sábado, 26 de outubro de 2013

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DA CÂMARA APROVA ADOÇÃO DA “PEDAGOGIA DE BANHEIRO PÚBLICO” NO CURRÍCULO ESCOLAR


A Comissão de Educação aprovou na quarta-feira (24) o Projeto de Lei (PL) 7627/10, da deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP), que torna obrigatória a inclusão da temática gênero e suas relações intra e interpessoais nos currículos escolares.


O objetivo é incentivar o a adoção da chamada “Pedagogia de Banheiro Público”, bem como incentivar o estudo e o diálogo sobre o tema gênero, promovendo uma mudança cultural em favor da igualdade entre os sexos.

Feministas protestaram contra a aprovação do projeto, pois, segundo elas, “caso seja implementada a igualdade entre os sexos, seremos obrigadas a nos submeter ao serviço militar obrigatório e não poderemos nos aposentar cinco anos antes que os homens”.

O projeto altera a Lei 9.394/96, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática gênero.

De acordo com a deputada, a proposta também visa promover debates e reflexões sobre a violência contra as mulheres e entre gêneros. “Pode ser um bom instrumento para uma convivência harmoniosa entre alunos.”

Segundo o pedagogo Genival Genildo Gonorreia dos Santos, “a pedagogia de banheiro público somente é assimilada se você estudar toda a obra de Paulo Freire, se escrever sobre Paulo Freire, formular problemáticas a partir dos questionamentos de Paulo Freire, acordar pensando em Paulo Freire, defecar pensando em Paulo Freire e se masturbar em homenagem a Paulo Freire”.

O projeto será remetido para apreciação da presidente Dilma Rousseff.

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fonte : (aqui)
24/10/2013 - 20h11

Comissão aprova temática de gênero no currículo da rede de ensino

A Comissão de Educação aprovou na quarta-feira (24) o Projeto de Lei (PL) 7627/10, da deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP), que torna obrigatória a inclusão da temática gênero e suas relações intra e interpessoais nos currículos escolares.
O objetivo é incentivar o estudo e o diálogo sobre o tema gênero, promovendo uma mudança cultural em favor da igualdade entre os sexos.
Reprodução Tv Câmara
Dep. Jean Wyllys (PSOL-RJ)
Wyllys: apesar da Lei Maria da Penha, ainda é muito grande a violência contra mulher e isso é uma questão cultural.”
O projeto altera a Lei 9.394/96, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática gênero.
De acordo com a deputada, a proposta também visa promover debates e reflexões sobre a violência contra as mulheres e entre gêneros. “Pode ser um bom instrumento para uma convivência harmoniosa entre alunos.”
Janete Pietá esclarece que a Lei Maria da Penha (Lei11.340/06) não é suficiente para coibir a violência doméstica contra a mulher.
Segundo o relator substituto na comissão, deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), o projeto não trata de uma disciplina no currículo e sim da garantia, na lei, de que a temática será abordada entre as disciplinas ministradas. "É importante porque o Brasil é um dos países campeões de feminicídio, de violência, de assassinato de mulheres e violência contra a mulher. Apesar da Lei Maria da Penha, ainda é muito grande a violência contra mulher e isso é uma questão cultural.”
Na opinião do parlamentar, trabalhar a equidade de gênero, é explicar para a comunidade escolar que homens e mulheres devem ser tratados de maneira igual e ter acesso igualitário aos direitos e a dignidade e que as escolhas e a liberdade têm de ser respeitadas. “Assim, a gente descontrói essa cultura de violência contra a mulher".
Para a professora de História, Identidade e Cidadania da Universidade de Brasília (UnB) Renizia Cristina Garcia Filice, o projeto se justifica porque o Brasil enfrenta uma realidade de violência e preconceito contra as mulheres que precisa ser tratado. "À medida que a mulher vai avançando, também há uma resistência da maturidade ainda muito patriarcal, para que ela não ocupe determinados espaços. Falar de educação de gênero nas escolas é tratar com muita tranquilidade, de uma forma pedagógica, questões que são muito atuais".
Da Redação - RCA
Colaboração - Lidyane Barros

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"COISA DE ÍNDIO - ILHA DE PROSPERIDADE", ALDEIA GUARANI PRODUZ TUDO SEM DEPENDER DA FUNAI

Rebanho de 180 porcos é mantido pela comunidade e carne é dividida entre as 120 famílias (Foto: João Garrigó)

Reserva em Paranhos colhe um milhão de quilos de mandioca, cria porcos e tem frota própria, de caminhão e ônibus

