segunda-feira, 30 de março de 2015

"Meu filho agora é pai e eu o perdoo por tudo", diz mãe de brasileiro que se uniu ao Estado Islâmico


A brasileira Ozana Rodrigues conta que seu filho Brian de Mulder se casou com uma marroquina e acabou de ter uma criança na região controlada pelo grupo terrorista famoso por decapitar seus inimigos e queimar pessoas vivas

Ana Carolina Nunes
Brian de Mulde, o brasileiro nascido na Bélgica que se tornou um combatente do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, virou pai. Casado com uma marroquina, o jovem de apenas 21 anos que aparece em fotos empunhando um rifle AK-47 e em roupas camufladas, possivelmente na cidade síria de Raqqa, ganhou uma menina, há pouco mais de um mês. A bebê, batizada de Aisha, continua com Brian e sua mulher no território comandado pelos extremistas islâmicos que chocam o mundo com vídeos recorrentes de decapitações e assassinatos bárbaros.

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Antes de se juntar ao Estado Islâmico, o sonho de Brian
era ser jogador e atuar pela seleção brasileira de futebol

A pouco mais de 4 mil quilômetros da área controlada pelo EI, a fluminense Ozana Rodrigues passa as noites a sonhar com o dia em que irá reencontrar o filho e, agora, conhecer a neta. “Tudo que eu queria era ver minha netinha, tudo que eu peço pra Deus “, diz ela aos prantos, por telefone, de Antuérpia, na Bélgica, onde mora atualmente. Brian é filho de Ozana e do belga Stephen de Mulder, e fugiu de casa em direção à Síria há mais de dois anos. Durante todo este tempo, ligou apenas uma vez para a mãe. Disse que estava bem e trabalhando em uma escola. As últimas informações que teve do filho Ozana conseguiu com a família da mulher de Brian.
Natural da cidade de Silva Jardim, na região Norte do Estado do Rio, Ozana não está bem. Desde que o filho seguiu para o Oriente Médio, entrou em depressão, deixou de trabalhar e, por pouco, não perdeu a guarda da filha mais nova, de 14 anos. Intercalando momentos de calma, euforia e desespero, Ozana contou à ISTOÉ como têm sido os dias em busca de informações sobre Brian e a expectativa de reencontrá-lo um dia. “O meu filho é a coisa mais preciosa que eu tenho na vida, eu perdoo ele, independentemente do que ele tenha feito”, diz.
Istoé: A senhora tem tido notícias do seu filho? Sabe em que situação ele está?
Não sei dizer...mas eu falei com a família da esposa dele, uma marroquina, porque eu queria saber se eles tinham notícias dele e a família dele me contou que ele agora é pai. Ele tem uma filha, chama Aisha. Nasceu tem um mês.

Istoé: A senhora espera conhecê-la?
Sim, tudo que eu queria era ver minha netinha, tudo que eu peço pra Deus.

Istoé: Se o seu filho retornar a senhora acha que é possível ter uma vida normal aí na Bélgica?
Vida normal não vai ter mesmo, meu filho está sendo condenado que nem Jesus Cristo, está sendo apedrejado na cruz.

Istoé: E a senhora vai perdoá-lo mesmo que ele tenha matado alguém? 
O meu filho é a coisa mais preciosa que eu tenho na vida, eu perdôo ele sim, independentemente do que ele tenha feito. Por que eu sei que uma hora ele vai ter que matar alguém lá, mas não porque ele quer, vão fazer ele matar alguém lá. Ele não foi porque quis, levaram meu menino.


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 Ozana está na Bélgica desde 1991. Na Europa, conheceu o pai de Brian
 
Istoé: A senhora planeja sair da Bélgica?
Eu não vou sair daqui enquanto não tiver meu filho. E depois, se o Brasil permitir minha entrada no país com o meu filho, eu posso voltar. Senão, só se for quando estiver bem velhinha.

Istoé: A senhora acha cometeu algum erro com seu filho? O que teria feito diferente?
Eu não teria nunca vindo morar em Antuérpia. É uma cidade que é mais pra estrangeiro que para os próprios belgas, me arrependo muito de ter vindo morar aqui.

Istoé: Como foi a infância e a adolescência de Brian?
O Brian era uma criança muito levada, mas sempre maravilhosa. Levada, mas que você amava, sempre gostou de rir, sempre foi divertido, era querido por todo mundo. Sempre uma criança muito dada, lia a Bíblia, era muito católico. O Brian foi o filho mais perfeito que Deus poderia ter me dado. Nunca bebeu, nunca fumou. Sabe qual música meu filho gostava mais: Jesus Cristo, do Roberto Carlos. Ele era muito obediente e muito carinhoso. Apegado à mãe e à família. Ele conversava as coisas comigo. Por exemplo, me contou que perdeu a virgindade aos 17 anos, nunca teve vergonha, a relação era aberta e é bom acostumar seu filho a isso. Eu cuidava do meu filho como uma galinha que cuida dos pintinhos. Eu não vou deixar ninguém, nem Ala, nem Mohamed, tirar meu filho de mim de jeito nenhum.

