Sejam Bem Vindos! O que queremos ainda Não Sabemos.O Brasil é um país onde o povo é passivo. O crime compensa. A corrupção é a mãe de todos os crimes e a impunidade embala. A bandidagem seria bem menor sem os bandidos de toga e sua máfia no STF. Aqui você tem uma ideia... lê.Tem outra ideia... relê...E muda de ideia. Assim é a mágica cura do amor e da ciência. Aqui relembramos os fatos que não podem ser esquecidos e frisamos que os que mais podem e sabem são os que nada fazem.
O doleiro Alberto Youssef firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, informou uma fonte ao Estado de S. Paulo. Ele negociava esse acordo desde a manhã desta quarta-feira (24) e há pouco os termos desse trato foram fechados. As condições não foram reveladas.
Youssef é acusado pela Polícia Federal, dentro da Operação Lava Jato, de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras. Alvo de seis ações dentro dessa operação, o doleiro poderia receber uma pena de mais de cem anos de prisão. Com a delação premiada, espera reduzir o tempo de prisão.
O doleiro é mais um a decidir por colaborar com a Justiça e contar o que sabe em relação aos fatos apontados pela Lava Jato. O ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também aceitou fazer a delação premiada. Youssef já havia firmado um acordo semelhante no passado, no caso Banestado.
A Justiça Federal no Paraná condenou Youssef na quarta-feira da semana passada (17) a 4 anos e 4 meses de prisão Youssef pelo crime de corrupção ativa no âmbito do caso Banestado - escândalo de evasão de divisas nos anos 1990.
Uma das razões para Youssef ter feito a delação premiada foi reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que revelou a atuação do doleiro para beneficiar uma amiga íntima com cargo em gabinete de parlamentar com presentes caros. Segundo o blog do jornalista Gerson Camarotti, da Globo News, esse fato levou a família de Youssef a pressioná-lo a fazer a delação.
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A Polícia Federal tenta há sete meses um acordo para ouvir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha no inquérito que investiga supostos repasses ilegais da Portugal Telecom para o PT.
A investigação foi aberta a pedido do Ministério Público Federal com base em denúncia do operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza, que, em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em 2012, conforme revelou o Estado na época, acusou Lula de intermediar pagamento de R$ 7 milhões da telefônica ao partido. O objetivo seria pagar dívidas de campanha.
Fontes ouvidas pela reportagem informaram que o advogado do ex-presidente Lula, Marcio Thomaz Bastos, afirmou à cúpula da PF que o petista estará em Brasília amanhã e tentará marcar uma data para prestar esclarecimentos.
Ele participará de um evento da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Na Polícia Federal, a alegação, contudo, é que os acertos para que o depoimento ocorra, sempre informais, não foram adiante.
A PF espera ouvir o ex-presidente para concluir o inquérito, cujo prazo inicial foi estendido algumas vezes.
A reportagem tentou nesta terça-feira vários contatos com Thomaz Bastos, mas ele não respondeu aos recados deixados no celular e no seu escritório. A assessoria de imprensa do ex-presidente Lula informou que o petista “não vai se pronunciar sobre o assunto”.
A Polícia Federal informou que não se pronunciaria a respeito. O inquérito foi instaurado em abril de 2013.
Palocci
Em fevereiro, o ex-ministro Antonio Palocci prestou depoimento nesse mesmo inquérito na Superintendência da PF na capital federal.
Segundo Marcos Valério afirmou no depoimento, Lula e Palocci reuniram-se com Miguel Horta - então presidente da Portugal Telecom - no Palácio do Planalto e combinaram que uma fornecedora da Portugal Telecom em Macau, na China, transferiria R$ 7 milhões para o PT. O dinheiro, conforme Valério, entrou pelas contas de publicitários que prestaram serviços para campanhas petistas. Na época, Palocci era ministro da Fazenda de Lula. O ex-ministro negou as acusações.
As negociações com a Portugal Telecom estariam por trás da viagem feita em 2005 a Portugal por Valério, seu ex-advogado Rogério Tolentino, e o ex-secretário do PTB Emerson Palmieri.
De acordo com o presidente do PTB, Roberto Jefferson, que denunciou o esquema do mensalão, José Dirceu havia incumbido Marcos Valério de ir a Portugal para negociar a doação de recursos da Portugal Telecom para o PT e o PTB.
Condenação
Essa missão e os depoimentos de Jefferson e Palmieri foram usados para comprovar o envolvimento de José Dirceu no mensalão.
O depoimento de Marcos Valério foi prestado quando ele já havia sido condenado no julgamento do mensalão a 37 anos, 10 meses e 6 dias de prisão pelos crimes de corrupção, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
A Justiça considerou Valério o chefe do núcleo operacional do esquema que beneficiou o PT. A partir do depoimento, a Procuradoria da República determinou a abertura de seis investigações, ainda em andamento.