Edivaldo Bitencourt, enviado especial a Paranhos 02/09/2013 08:00

Em meio a violência, miséria e falta de terras, uma aldeia da etnia Guarani Kaiowá surpreende ao se tornar auto sustentável e viver com boa qualidade de vida. Em Paranhos, a 440 quilômetros da Capital, a Aldeia Sete Cerros, com 556 habitantes, consegue garantir renda, alimentos e até comprar equipamentos sem depender do poder público.
A saga até parece inacreditável entre os 43 mil índios guaranis, de um população indígena total de 61.737 em Mato Grosso do Sul, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2012. A etnia é marcada por sofrer com a falta de terra, a miséria, a violência, drogas, alcoolismo e suicídios. 
Na reserva de 8,5 mil hectares, cada uma das 120 famílias obtém uma cesta básica por mês, contam com ônibus próprio de 46 lugares para ir à cidade, que fica a 48 quilômetros, três vezes por semana e dois tratores.
A renda mensal está garantida com o arrendamento de 3 mil hectares para pecuaristas da região, que deixam 1,6 mil bovinos nas pastagens da reserva. Os índios ganham em torno de R$ 11,2 mil por mês pelo arrendamento. A prática, que é condenada pelo Ministério Público Federal em outras regiões do Estado, garante a independência financeira aos moradores do local.
Índios no meio da plantação de mandioca, que deve dobrar área cultivada neste ano (Foto: João Garrigó)
Graças ao arrendamento, eles não precisam ficar dependendo do poder público para comprar óleo diesel para cultivar 40 alqueires de lavoura. Neste ano, segundo o capitão Pedro Valiente, 39 anos, foram colhidas aproximadamente um milhão de quilos de mandioca. O faturamento da produção chegou a R$ 170 mil.
Só um grupo de sete mulheres ganhou R$ 20 mil com o plantio da mandioca, já que a lavoura é cultivada por grupos. Todos trabalham na aldeia, que não registra suicídio, casos de desnutrição nem violência, um fato raro entre as comunidade da etnia Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul.
Com apenas a segunda série do ensino fundamental, o capitão comanda a revolução na aldeia. Ele faz planos ousados. A primeira meta é dobrar a área plantada, de 40 para 80 alqueire. Tudo preparado com recursos próprios. Os 20 mil litros de diesel enviados anualmente pela Funai (Fundação Nacional do Índio) não são suficientes para atender uma das cinco aldeias do município, reconhece o prefeito Júlio César de Souza (PDT).
O cultivo e o arrendamento permitem a Aldeia Sete Cerros investir em logística, digamos assim. Além do ônibus, os índios compraram um Ford 4000, ano 2004, e estão trocando uma caminhonete Ranger por uma Fiat Strada.

Ônibus adquirido com recursos próprios leva moradores até a cidade (Foto: João Garrigó)

Um dos dois tratores: índios não dependem da Funai para obter óleo diesel (Foto: João Garrigó)Um dos dois tratores: índios não dependem da Funai para obter óleo diesel (Foto: João Garrigó)
Eles não ficam dependendo de favores do poder público para iniciar o plantio. Compram a própria semente de milho e a rama da mandioca. E completam o óleo diesel dos dois tratores estacionados na “sede” da reserva.
A fartura é grande. Além de cada família criar galinhas, a comunidade tem um rebanho de carneiros, 96 vacas leiteiras e porcos. Geralmente, Valiente mata de cinco a seis leitões e divide a carne entre os índios.
Os 180 porcos ficam soltos durante o dia e são recolhidos à noite em um chiqueiro, que fica em um canto da reserva. Um dos dois cuidadores dos porcos é o aposentado Lucildo da Silva, 65 anos. Ele contou que dá ração aos animais dois vezes por dia. “A vida é boa”, conta ele, aos risos.
Não é o único que aparenta estar feliz. Juvenil Vera Martins, 36 anos - pai de quatro filhos de 1, 6, 10 e 13 anos – cultiva a mandioca e o milho. Ele vende a produção que garante o sustento da família. Todos os filhos estudam na escola da aldeia. Um já concluiu o 5º ano do ensino fundamental e vai utilizar o transporte escolar para chegar na escola urbana.
Velasques criou oito filhos e vive bem na reserva indígena (Foto: João Garrigó)

Alison Valiente, 19 anos, dá aula de educação física na escola indígena. Ele está cursando o último ano do ensino fundamental, mas já sonha com a faculdade de Educação Física. O jovem conta com uma motocicleta para participar dos campeonatos de futebol amador em Paranhos e na cidade paraguaia de Ype-Jhú.
Até quem não costuma sair da reserva reclama. O aposentado Francisco Velasques, 67 anos, tem oito filhos. Sete já estão casados. Ele diz que não tem do que reclamar. Enquanto outras aldeais se queixam da falta de médico, um profissional realiza atendimento duas vezes por semana no posto de saúde local. Também não falta remédios, garante o capitão.
Pedro Valiente tem sonhos ambiciosos para a família, formada por cinco filhos e a esposa, Elza, 32 anos. A maior aposta está no filho Cleber Valiente, 15 anos, que é o Vinícius da dupla sertaneja Pedro Paulo e Vinicius. Eles já gravaram o primeiro DVD e promovem shows pela região. A dupla será uma das atrações da Expobai (Exposição Agropecuária de Amambai), um dos principais eventos do agronegócio da região sul do Estado.
A boa convivência dos índios com os grandes produtores da região é outro destaque na Sete Cerros. Para o capitão, o conflito não é bom para ninguém.
Capitão dirige F-4000 que tem ar condicionado e até quente para proteger do frio (Foto: João Garrigó)