Istoé: Quais eram os interesses do Brian quando vivia na Bélgica? 
Ele era um ótimo jogador de futebol, fazia aulas de dança, ótimo dançarino. Participava de um grupo de dança, dessas danças tipo Michael Jackson . Era estudioso, lia muito. Gostava muito de ler romance. Era carinhoso, gostava muito do amor e acreditava no amor. Quando esse povo entrou na nossa vida ele tinha uma namorada brasileira. Ele queria ser jogador de futebol, queria jogar no Barcelona e o maior sonho dele era jogar na Seleção Brasileira.

Istoé: Percebeu o momento em que ele passou a mudar? 
Sim, ele sempre falava sobre Ala, sobre Mohamed, dizia que eu iria para o inferno se eu não me convertesse. E eu falava “deixa disso menino, larga esse povo”. O Brian já não era mais aquele filho. Roubaram meu filho.

Istoé: E como aconteceu essa mudança dele? Quando a senhora se deu conta de que ele havia mudado?
Quando ele se converteu em fevereiro de 2011. Ele queria muito ser jogador futebol, quando ele tinha 17 anos, ele foi participar de uma seleção, mas eles queriam meninos mais velhos, de 19 anos, 21 anos. Então ele não foi selecionado. E ele ficou muito triste. Foi quando ele conheceu uns marroquinos, que jogavam futsal, eles levaram o Brian pra jogar futsal e ele foi se envolvendo com esse povo. Sumia, ficava até de madrugada na rua.

Istoé: E a senhora sabia aonde ele ia nessas madrugadas?
Não sei. Os terroristas o procuravam de madrugada. Ele sumia por dois ou três dias. Eu ia à polícia e a polícia ria da minha cara. A Bélgica tentou detonar comigo, como detonaram a vida do meu filho. Eu tinha meu apartamento. Quando ele começou a se envolver com esse povo eu fugi pra Limburgo (cerca de 80 km ao leste de Bruxelas). Fiquei escondida por um ano e seis meses até o fim de 2012, usando dinheiro da poupança. Os terroristas descobriram onde eu tinha ido e foram atrás. Chegaram de madrugada e levaram ele.

Istoé: Como acharam vocês?
Esse povo tem pacto com o demônio. Localizam todo mundo. Eles mandaram meu filho pra Síria como bucha de canhão. Eles entregaram meu filho para os terroristas, eles têm medo deles. O governo e a polícia da Bélgica sabiam que eu era mãe sozinha, eles me vigiavam. São 30 mil euros por cabeça que pagam.

Istoé: Quem paga e para quem?
Dizem que um sheik do Petróleo paga para os terroristas.

Istoé: Qual foi a última coisa que ele fez ou falou antes de ir partir, a senhora lembra?
Eu estava na cozinha, a gente tinha tido uma briga, uma discussão. Porque ele tinha recebido uma ligação e eu falei pra ele “pelo amor de deus, deixa essa gente” e então a gente começou a brigar. 
Era dia 22 de janeiro de 2012, eu estava fazendo jantar, ele estava tão lindo, ele era muito vaidoso, cheiroso, o cabelo dele era lindo...você abraçava ele e...(começa a chorar).

Istoé: Como tem sido seus dias após a partida de Brian?
Se o inferno realmente existe, eu estou nele. Eu perdi tudo. Meu filho, minha casa, meu emprego, tudo. Morei na rua. Tive que mandar minha filha mais nova morar com uns amigos. O governo quis mandar ela para um abrigo, mas eu não deixei. Falaram que eu era louca. Não tem um segundo, uma noite, um dia em que eu não pense no meu filho.

Istoé: Por que a senhora perdeu seu emprego?
Eu era vendedora em uma loja de móveis e com esse problema do Brian eu ia dormir tarde, às vezes às 4h da manhã, vigiando o Brian ou esperando ele chegar de madrugada. Então eu comecei a faltar ou chegar muito atrasada no trabalho e meu patrão me demitiu. Eu tentei suicídio ano passado. Fiquei internada cinco meses e meio. Cortei os pulsos. Me mandaram pra psiquiatria.

Istoé: E hoje a senhora tem algum acompanhamento médico ou psicológico?
Não.

Istoé: A senhora mora sozinha?
Moro com minha filha mais nova, de 14 anos. A outra filha, mais velha, de 26 anos, mora aqui perto. Eu já tenho uma netinha filha dela. 