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João morreu ao ser atingido por pedra na cabeça (Foto: Reprodução/Facebook)
Homem de 27 anos morreu em Balneário Camboriú nesta quarta-feira. Delegado solicitará novas imagens da BR-101 antes do apedrejamento.
Rixa entre torcidas é a principal linha de investigação da Polícia Civil para o ataque contra um micro-ônibus que provocou a morte de João Grah, torcedor do Avaí, após ser atingido na cabeça. O veículo foi apedrejado na madrugada desta quarta-feira (24), na BR-101, em Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense, quando retornava de um jogo entre Avaí e Paraná, em Curitiba (PR). Segundo o delegado Osnei Valdir de Oliveira, coordenador da Divisão de Investigação Criminal (DIC), não há características de tentativa de roubo.
"Pelo vídeo que verificamos hoje [quarta], não há indícios de que o grupo que estava no viaduto pretendia praticar um roubo. Além disso, não aparece nas imagens outro veículo acompanhando o micro-ônibus depois das pedradas, o que seria comum em se tratando de roubo", explicou o delegado.
João Grah, de 27 anos, estava dentro do micro-ônibus, ao lado do condutor, e foi atingido na cabeça por uma das pedras. Ele morreu na madrugada desta quarta no hospital. "Foi tenso. Foi terrível. A gente estava fazendo uma viagem tranquila. O João tinha acabado de trocar de lugar com um outro rapaz para sentar no banco da frente, do lado do motorista. A gente se revezava por ser uma viagem longa e manter o motorista atento", comentou um rapaz de 22 anos, que pediu para preservar sua identidade.
As imagens mostram um carro parando no viaduto no km 136 da rodovia por volta de 0h30. Quatro pessoas saem do veículo e outras cinco aparecem correndo. Elas param na beirada do viaduto, encostados no parapeito, e esperam pela passagem do micro-ônibus. Em seguida, jogam as pedras e correm. Uma parte do grupo sai do viaduto e, a outra, vai para o lado oposto da pista para ver o veículo seguir viagem.
Micro-ônibus foi atingido no vidro dianteiro na
BR-101 (Foto: PRF/Divulgação)
Investigação
O coordenador da DIC informou que novas imagens foram solicitadas para a Autopista Litoral Sul. A polícia quer identificar o veículo e as pessoas envolvidas no ataque contra o micro-ônibus. Dois rapazes que estavam na excursão - e pediram para não ser identificados - disseram aoG1que não havia integrantes de torcida organizada no grupo que voltava para a capital catarinense.
"Eu conhecia alguns amigos e montamos um grupo. Depois, entramos numa comunidade em uma rede social para completar o número de pessoas para a excursão. A maioria ali era jovem, com idade por volta dos 20 anos", disse a testemunha de 22 anos.
Um outro, de 19 anos, contou que o filho de um dos torcedores acompanhava o grupo. "Famílias de bem estavam ali. O mais novo passageiro tinha 18 anos. A maioria não se conhecia, a gente só queria ver o jogo e voltar pra casa", afirmou o torcedor avaiano.
O ataque
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao menos três pedras, do tamanho de um sapato de número 42, atingiram o vidro dianteiro do micro-ônibus. João Grah estava ao lado do motorista no momento do ataque. O condutor do veículo não parou e seguiu até o posto da PRF emItapema, no Litoral Norte, a pedido dos próprios torcedores que temiam novos ataques. Duas ambulâncias de atendimento emergencial da Autopista foram acionadas.
O rapaz foi levado para o Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú. Conforme o Instituto Médico Legal (IML), João faleceu às 2h30. O corpo dele é velado na Câmara Municipal de Santo Amaro da Imperatriz e o enterro está marcado para a manhã de quinta-feira (25). A PRF afirmou que até a noite desta quarta, não havia identificado os suspeitos de terem jogado as pedras.
Testemunhas
Segundo um jovem de 22 anos, que preferiu não se identificar, o carro que aparece no vídeo, em cima do viaduto, já estava seguindo o veículo há alguns quilômetros. "Nós viajamos com todas as cortinas fechadas, a maioria estava dormindo. Eu abri a janela em um momento e vi aquele Corsa branco. Ele estava com as luzes apagadas e passou ao lado do ônibus, na pista rápida. Não deu pra ver quem estava dentro, mas todas os vidros estavam abaixados".
Um outro jovem, de 19 anos, confirmou a versão. "Eu estava no último banco do ônibus e o meu colega avisou do carro. Disse que estava andando devagar do lado há muito tempo. Eu cheguei a ir na janela e só vi o carro passando rápido. Já estavam indo em direção ao viaduto", relatou.
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O combate ao terrorismo foi o assunto principal dos outros discursos de chefes de Estado e de Governo. A Assembleia Geral se reuniu com uma longa agenda de temas na pauta, como a redução da pobreza e da fome, a proteção ao meio ambiente e o combate ao vírus do ebola.
Mas os conflitos internacionais dominaram os debates nesta quarta-feira (24), em especial o combate ao grupo terrorista Estado Islâmico no Iraque e agora na Síria. O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, abriu a sessão dizendo que o horizonte de esperança se escureceu no mundo.