E a aldeia Sete Cerros tem bons números para mostrar. O último suicídio ocorreu há mais de cinco anos, conforme as lembranças do capitão. Para o prefeito de Paranhos, a reserva é um exemplo para os índios da região e de todo o País.
“Eles têm qualidade de vida”, analisa o pedetista, que quer espalhar o exemplo para todo o município. Com esse objetivo, o prefeito articulou a retomada da farinheira, uma fábrica de farinha de mandioca que estava fechada há vários anos.
A proposta é reabrir a fecularia em 90 dias com capacidade para 110 mil toneladas de mandioca por ano. O faturamento pode chegar a R$ 18,7 milhões por ano.
Diante do sucesso, o plano é levar o exemplo da Sete Cerros para as outras quatro aldeias do município. Pela proposta, cada grupo de 7 a 8 famílias cultivariam de cinco a sete hectares de mandioca. “Se esperar pela Funai, não tem nada”, avisa Júlio César.
Capitão com a esposa e os filhos, a boa qualidade de vida na aldeia (Foto: João Garrigó)
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O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA


02/09/2013 
às 5:25

É o título de uma coletânea de textos de autoria do filósofo sem carteirinha, crachá ou livro-ponto Olavo de Carvalho (foto), lançado há duas semanas pela Editora Record (615 páginas, R$ 51,90). Os artigos foram selecionados e organizados por Felipe Moura Brasil, um jovem de vinte e poucos — bem poucos — anos, que também cuida de notas explicativas e referências bibliográficas que remetem o leitor tanto à vasta obra do próprio Olavo como à teia de autores e temas com os quais seus textos dialogam ou polemizam. Moura Brasil informa que a seleção obedeceu a seu gosto pessoal e à necessidade de partilhar a sua experiência de leitor e estudioso da obra de Olavo. Esse moço é a prova de que a inteligência e a autonomia intelectual sobrevivem mesmo aos piores tempos. E os piores tempos podem não ser aqueles em que o amor à liberdade é obrigado a resistir na clandestinidade — afinal, resta a esperança no fundo da caixa —, mas aqueles em que a divergência se torna, por si, uma violência inaceitável. Nesse caso, a própria esperança começa a correr riscos. O livro, o que não chega a ser uma surpresa, provocou um enorme silêncio — que é uma das formas do moderno exercício da violência. Os leitores, no entanto, estão fazendo a sua parte, e ele já figura em 10º lugar na lista dos “Mais Vendidos”, na categoria “Não-Ficção”, na VEJA desta semana.
“O Mínimo…” reúne, basicamente, artigos que Olavo publicou em jornais e revistas, inclusive nas revistas “República” e “BRAVO!”, das quais fui redator-chefe — e a releitura, agora, em livro, me remeteu àqueles tempos. Impactam ainda hoje e podiam ser verdadeiros alumbramentos há 10, 12, 13 anos, quando o autor, é forçoso admitir, via com mais aguda vista do que todos nós o que estava por vir. Olavo é dono de uma cultura enciclopédica — no que concerne à universalidade de referências —, mas não pensa por verbetes. E isso desperta a fúria das falanges do ódio e do óbvio. Consegue, como nenhum outro autor no Brasil — goste-se ou não dele —, emprestar dignidade filosófica à vida cotidiana, sem jamais baratear o pensamento. Isso não quer dizer que não transite — e as falanges não o fustigam menos por isto; ao contrário — com maestria no terreno da teoria e da história. É autor, por exemplo, da monumental — 32 volumes! — “História Essencial da Filosofia” (livros acompanhados de DVDs). Alguns filósofos de crachá e livro-ponto poderiam ter feito algo parecido — mas boa parte estava ocupada demais doutrinando criancinhas… Há o Olavo de “A Dialética Simbólica” ou de “A Filosofia e seu Inverso”, e há este outro, que é expressão daquele, mas que enfrenta os temas desta nossa vida besta, como disse o poeta, revelando o sentido de nossas escolhas e, muito especialmente, das escolhas que não fazemos.