Istoé: O pai de Brian tem participado ao seu lado? 
Ele tem acompanhado à distância. Ele também entrou em depressão e foi demitido do lugar que ele trabalhava, tipo um Detran daqui. Ele não pode nem ver e ouvir falar de mulçumano e marroquino, ele fica muito nervoso. Ele vai comigo no tribunal e briga muito. Então ele não se envolve muito, pois ele perde a cabeça. Ele também perdeu um filho. Eles se viam bastante, a cada 15 dias o Brian ficava sexta, sábado e domingo com ele, normal.

Istoé: De onde a senhora é no Brasil e como foi morar na Bélgica?
Eu sou de uma cidade pequena no Rio de Janeiro, Silva Jardim. Fui para Bélgica em 1991 visitar uns amigos que moravam lá. Fiquei dois meses. Foi quando eu conheci o pai do Brian, Stephen de Mulder. Voltei para o Brasil e continuamos nos correspondendo. Então retornei à Bélgica, casamos e eu engravidei do Brian.

Istoé: A senhora parece bastante religiosa, sua fé ficou abalada após tudo isso?
Olha, tem momentos em que eu questiono sim, ‘por que o meu filho?’, mas só o que eu tenho pra me ajudar é a minha fé e tenho certeza que Deus vai me ajudar. Mas a minha filha mais velha já disse que perdeu a fé.
  
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O Brasil tem guerrilha


ISTOÉ entra na base da Liga dos Camponeses Pobres, um grupo armado com 20 acampamentos em três Estados, que tem nove vezes mais combatentes que o PCdoB na Guerrilha do Araguaia e cujas ações resultaram na morte de 22 pessoas no ano passado

O barulho de dois tiros de revólver quebrou o silêncio da noite na pacata comunidade rural de Jacilândia, distante 38 quilômetros da cidade de Buritis, Estado de Rondônia. Passava pouco das 22 horas do dia 22 de fevereiro quando três homens encapuzados bloquearam a estrada de terra que liga o lugarejo ao município e friamente executaram à queima-roupa o agricultor Paulo Roberto Garcia. Aos 28 anos, ele tombou com os disparos de revólver calibre 38 na nuca. Dez horas depois do crime, o corpo de Garcia ainda permanecia no local, estirado nos braços de sua mãe, Maria Tereza de Jesus, à espera da polícia. Era o caçula de seus três filhos. Um mês depois do assassinato, o delegado da Polícia Civil de Rondônia que investiga o caso, Iramar Gonçalves, concluiu: "Ele foi assassinado pelos guerrilheiros da LCP."
A sigla a que o delegado se refere, com estranha naturalidade, quer dizer Liga dos Camponeses Pobres, uma organização radical de extrema esquerda que adotou a luta armada como estratégia para chegar ao poder no País através da "violência revolucionária". Paulo Roberto foi a mais recente vítima da LCP, que, sob a omissão das autoridades federais e o silêncio do resto do Brasil, se instalou há oito anos na região e, a cada hora, se mostra mais violenta. Apenas em 2007, as operações do grupo produziram 22 vítimas - 18 camponeses ou fazendeiros e quatro guerrilheiros. Amplamente conhecidos em Rondônia, os integrantes da LCP controlam hoje 500 mil hectares. Estão repartidos em 13 bases que se estendem de Jaru, no centro do Estado, às cercanias da capital Porto Velho, se alongando até a fronteira com a Bolívia, região onde eles acabaram de abrir uma estrada. O propósito dos guerrilheiros seria usá-la como rota de fuga, mas, enquanto não são incomodados nem pela Polícia Federal nem pelo Exército, a trilha clandestina está sendo chamada de transcocaineira - por ela, segundo a polícia local, passam drogas, contrabando e as armas da guerrilha.
ÁREA PROIBIDA
A nenhuma dessas colônias o poder público tem acesso. Sob o manto da "revolução agrária", a LCP empunha as bandeiras do combate à burguesia, ao imperialismo e ao latifúndio, enquanto seus militantes assaltam, torturam, matam e aterrorizam cidades e zonas rurais nessas profundezas do Brasil. Encapuzados, armados com metralhadoras, pistolas, granadas e fuzis AR-15, FAL e AK-47 de uso exclusivo das Forças Armadas, eles já somam quase nove vezes mais combatentes que os 60 militantes do PCdoB que se embrenharam na Floresta Amazônica no início dos anos 70 na lendária Guerrilha do Araguaia. "A Colômbia é aqui", diz o delegado Gonçalves, numa referência às Farc.
   
