", delata Maria.
"O povo, não todo mundo, desconfia", diz o padre Constantino Borg, 67, que era pároco em Jaguapitã à época. "Mas são irmãos, nada a ver."
Aos poucos, a resistência passou. Houve até arrecadação de cesta básica para ajudar os imigrantes.
Eles relevam o receio inicial. Dizem que os brasileiros não estão acostumados a estrangeiros, mas que, quando conhecem, "respeitam mais", como afirma Muhammad.

"Eu trabalho, eu não sou preguiçoso, respeito, nunca fumado, nunca drogado... Aí você respeita."

"Eles são muito educados", diz a comerciante Rose Fahr, 60, cuja loja é vizinha da casa de bengaleses em Rolândia. "Deixam o chinelinho na porta e só compram no dinheiro, à vista."

CHARLIE

Quando o assunto é o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, os muçulmanos não escondem a tristeza com a forma como o profeta Maomé foi tratado pelos cartunistas. Mas se opõem com firmeza ao terrorismo.

"O profeta nunca brigou com ninguém", afirma Muhammad.

A única coisa que as mães e pais postiços ainda não conseguiram fazer pelos filhos estrangeiros foi arrumar namoradas. O pedido é constante –pela tradição muçulmana, a família do noivo escolhe a pretendente.
  
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