O livro é dividido em 25 capítulos ou macrotemas: Juventude, Conhecimento, Vocação, Cultura, Pobreza, Fingimento. Democracia, Socialismo, Militância, Revolução, Intelligentzia, Inveja, Aborto, Ciência, Religião, Linguagem, Discussão, Petismo, Feminismo, Gayzismo, Criminalidade, Dominação, EUA, Libertação e Estudo. Cada um deles reúne um grupo de textos, e alguns se desdobram em subtemas, como a espetacular seleção de textos de “Revolução”, reunidos sob rubricas distintas, como, entre outras, Globalismo, Manipulação e Capitalistas X Revolucionários.
Vivemos tempos um tanto brutos, hostis ao pensamento. Vivemos a era em que o sentimento de “justiça” ou o de “igualdade” — com frequência, alheios ou mesmo refratários a qualquer noção de direito — reivindicam um estatuto moralmente superior a conceitos como verdade e realidade; estes seriam, por seu turno, meras construções subjetivas ou de classe, urdidas com o propósito de provocar a infelicidade geral. Olavo demole com precisão e brilho a avalanche de ideias prontas, tornadas influentes pelo “imbecil coletivo” e que vicejam muito especialmente na imprensa — fenômeno enormemente potencializado pelas redes sociais.
Em 2003, o jornal “O Globo” ainda publicava textos como “Orgulho do Fracasso”, de Olavo. E se podia ler (em azul):

Língua, religião e alta cultura são os únicos componentes de uma nação que podem sobreviver quando ela chega ao término da sua duração histórica. São os valores universais, que, por servirem a toda a humanidade e não somente ao povo em que se originaram, justificam que ele seja lembrado e admirado por outros povos. A economia e as instituições são apenas o suporte, local e temporário, de que a nação se utiliza para seguir vivendo enquanto gera os símbolos nos quais sua imagem permanecerá quando ela própria já não existir.
(…)
A experiência dos milênios, no entanto, pode ser obscurecida até tornar-se invisível e inconcebível. Basta que um povo de mentalidade estreita seja confirmado na sua ilusão materialista por uma filosofia mesquinha que tudo explique pelas causas econômicas. Acreditando que precisa resolver seus problemas materiais antes de cuidar do espírito, esse povo permanecerá espiritualmente rasteiro e nunca se tornará inteligente o bastante para acumular o capital cultural necessário à solução daqueles problemas. O pragmatismo grosso, a superficialidade da experiência religiosa, o desprezo pelo conhecimento, a redução das atividades do espírito ao mínimo necessário para a conquista do emprego (inclusive universitário), a subordinação da inteligência aos interesses partidários, tais são as causas estruturais e constantes do fracasso desse povo. Todas as demais explicações alegadas — a exploração estrangeira, a composição racial da população, o latifúndio, a índole autoritária ou rebelde dos brasileiros, os impostos ou a sonegação deles, a corrupção e mil e um erros que as oposições imputam aos governos presentes e estes aos governos passados — são apenas subterfúgios com que uma intelectualidade provinciana e acanalhada foge a um confronto com a sua própria parcela de culpa no estado de coisas e evita dizer a um povo pueril a verdade que o tornaria adulto: que a língua, a religião e a alta cultura vêm primeiro, a prosperidade depois.
(…)
Retomo

Grande Olavo de Carvalho! Dez anos depois, com o país nessa areia, como ignorar a força reveladora das palavras acima? Olhem à nossa volta. O que temos senão um governo incompetente, que fez refém ou tornou dependente (com Bolsa BNDES, Bolsa Juro, Bolsa Isenção Tributária) uma elite não muito iluminada, combatido, o que é pior, por uma oposição que não consegue encetar uma crítica que vá além do administrativismo sem imaginação, refratária ao debate, que foge do confronto de ideias como Lula foge dos livros e Dilma da sintaxe?
O país emburrece. Eu mesmo, mais de uma vez, em ambientes supostamente afeitos ao pensamento, à reflexão e à leitura, pude constatar o processo de satanização do contraditório. É mais difícil travar com intelectuais (ou, sei lá, com as classes supostamente ilustradas) um debate racional sobre a legalização do aborto do que com um homem ou uma mulher do povo, de instrução mediana. E não porque aqueles tenham os melhores argumentos. Ao contrário: têm os piores. Olham para a sua cara e dizem, com certo ar de trunfo, como se tivessem encontrado a verdade definitiva: “É uma questão dos direitos reprodutivos da mulher”. Digamos que fosse… Esses tais “direitos reprodutivos” teriam caído da árvore da vida, como caiu a maçã para Newton, ou são uma construção? Por que estaria acima do debate?
Mais um pouco das palavras irretocáveis de Olavo (em azul):