NO CORAÇÃO DA GUERRILHA Armado de AR-15, policial entra em território dominado pela LCP e uma barreira que proíbe o acesso ao centro de treinamento militar. "Não dá para observá-los, mas estamos sob sua mira", diz à reportagem de ISTOÉ um sargento da PM de Rondônia
A reportagem de ISTOÉ entrou nessa área proibida. No distrito de Jacinópolis, a 450 quilômetros de Porto Velho, bate o coração da guerrilha. Segundo o serviço secreto da Polícia Militar de Rondônia, é ali que está o campo de treinamento. "Nem com 50 homens armados eu tenho coragem de entrar na invasão deles", admite o delegado. Caminhar pelas hostis estradas enlameadas é como pisar em solo minado. A todo momento e com qualquer pessoa que se converse, o medo de uma emboscada é constante. Os militantes adotam as táticas de bloqueio de estradas e seqüestro das pessoas que trafegam pela área sem um salvo-conduto verbal liberado pela LCP. "É a forma de combater as forças inimigas", escreveram eles num dos panfletos que distribuíram na região. "Esses bandoleiros foram muito bem treinados pelos guerrilheiros das Farc", revela o major Enedy Dias de Araújo, ex-comandante da Polícia Militar de Jaru, cidade onde fica a sede da Liga.
Para se chegar à chamada "revolução agrária", dizem os documentos da LCP aos quais ISTOÉ teve acesso, a principal ação do grupo é pôr em prática a chamada "violência revolucionária". E, para os habitantes locais, essa tem sido uma violência fria e vingativa. No caso da sua mais recente vítima, o que a LCP fez foi uma execução sumária, após um julgamento interno suscitado pela desconfiança sobre o real propósito da presença de Paulo Roberto Garcia na região. "Eles acreditam que o rapaz era um agente infiltrado como agricultor e não tiveram dúvida em matálo", disse o delegado. Dos 22 mortos de 2007, quatro eram fazendeiros e 14 eram funcionários das fazendas, que a liga camponesa classifica como paramilitares. Na parte dos guerrilheiros, quatro foram enterrados - assassinados em circunstâncias distintas por jagunços das fazendas da região.
Além de matar, a LCP é acusada pela polícia de incendiar casas, queimar máquinas e equipamentos e devastar a Floresta Amazônica. Os moradores da comunidade onde vivia Garcia não sabem o que é luta de classe, partido revolucionário e muito menos socialismo. Mas eles sabem muito bem que, desde a chegada da LCP naquelas bandas, a morte matada está vencendo a morte morrida.
ALERTA NA SELVA
Só quem consegue transitar livremente no território da guerrilha são os caminhões dos madeireiros clandestinos, que pagam um pedágio de R$ 2 mil por dia à LCP para rodar nas estradas de terras controladas pela milícia. Em troca do pedágio, os guerrilheiros dão segurança armada aos madeireiros para que eles possam roubar árvores em propriedades privadas, áreas de conservação e terras indígenas. São terras que a LCP diz ter "tomado" - e o verbo tomar, no lugar de "invadir" ou "ocupar", como prefere o MST, não é mera semântica, mas uma revelação do caráter belicoso do grupo. "A falha é do Exército brasileiro, que deixa esses terroristas ocuparem nossa área de fronteira", acusa o major Josenildo Jacinto do Nascimento. Comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, Nascimento sente na pele o poder e a arrogância desse bando armado.
No ano passado, eles derrubaram uma base militar da Polícia Ambiental dentro de uma unidade de conservação e seqüestraram seus soldados. "A tática utilizada pela LCP para as emboscadas é certeira", admite um dos militares, mantido preso por sete horas. "Como são estradas de terras, no meio da floresta, eles derrubam árvores, que fecham o caminho. Quando as pessoas descem do carro para retirar a tora, são rendidas", diz E. S., militar da Polícia Ambiental, que recorre ao anonimato para se proteger. "Essa guerra é um câncer que está se espalhando pelo Estado", alerta Nascimento.
Assim como consta nos panfletos da Liga, os guerrilheiros postam homens em bases nos morros com binóculos e rojão para anunciar a "invasão" de sua área por "forças inimigas". Depois de sermos monitorados de perto por grupos de motoqueiros, durante os 38 quilômetros que levamos uma hora e meia para percorrer no território dominado pela LCP, ouvimos uma saraivada de rojões anunciando nossa presença. Estávamos próximos a uma base. O alerta serve também para que os homens armados se infiltrem na mata ocupando as barricadas montadas com grandes árvores nas cercanias dos acampamentos.
      