Na tipologia de Lukács, que distingue entre os personagens que sofrem porque sua consciência é mais ampla que a do meio em que vivem e os que não conseguem abarcar a complexidade do meio, a literatura brasileira criou um terceiro tipo: aquele cuja consciência não está nem acima nem abaixo da realidade, mas ao lado dela, num mundo à parte todo feito de ficções retóricas e afetação histriônica. Em qualquer outra sociedade conhecida, um tipo assim estaria condenado ao isolamento. Seria um excêntrico.
No Brasil, ao contrário, é o tipo dominante: o fingimento é geral, a fuga da realidade tornou-se instrumento de adaptação social. Mas adaptação, no caso, não significa eficiência, e sim acomodação e cumplicidade com o engano geral, produtor da geral ineficiência e do fracasso crônico, do qual em seguida se busca alívio em novas encenações, seja de revolta, seja de otimismo. Na medida em que se amolda à sociedade brasileira, a alma se afasta da realidade — e vice-versa. Ter a cabeça no mundo da lua, dar às coisas sistematicamente nomes falsos, viver num estado de permanente desconexão entre as percepções e o pensamento é o estado normal do brasileiro. O homem realista, sincero consigo próprio, direto e eficaz nas palavras e ações, é que se torna um tipo isolado, esquisito, alguém que se deve evitar a todo preço e a propósito do qual circulam cochichos à distância.
Meu amigo Andrei Pleshu, filósofo romeno, resumia: “No Brasil, ninguém tem a obrigação de ser normal.” Se fosse só isso, estaria bem. Esse é o Brasil tolerante, bonachão, que prefere o desleixo moral ao risco da severidade injusta. Mas há no fundo dele um Brasil temível, o Brasil do caos obrigatório, que rejeita a ordem, a clareza e a verdade como se fossem pecados capitais. O Brasil onde ser normal não é só desnecessário: é proibido. O Brasil onde você pode dizer que dois mais dois são cinco, sete ou nove e meio, mas, se diz que são quatro, sente nos olhares em torno o fogo do rancor ou o gelo do desprezo. Sobretudo se insiste que pode provar.
Sem ter em conta esses dados, ninguém entende uma só discussão pública no Brasil. Porque, quando um brasileiro reclama de alguma coisa, não é que ela o incomode de fato. Não é nem mesmo que exista. É apenas que ele gostaria de que existisse e fosse má, para pôr em evidência a bondade daquele que a condena. Tudo o que ele quer é dar uma impressão que, no fundo, tem pouco a ver com a coisa da qual fala. Tem a ver apenas com ele próprio, com sua necessidade de afeto, de aplauso, de aprovação. O assunto é mero pretexto para lançar, de maneira sutil e elegante, um apelo que em linguagem direta e franca o exporia ao ridículo.
Esse ardil psicológico funda-se em convenções provisórias, criadas de improviso pela mídia e pelo diz que diz, que apontam à execração do público umas tantas coisas das quais é bom falar mal. Pouco importa o que sejam. O que importa é que sua condenação forma um “topos”, um lugar-comum: um lugar no qual as pessoas se reúnem para sentir-se bem mediante discursos contra o mal. O sujeito não sabe, por exemplo, o que são transgênicos. Mas viu de relance, num jornal, que é coisa ruim. Melhor que coisa ruim: é coisa de má reputação. Falando contra ela, o cidadão sente-se igual a todo mundo, e rompe por instantes o isolamento que o humilha.
Essa solidariedade no fingimento é a base do convívio brasileiro, o pilar de geleia sobre o qual se constroem uma cultura e milhões de vidas. Em outros lugares as pessoas em geral discutem coisas que existem, e só as discutem porque perceberam que existem. Aqui as discussões partem de simples nomes e sinais, imediatamente associados a valores, ao ruim e ao bom, a despeito da completa ausência das coisas consideradas.
Não se lê, por exemplo, um só livro de história que não condene a “história oficial” — a história que celebra as grandezas da pátria e omite as misérias da luta de classes, do racismo, da opressão dos índios e da vil exploração machista. Em vão buscamos um exemplar da dita-cuja. Não há cursos, nem livros, nem institutos de história oficial. Por toda parte, nas obras escritas, nas escolas de crianças e nas academias de gente velha, só se fala da miséria da luta de classes, do racismo, de índios oprimidos e da vil exploração machista. Há quatro décadas a história militante que se opunha à história oficial já se tornou hegemônica e ocupou o espaço todo. Se há alguma história oficial, é ela própria.
Mas, sem uma história oficial para combater, ela perderia todo o encanto da rebeldia convencional, pondo à mostra os cabelos brancos que assinalam sua identidade de neo-oficialismo consagrado — balofo, repetitivo e caquético como qualquer academismo. Direi então que açoita um cavalo morto? Não é bem isso. Ela própria é um cavalo morto. Um cavalo morto que, para não admitir que está morto, escoiceia outro cavalo morto. Todo o “debate brasileiro” é uma troca de coices num cemitério de cavalos.
Encerro

Leia esse livro de Olavo de Carvalho. Ninguém, no Brasil, escreve com a sua força e a sua clareza. Tampouco parece fácil rivalizar com a sua cultura, fruto da dedicação, do trabalho no claustro, da aplicação, não da busca de brilharecos. Leia Olavo: contra o ódio, contra o óbvio, contra os idiotas e a favor de si mesmo.
Por Reinaldo Azevedo

O COMBATE DE JACOB GORENDER



Por EUGÊNIO BUCCI * 13 de junho de 2013 | 2h 07

Morreu nesta terça-feira, aos 90 anos, o militante comunista, historiador e intelectual Jacob Gorender. A voz aguda, contida, quase delicada, não denunciava a fortaleza moral e o texto destemido que marcaram seu caráter. Gorender não se dobrou a nada - não se dobrou ao dinheiro, não se dobrou à pobreza, não se dobrou às chantagens psicológicas dos camaradas patrulheiros, não se dobrou à força bruta. É desses que deixam por biografia uma linha reta e austera. Seguiu seu próprio pensamento, seu próprio juízo, e nos legou uma obra essencial.
No final da década de 80, quando fui editor da revista Teoria & Debate (uma publicação trimestral ligada ao diretório paulista do Partido dos Trabalhadores), tive a honra de me aproximar desse grande homem. A primeira lembrança que guardo dele é o espírito crítico. Naquele tempo, quando a ortodoxia fanática ainda ditava - por inacreditável que possa parecer - a postura da militância de esquerda, com uma descabida reverência em relação a nomes de criminosos como Joseph Stalin, Gorender ensinava a autonomia intelectual e a razão livre, atributos que carregava pelo menos desde os anos 50 e que lhe cobraram um preço demasiadamente alto.
Em 1990, ele concedeu a Alípio Freire e a Paulo de Tarso Venceslau uma entrevista que publicamos com destaque na Teoria & Debate. Num trecho particularmente saboroso de seu depoimento, Gorender contou um caso que ilustra muito bem a idolatria da mentalidade que vicejava em certos ambientes comunistas. Na década de 50, fora enviado pelo Partido Comunista à União Soviética (PCUS) para integrar um programa de estudos marxistas. Estava em Moscou quando a cúpula bolchevique começou a revelar os chamados "crimes de Stalin", que dariam o tom dos debates no 20.º Congresso do PCUS, em 1956. Em reação àquelas denúncias, facções de stalinistas começaram a negar sistematicamente as barbaridades pelos próprios dirigentes soviéticos.
Passemos a palavra a Jacob Gorender: "Durante o curso (que fazia em Moscou), realizou-se o 20.º Congresso do PC da União Soviética. O (Diógenes de)Arruda foi ao congresso como representante brasileiro, e a ele se juntaram (Maurício)Grabois e Jover Telles, participantes do curso em Moscou. Para nossa surpresa, o jornal Pravda começou a publicar artigos e discursos de vários dirigentes com críticas a Stalin. Depois, veio o famoso informe confidencial de Kruchev. Não o lemos porque não nos foi distribuído. Só circulava dentro do âmbito do próprio PCUS. Mas nós ouvimos conferências de professores que nos transmitiram seu conteúdo. O informe fez a primeira revelação oficial de parte dos crimes de Stalin. Esse congresso vai abalar o PCB. Em maio de 1956, o informe foi publicado na íntegra pelo The New York Times e pelos grandes jornais do mundo inteiro. Aqui no Brasil ele foi, a princípio, declarado falso pelos comunistas. Porém, Arruda, ao regressar da viagem, confirmou a autenticidade do documento".
Na ocasião, os militantes do PCB liam aqui, neste jornal, as notícias que desmascaravam as engrenagens genocidas da burocracia stalinista e achavam que tudo não passava de uma campanha difamatória engendrada pelo imperialismo. Não era possível, diziam. Aquilo só poderia ser uma falsificação, só poderia ser propaganda anticomunista. Ficaram chocados quando os delegados brasileiros ao 20.º Congresso começaram a voltar e confirmaram: o material que a imprensa burguesa publicava era apenas a verdade. Foram tempos traumáticos para os marxistas, um mundo de utopias desmoronava. Gorender teve, ainda, uma decepção extra. Em sua volta de Moscou, fez escala na Hungria, onde viu a invasão dos tanques soviéticos oprimindo a nação, que tentava se sublevar. Tornou-se ainda mais avesso aos burocratas, mas não arredou pé do sonho de igualitarismo, pelo qual também pagou muito caro.
Em 1967 foi expulso do PCB. Criou o PCBR. Em 1970 foi preso e condenado a cumprir pena de dois anos. Como tantos outros, foi torturado. Durante o encarceramento, conseguiu manter uma atividade profissional regular, que permaneceu em segredo até muito recentemente. De dentro de sua cela na prisão, atuou como consultor e tradutor das coleções Os Pensadores e Os Economistas, então publicadas pela Abril Cultural, cujo diretor era Pedro Paulo Poppovic. Dona Idealina, esposa de Gorender, servia de intermediária. Ela saía do presídio, após visitar o marido, carregando uma dessas sacolas que as donas de casa usavam para ir à feira, cheia de laudas. Eram textos traduzidos do alemão ou do francês que, depois, em páginas de livro, abasteceriam a cabeça e a imaginação dos leitores. Naturalmente, aquele trabalho, embora remunerado, não teve crédito, posto que era feito na clandestinidade, mas uma das edições de O Capital da Abril Cultural, esta com o selo da coleção Os Economistas, teve a (longa) introdução assinada por Jacob Gorender.
Quando frequentava a redação de Teoria & Debate, ainda se dizia comunista, sem a menor hesitação, mas não pactuava com qualquer forma de opressão do pensamento. Seguiu seu destino, em sua linha reta. Seu livro Combate nas Trevas, de 1987, que reconstitui a saga das organizações de esquerda se esfacelando e se reagrupando em siglas intermináveis durante os anos de repressão mais sangrenta, inscreve-se como um marco inaugural na tentativa, ainda inconclusa, de desvelar uma história sombria: a história das torturas e dos assassinatos praticados por agentes públicos contra cidadãos desarmados, imobilizados e indefesos.
Gorender encarou trevas espessas: as do stalinismo, as da ditadura militar e as do fanatismo, do mais comezinho ao mais totalizante. Deixa uma herança de luz. Foi generoso e acolhedor com aqueles que eram menores, muito menores do que ele. Foi uma prova de que a humanidade pode ser melhor do que é. Venceu seu combate, embora ainda haja trevas a combater.
* EUGÊNIO BUCCI É JORNALISTA, PROFESSOR DA ECA-USP, DA ESPM, E TAMBÉM, COMUNISTA. 