MORTE NO CAMPO
O agricultor Garcia (à dir.) foi morto com dois tiros na nuca. "Os guerrilheiros achavam que ele era um agente infiltrado na área da guerrilha", disse o delegado Iramar Gonçalves. Os líderes da LCP acusados de assassinato são Russo (à esq.) e Caco, foragido
"O fato é que não dá para observá-los, mas estamos sob sua mira", adverte o militar da Polícia Ambiental que nos acompanha. Na verdade, a PM Ambiental é a única força do Estado cuja presença ainda é tolerada pela guerrilha. A explicação é simples: com apenas oito agentes para cuidar de quase 900 mil hectares naquela região, eles não representam ameaça ao grupo. Antes, serão presas fáceis se assim os militantes o desejarem.
A BASE
Logo que o barulho dos rojões reverbera na imensidão da selva, as mulheres e crianças vestem seus capuzes e assumem a linha de frente. Quando se chega ao topo de um morro, depois de passar por uma barricada construída com o tronco de uma imensa árvore com a inscrição da Liga, avista-se uma bandeira vermelha tremular na franja de um acampamento de casas com cobertura de palha. Pouco tempo depois, outra barricada e chega-se a uma parada obrigatória. Do outro lado da porteira, transcorreu o seguinte diálogo com uma trupe maltrapilha, encapuzada e arredia.
- O que vocês vieram fazer aqui? - disse um nervoso interlocutor mascarado.
- Somos jornalistas e queremos saber o que vocês têm a dizer sobre a reforma agrária e a Liga dos Camponeses Pobres.
- Podem ir embora, não temos nada a dizer. Vocês só atrapalham.
- Quantas famílias estão nesta invasão?
- 300.
- Podemos falar com o líder de vocês?
- Aqui não existe líder, todos somos iguais. 
- Por que vocês ficam mascarados?
- A máscara é nossa identidade.
- Vocês acreditam que podem fazer uma revolução?
- Não temos que dar satisfações à imprensa burguesa.
- De quem vocês recebem apoio?
- Não interessa.
- Podemos entrar no acampamento?
De forma alguma. Vão embora daqui!

Com colete à prova de balas sob a camisa, saímos da porteira do acampamento por uma questão de segurança e voltamos a percorrer de carro, numa estrada precária, mais uma hora e meia até o primeiro ponto de pedágio da LCP. "No ano passado, fomos presos por eles, éramos oito militares e eles tinham mais de 50 homens armados com metralhadoras", conta o sargento da tropa. "Não tem jeito, para resolver o problema com esse bando só com uma ação conjunta do Exército, da Polícia Federal e das forças do Estado."
    
TERROR O fazendeiro Sebastião Conte (à esq.) teve a sede, os tratores e seu plano de manejo incendiados. Os guerrilheiros não pouparam nem mesmo o posto da Polícia Ambiental, que foi destruído. Nos acampamentos, eles colocam crianças na linha de frente e usam capuzes
Ao voltar da área dominada pela LCP, fica claro, nas reservadas conversas com alguns poucos moradores dispostos a contar algo, que o terror disseminado pela guerrilha se mede pelo silêncio dos camponeses. Os revoltosos controlam a vida das pessoas, além de investigar quem é quem na região. Quem não "colabora" com eles - fornecendo dinheiro, gado ou parte da produção - vira alvo de ataques covardes. Histórias de funcionários das fazendas da região que foram colocados nus sobre formigueiros ou que apanharam até abandonar o local estão muito presentes na memória dos moradores. As torturas praticadas pelos bandoleiros contra trabalhadores rurais dificultam até contratação de mão-de-obra na região. "Ninguém quer trabalhar mais na minha fazenda", admite Sebastião Conte, proprietário de 30 mil hectares de terra. Ele teve parte de sua terra "tomada" há dois anos pela LCP, a sede da fazenda foi queimada, assim como seus tratores, alojamentos e área do manejo florestal. O fazendeiro, acusado pela Liga de ser um latifundiário, é prova de que o terror da guerrilha é igual para todos. Segundo ele, nos últimos dois anos, teve que enterrar três de seus funcionários. "Todos eles assassinados barbaramente", diz Conte. "Estou pedindo socorro. Não sei mais a quem recorrer."