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JACOB GORENDER - A ESQUERDA REVELADA

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

MENGELES DO BRASIL, TUDO EM NOME DA "CIÊNCIA"....



"Por Maria Barão"

Josef Mengele (1911-1979), um dos mais terríveis nomes gravados no histórico das perversidades produzidas sob a égide da ciência, deixou herdeiros no Brasil. 

Longe de ser gêmeos idênticos, filhotes da ficção sobre a manipulação genética, mas seguidores da mesma visão antropocêntrica que confere ao homem subordinar todas as outras espécies de vida e habitantes do planeta aos seus caprichos e interesses, principalmente os de ordem econômica. Como se a ciência conferisse a seus seguidores a condição de semideuses, olímpicos e inquestionáveis.

Aos poucos, setores da imprensa e a própria sociedade diante da democratização do conhecimento passaram a revelar as imperfeições de Narciso. E ele se revoltou – não é tão belo quanto propala ser. 

O protesto, seguido de invasão do Instituto Royal, em São Roque, interior paulista, mostrou que a ciência narcísica ainda predomina em vários de seus setores e prefere promover discursos anacrônicos e obsoletos na tentativa de explicar-se diante dos questionamentos novos e emergentes.

Ao instituto coube tentar explicar que os cães e outras cobaias não sofriam com seus experimentos, apesar de boa parte da imprensa e dos manifestantes terem apresentado imagens absolutamente revoltantes quanto à condição de saúde e vida dos animais. Quando esse argumento foi derrubado, partiu-se então para os chavões do mundo científico, como o imenso prejuízo à pesquisa, a perda de anos de estudos e a legalidade dos procedimentos.

Informou também que seus clientes, usuários de seus serviços e consorciados, estavam protegidos por segredo contratual sobre que ocorria no interior do campo de concentração tropicalizado. Só não soube explicar o porquê não ter migrado para tecnologias muito mais avançadas como a dos softwares. Hoje, a própria comunidade científica de centros mais avançados combate o uso de animais em experimentos.

Financiamento agendado

À imprensa coube assegurar o direito da privacidade dos financiadores do terror e transformar os ativistas em terroristas. A mídia está se tornando pródiga nisso, pois de investigação existe pouco nas redações que estão cada vez mais semelhantes a repartições públicas burocratizadas e entupidas de preconceitos.

Sempre pelo caminho mais fácil, o jornalismo nonsense tratoue rapidamente de replicar as antigas estruturas – cientistas cultos e arautos da humanidade contra incultos e idiotizados. Sequer houve a sensibilidade mínima das chefias de reportagem para incluírem nas pautas informações que dessem parâmetros para se compreender os níveis de sofrimento físico e emocional dos animais resgatados.

Inclui-se nessa masmorra jornalística mais um fato. Os ativistas ligados aos direitos dos animais reclamaram muito sobre a abordagem das reportagens de alguns veículos de comunicação, particularmente da Rede Globo e suas afiliadas, e de seu portal G1. O material produzido teria sido, no mínimo, tendencioso e quando não displicente, pois os repórteres tiveram em mãos informações como o uso de primatas pela entidade e sequer buscaram se aprofundar no assunto. Embora isso não chegue a espantar, dado ao histórico deste complexo de comunicação em atuar como porta-voz de setores guarnecidos pelos poderes político e econômico. Além disso, havia a chancela da legalidade a favor dos pesquisadores.

A destruição reclamada pelos diretores e doutores geneticistas do Instituto Royal deverá ser recuperada em breve. Pois a entidade receberá até o final de 2014 um gordo financiamento do governo federal, via Finep, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. E ainda sensibilizou por demasiado a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que emitiu nota à imprensa destacando que “o Instituto Royal foi criado para promover o desenvolvimento e a pesquisa de tecnologias inovadoras”.

Mais adiante

Os senhores da verdade, da razão e da lógica cartesiana estão sendo forçados a deixar o pedestal muitas vezes edificado na arrogância, na presunção e em egos especularmente inflados para estabelecer novas frentes de diálogo. 

O discurso da ciência tem de sair do século 19 e ingressar nesta nova era, na qual os status quo estão sendo desmontados diariamente e reconstruídos sob a observação de milhões de cidadãos. 

Achincalhar a opinião pública, ignorá-la, será a partir de agora erro primário.

Apesar da ciência se postar como agnóstica, ainda se serve em muitos casos – mesmo que subliminarmente – dos dogmas judaico-cristão, como estabelecido pelo livro do Genesis, quando Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra”. Mas se esqueceu de que alguns versículos a frente surgiria a Arca de Noé.

*Júlio Ottoboni é jornalista, pós-graduado em jornalismo científico.


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DILMA DESAPROPRIA PRIMEIROS IMÓVEIS RURAIS EM 2013 PARA REFORMA AGRÁRIA




Decretos com desapropriação foram publicados no 'Diário Oficial da União'.
Governo havia anunciado que até dezembro serão cem desapropriações.
Do G1, em Brasília  25/10/2013 07h59  Atualizado em 25/10/2013 13h55
A presidente Dilma Rousseff assinou a desapropriação de oito imóveis rurais em seis estados para uso da reforma agrária. São as primeiras terras que Dilma desapropria para a reforma agrária em 2013, segundo o Incra. Os decretos com as desapropriações foram publicados no "Diário Oficial da União" desta sexta-feira (25).
As terras desapropriadas foram declaradas de interesse social. Das fazendas que constam nos decretos, uma fica no estado de Santa Catarina, uma em São Paulo, duas na Bahia, uma em Tocantins, duas em Sergipe e uma em Goiás.
De acordo com o Incra, o decreto de desapropriação não significa que a propriedade já esteja pronta para receber um assentamento. Ainda são necessárias outras etapas, como o Incra ajuizar na Justiça o pedido de posse.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, já havia anunciado que o governo emitiria 100 decretos de desapropriação até o fim do ano. “Até o dia 31 de dezembro, nós estamos assumindo um compromisso de colocar cem decretos de desapropriação para a reforma agrária no nosso país. Já nos próximos dias sairão os primeiros”, afirmou na ocasião.
Ao discursar no mesmo evento em que Pepe Vargas anunciou as cem demarcações até o fim do ano, Dilma justificou o ritmo da reforma agrária em seu governo. De acordo com a petista, não adianta dar terras sem oferecer condições de infraestrutura para os agricultores produzirem. "Não temos o direito de colocar famílias vivendo num lugar onde elas não têm o direito de tirar sua renda", enfatizou Dilma na semana passada.
De acordo com o Incra, em 2013 já foram recebidas 14 mil famílias em 40 novos assentamentos no Brasil. Até outubro de 2012, ainda segundo o Incra, haviam sido assentadas 5.250 famílias.
Veja as propriedades que foram alvo do decreto, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário:
Fazenda Eldorado (município de Morro do Chápeu/BA)
Área: 492 ha
Capacidade de famílias: 15
Potencial produtivo: biodiesel (mamona), feijão, melancia, mandioca, horticultura e caprinocultura.
Fazenda Panamá Salinas (município de Panamá/GO)
Área: 488 ha
Capacidade de famílias: 19
Potencial produtivo: pecuária leiteira, grãos para biodiesel, fruticultura e horticultura.
Fazenda Butiá (município de Rio Negrinho/SC)
Área: 700 ha
Capacidade de famílias: 40
Potencial produtivo: pecuária leiteira, criação de pequenos animais, fruticultura, olericultura e raízes tuberosas.
Fazenda Baixa do Cumbe (município de Poço Verde/SE)
Área: 204 ha
Capacidade de famílias: 10
Potencial produtivo: pecuária leiteira, feijão e milho.
Fazenda Serrote da porteira (município de Coronel Sá/SE)
Área: 393 ha
Capacidade de famílias: 14
Potencial produtivo: pecuária leiteira e de corte e feijão.
Fazenda Barroca Funda (município de Tobias Barreto/SE)
Área: 251 ha
Capacidade de famílias:12
Potencial produtivo: feijão e mandioca.
Fazenda Tropical (município de Paulistânia/SP)
Área: 436 ha
Capacidade de famílias: 37
Potencial produtivo: pecuária extensiva.
 
Fazenda Santa Tereza II (município de Silvianópolis/TO)
Área: 518 ha
Capacidade de famílias: 12
Potencial produtivo: pecuária leiteira, avicultura e suinocultura.

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