Longe de lá, na cidade de Cujubim, os trabalhadores rurais empregados das fazendas não dispensam o porte de armas. "Aqui ou você anda armado ou está morto", diz M.L. O capataz da fazenda e seu filho já perderam a conta de quantas vezes trocaram chumbo com os mascarados que tentam invadir a fazenda. Tratados como paramilitares, os funcionários das fazendas são, depois dos fazendeiros, os alvos prediletos dos ataques da Liga. Nelson Elbrio, gerente da Fazenda Mutum, teve o azar de cair nas mãos da "organização". Ele foi rendido exatamente como os militares da Polícia Ambiental e ficou preso sob a mira de uma arma por seis horas. "Assim que eu fiz a curva na estrada dei de cara com uns 15 homens encapuzados e fortemente armados. Eles me tiraram do carro e a partir daí vivi um inferno", conta Elbrio. "Eles queriam que eu revelasse os segredos da fazenda: quantas pessoas trabalhavam lá, depósito de combustível, se tinha seguranças armados." O sofrimento do funcionário se estendeu até o final da tarde, quando o grupo o arrastou até a sede da fazenda, dando tiros de escopeta próximo a seu ouvido. Em seguida, o obrigaram a assisti-los incendiando a propriedade e os tratores. "Nunca mais dormi bem", diz Elbrio.
Com a morte à espreita, o medo transformou distritos inteiros em zonas despovoadas - verdadeiras vilas fantasmas - e criou uma massa de gente refugiada de sua própria terra, expulsa pela guerrilha. Em Jacilândia, das 25 casas de madeira da única rua do distrito, só oito estão habitadas. Até a igreja fechou suas portas. "O povo foi embora com medo dos guerrilheiros", conta um dos moradores, um ancião que só admite a entrevista sob o anonimato. "Aqui não podemos falar nada. Para ficar de pé tem que se aprender a viver", diz o velho agricultor. O silêncio e o abandono das terras são a mais dura tradução desse novo modo de viver. Maria, a mãe do agricultor assassinado, não esperou a missa de sétimo dia do caçula. Deixou para trás os 100 hectares, onde tinha 100 cabeças de gado e a casa recém-construída. Partiu para um lugar ignorado, sob a proteção de outro filho.
O SILÊNCIO
Naquele pedaço de terra, os poucos que, apesar de tudo, permanecem na área não têm rostos ou nomes. Quando interrogados pela polícia na apuração dos crimes, eles se tornam também cegos e surdos. "Não existe testemunha de nada", reclama o delegado Gonçalves. A razão das infrutíferas apurações policiais é que os insurgentes presos são facilmente liberados pela Justiça. "Como eles usam a tática guerrilheira do uso de máscaras em suas ações, nós ficamos de mãos atadas para puni-los. Nunca se sabe quem de fato matou", queixa-se o delegado. As únicas lideranças da LCP a enfrentar a prisão por causa de assassinatos foram Wenderson Francisco dos Santos (Russo) e Edilberto Resende da Silva (Caco), que se encontra foragido. Os dois foram acusados de participar do assassinato do trabalhador rural Antônio Martins, em 2003. Russo foi absolvido em primeira instância e os promotores recorreram da decisão ao Tribunal de Justiça.

MEDO OU CAUTELA?
"Nem com 50 homens armados eu tenho coragem de entrar nas terras deles", diz o delegado Gonçalves

A ABIN SABE
Essa tensão é o pano de fundo de uma guerra psicológica que os ideólogos da organização avaliam como a ideal para que a área seja abandonada pelos fazendeiros. "A melhor forma de desocupar a área é destruindo o latifúndio", nos disse um dos mascarados, chamado de Luiz por um colega. Na lógica da LCP, os fazendeiros têm que tomar prejuízo sempre, senão eles não abandonam a terra. À frente de 300 famílias da invasão da Fazenda Catanio, uma propriedade de 25 mil hectares, o guerrilheiro Luiz defende o confisco do gado para matar a fome dos invasores e considera que a "tomada" de terra é a forma legal de fazer uma "revolução agrária". "Se esperarmos a Justiça, ficaremos anos plantados aqui", diz ele.

A audácia dos militantes da LCP é tanta que no ano passado mais de 200 deles marcharam encapuzados pelas ruas do município de Buritis, a 450 quilômetros de Porto Velho, até parar na porta da delegacia, onde exigiram a saída do delegado Gonçalves da comarca. Motivo: ele tinha prendido um dos líderes da facção guerrilheira. Não satisfeitos, os bandoleiros bateram às portas do Ministério Público e da Justiça exigindo que os titulares dos órgãos também se afastassem. O fato foi reportado ao Ministério da Justiça, ao presidente Lula e ao governo estadual. Até agora, não houve nenhuma resposta. "Ninguém leva a sério nossas denúncias. Eles pensam que estamos brincando, que a denúncia de guerrilha é um delírio", indigna-se o delegado Gonçalves. "Isso vai acabar numa tragédia de proporções alarmantes, e aí sim vão aparecer os defensores dos direitos humanos", critica ele. É exatamente nessa desconsideração das denúncias de promotores, juízes e militares que a Liga ganha força e cresce impunemente.
Tão trágica quanto o terror que esse grupo armado impõe às comunidades rurais é o fato de os governos estadual e federal saberem da existência desse bando armado - e não fazerem nada. Segundo o Dossiê LCP, um relatório confidencial da polícia de Rondônia, com 120 páginas, encaminhado em dezembro passado à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao Exército e ao Ministério da Reforma Agrária, o grupo armado, além de cometer todo tipo de barbaridade, é financiado por madeireiros ilegais. Conforme o documento, a LCP controla uma área estimada em 500 mil hectares, onde doutrina mais de quatro mil famílias de camponeses pobres espalhadas por mais de 20 assentamentos da reforma agrária distribuídos pelos Estados de Minas Gerais, Pará e Rondônia. "Eles estão na contramão do que é contemporâneo. Mas, de fato, formaram um 'Estado' paralelo", entende Oswaldo Firmo, juiz de direito da Vara especializada em Conflito Agrário do Estado de Minas Gerais.
FORÇA-TAREFA
Documentos em poder de ISTOÉ comprovam que as autoridades federais têm feito ouvidos de mercador para o problema. No dia 11 de janeiro de 2008, o ouvidor agrário do governo federal, desembargador Gercino José da Silva Filho, acusou o recebimento das denúncias encaminhadas a ele sobre as ilegalidades cometidas por integrantes da Liga dos Camponeses Pobres. Mais uma vez, nada foi feito. "Eles dizem que sabem de tudo, mas cadê a ação?", questiona o major Nascimento, comandante da Polícia Militar Ambiental de Rondônia. "Essa situação aqui só será resolvida em conjunto com outras forças militares", admite o major. Foi o que aconteceu no Estado do Pará, em novembro passado, na chamada Operação Paz no Campo, quando uma ação envolvendo o Exército, as polícias civil e militar e a Polícia Federal desocuparam um acampamento da LCP na Fazenda Fourkilha, no sul do Estado. Com dois helicópteros, 200 homens e 40 viaturas, a força-tarefa cercou o local, prendeu cerca de 150 militantes e recolheu um verdadeiro arsenal de guerra. "Precisamos da mão forte do Estado. Aqui somos tratados como cidadãos marginais", emenda o fazendeiro Sebastião Conte.

RICA

  
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domingo, 29 de março de 2015

JOAQUIM BARBOSA DETONA O PT E A DILMA



Publicado em 20 de mai de 2013

Declarações de Joaquim Barbosa provocam críticas no meio político
O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, fez as declarações durante uma palestra para estudantes numa faculdade de Brasília.

Declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, provocaram reações críticas, nesta segunda-feira (20), no meio político.
O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, fez as declarações durante uma palestra para estudantes numa faculdade de Brasília.

"Temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com partidos que nos representam no Congresso. Nem tampouco esses partidos e seus lideres tem interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder", disse o presidente do STF.

Joaquim Barbosa disse ainda que essa é uma das razões da ineficiência e incapacidade do Congresso, que na visão dele, é dominado pelo poder Executivo.

"O Congresso é inteiramente dominado pelo poder Executivo. As maiorias, as lideranças do Executivo que opera fazem com que a deliberação prioritária do Congresso Nacional seja sobre matérias do interesse do executivo" afirmou Joaquim Barbosa.

As declarações provocaram reações no Congresso. "Essas declarações não ajudam o país a ficar melhor e também não ajudam o fortalecimento das instituições", disse Jorge Viana (PT-AC).

O líder do PSDB no senado, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que as críticas não se destinam aos partidos de oposição. "Aqui no Congresso, quem se dobra à vontade do Executivo é a situação, não nós da oposição. Nós não nos dobramos", disse o senador.
O primeiro vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), disse que Joaquim Barbosa não tem apreço pela democracia e não está à altura do cargo.

Diante das primeiras reações no Congresso, a assessoria da presidência do Supremo divulgou nota, negando que Joaquim Barbosa tenha tido a intenção de criticar o Legislativo. Ressaltou que as declarações foram feitas em ambiente acadêmico, com o objetivo de estimular o senso crítico dos alunos.

Mesmo assim, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, se manifestou. Por meio da assessoria, ele disse que as declarações de Barbosa foram desrespeitosas e não contribuem para a harmonia entre os poderes.
  
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sábado, 28 de março de 2015

Bancos e empresas são alvo da Operação Zelotes

Os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pactual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi, além da gigante da alimentação BR Foods são investigados por suspeita de negociar ou pagar propina para apagar débitos com a Receita Federal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Na relação das empresas listadas na Operação Zelotes também constam Petrobrás, Camargo Corrêa e a Light, distribuidora de energia do Rio.
“Aqui no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) só os pequenos devedores pagam. Os grandes, não”, resumiu um ex-conselheiro do Carf, com cargo até 2013, numa conversa interceptada com autorização da Justiça, segundo relato dos investigadores. Procuradas pela reportagem, a maioria das empresas informou não ter conhecimento do assunto.
A fórmula para fazer o débito desaparecer era o pagamento de suborno a integrantes do órgão, espécie de “tribunal” da Receita, para que produzissem pareceres favoráveis aos contribuintes nos julgamentos de recursos dos débitos fiscais ou tomassem providências como pedir vistas de processos.
O grupo de comunicação RBS é suspeito de pagar R$ 15 milhões para obter redução de débito fiscal de cerca de R$ 150 milhões. No total, as investigações se concentram sobre débitos da RBS que somam R$ 672 milhões, segundo investigadores.
O grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegam a R$ 1,2 bilhão. O banco Safra, que tem dívidas em discussão de R$ 767 milhões, teria sido flagrado negociando o cancelamento dos débitos. Estão sob suspeita, ainda, processos envolvendo débitos do Bradesco e da Bradesco Seguros no valor de R$ 2,7 bilhões; do Santander (R$ 3,3 bilhões) e do Bank Boston (R$ 106 milhões).
A Petrobrás também está entre as empresas investigadas. Processos envolvendo dívidas tributárias de R$ 53 milhões são alvo do pente-fino, que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e as corregedorias da Receita Federal e do Ministério da Fazenda.
Os casos apurados na Zelotes foram relatados no Carf entre 2005 e 2015. A força-tarefa ainda está na fase de investigação dos fatos. A lista das empresas pode diminuir ou aumentar. Isso não significa uma condenação antecipada.
A Camargo Corrêa é suspeita de aderir ao esquema para cancelar ou reduzir débitos fiscais de R$ 668 milhões. Também estão sendo investigados débitos do Banco Pactual e da BR Foods.
Operação Zelotes
© Estadão Operação Zelotes

Desempate
O Carf, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, julga em última instância recursos de grandes contribuintes multados pela Receita. Como são seis conselheiros, três deles indicados pelos contribuintes, bastava cooptar um voto entre os três conselheiros nomeados pelo Ministério da Fazenda para que o resultado da votação terminasse, não raro, no placar de quatro votos a um. As propinas variavam de 1% a 10% do débito tributário.
Os investigadores suspeitam de tráfico de influência e fraudes para anular, principalmente, multas aplicadas pela Receita em processos envolvendo a amortização de ágio em fusões e aquisições. São casos em que as empresas podem abater do pagamento de impostos a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial da empresa, descontando prejuízos.
Alguns processos sob investigação envolvem amortização do ágio interno, caso em que a compra é de empresa de um mesmo conglomerado. Os investigadores estimam que a fraude pode chegar a R$ 19 bilhões, valor dos débitos fiscais de 70 processos analisados. Até o momento, foram comprovados que em nove deles houve desvio no valor de R$ 6 bilhões.
  
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Alemanha precisa atrair mais imigrantes, diz estudo

Nas próximas décadas, a Alemanha precisa atrair por ano mais de 530 mil pessoas a mais do que as que deixam o país, se quiser manter estáveis o volume de mão de obra e o sistema social do país até o ano de 2050, revelou um estudo divulgado nesta sexta-feira (27/03) pelo Instituto Bertelmann.
Ainda que todo o potencial doméstico seja totalmente utilizado e que a ocupação feminina e de pessoas mais velhas aumente, o país precisará receber 350 mil estrangeiros anualmente, calculam os pesquisadores.
Os números atuais estão aquém do necessário para o equilíbrio na economia alemã. No ano passado, a Alemanha registrou um aumento de 470 mil pessoas em sua população estrangeira. Nos últimos 60 anos, a média anual foi bem inferior: apenas 200 mil pessoas.
Sem imigrantes, diz o levantamento, o número de pessoas na idade economicamente ativa daqui a 35 anos vai despencar dos atuais 45 milhões para 29 milhões.

O estudo mostra ainda que metade da força de trabalho qualificada – formada por pessoas nascidas durante o "baby boom" dos anos 1950 e 1960 – vai se aposentar até 2030, deixando aberto um espaço que só poderá ser preenchido com mão de obra estrangeira.
Os autores do levantamento ressaltam ainda que será fundamental atrair mão de obra qualificada de países de fora da União Europeia, já que a população no bloco europeu também tende a cair.
Outro fator a ser considerado é a futura recuperação econômica dos Estados atualmente em crise, que também deverá desestimular a emigração. Ao todo, a população estrangeira de origem europeia na Alemanha aumentou em 300 mil em 2013, número que deve despencar para apenas 70 mil até 2050.
Em 2013, 140 mil pessoas de nacionalidade não europeia trocaram seus países pela Alemanha – muitos por motivos familiares, humanitários ou para estudos. Apenas 25 mil vieram por motivos profissionais, como mão de obra qualificada. Pesquisadores preveem que o governo alemão terá que atrair entre 276 e 491 mil cidadãos não europeus por ano até 2050.
MSB/epd/dpa
  
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