"Pode parecer que o mundo está caindo aos pedaços, mas a liderança significa encontrar as sementes da esperança e cultivá-las”, afirmou Ban Ki-moon.
Em um discurso forte, o presidente americano Barack Obama, traçou a estratégia dele no combate ao extremismo, que chamou de câncer.
"A única língua que esses assassinos entendem é a linguagem da força”, afirmou Obama.
O presidente americano disse que chegou a hora de as comunidades muçulmanas rejeitarem de forma mais explícita as ideologias de grupos terroristas. E se dirigiu diretamente aos jovens exaltando a tradição de paz e respeito à vida do Islã. "Aqueles que tentam afastá-los desse caminho”, disse Obama, “estão traindo e não a defendendo essa tradição".
Barack Obama também fez duras críticas à Rússia, pelo que chamou de "agressão" contra a Ucrânia. À tarde, Barack Obama presidiu uma sessão do Conselho de Segurança. Os 15 integrantes aprovaram uma resolução para combater o fluxo de militantes que deixam seus países para lutar ao lado de terroristas.
O Conselho também condenou o assassinato de um turista francês por um grupo argelino ligado ao Estado Islâmico. Um vídeo da decapitação foi divulgado na quarta-feira. Nele, um dos militantes diz que a execução é uma resposta aos ataques da França contra o grupo Estado Islâmico.
O presidente François Hollande disse nas Nações Unidas que o assassinato reforça a determinação do país no combate ao terrorismo.
A aliança militar liderada pelos Estados Unidos voltou a atacar a Síria no início da noite desta quarta-feira (24). Jatos americanos, da Arábia Saudita, e dos Emirados Árabes bombardearam refinarias controladas pelos extremistas do Estado Islâmico no leste do país.
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Reprodução da ficha de Dilma Rousseff na época da ditadura
POR EVANDRO ÉBOLI E JAILTON DE CARVALHO / / /
19/11/2010 0:00 / ATUALIZADO 04/11/2011 16:55
BRASÍLIA - Liberados para consulta nesta quinta-feira pelo Superior Tribunal Militar (STM), os dezesseis volumes de documentos com páginas já amareladas e gastas que contam a história do processo movido pela ditadura militar contra a presidente eleita Dilma Rousseff descrevem a ex-militante como uma figura de expressão nos grupos em que atuou, que chefiou greves e "assessorou assaltos a bancos", e nunca se arrependeu.
Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Militar contra os integrantes do grupo de esquerda VAR-Palmares, Dilma é chamada de "Joana D'Arc da subversão". "É figura feminina de expressão tristemente notável", escreveu o procurador responsável pela denúncia.
O GLOBO teve acesso aos autos a partir de autorização do presidente do STM, ministro Carlos Alberto Marques. A decisão foi assinada no mesmo dia em que o plenário da Corte liberou o acesso dos autos ao jornal "Folha de S.Paulo", que antes da eleição tentara consultar o processo. Dilma apresentou nesta quinta-feira um pedido para também ter acesso aos autos. O presidente do STM determinou que seja dada prioridade à requisição da presidente eleita. Ela já havia pedido acesso aos autos durante a eleição, mas ele fora negado.
Em depoimento à Justiça Militar, em 21 de outubro de 1970, Dilma contou ao juiz da 1ª Auditoria da 2ª Circunscrição Judiciária Militar que foi seviciada quando esteve presa no Dops, em São Paulo. O auditor não perguntou quais tinham sido as sevícias. No interrogatório, Dilma explicou ao juiz por que aderiu à luta armada. O trecho do depoimento é este: "Que se declara marxista-leninista e, por isto mesmo, em função de uma análise da realidade brasileira, na qual constatou a existência de desequilíbrios regionais de renda, o que provoca a crescente miséria da maioria da população, ao lado da magnitude riqueza de uns poucos que detêm o poder e impedem, através da repressão policial, da qual hoje a interroganda é vítima, todas as lutas de libertação e emancipação do povo brasileiro. Dessa ditadura institucionalizada optou pelo caminho socialista".Sem participação ativa nas ações
Os arquivos trazem ainda cópia do depoimento que Dilma prestou em 1970 ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), delegacia em que ela ficou presa e foi torturada. No interrogatório realizado no dia 26 de fevereiro daquele ano, Dilma, sob intensa tortura, segundo o depoimento, listou nomes de companheiros, indicou locais de reuniões, e admitiu que uma das organizações da qual fazia parte, o Colina, fez pelo menos três assaltos a banco e um atentado a bomba. Mas ressalvou que nem ela nem o então marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, tiveram "participação ativa" nas ações.
No interrogatório no Dops, Dilma contou que o atentado a bomba foi praticado na casa do interventor do Sindicato dos Metalúrgicos em Minas Gerais, e que atingiu também a casa do delegado regional do Trabalho. As residências eram contíguas.
Em um trecho do depoimento, Dilma disse que uma de suas funções em organizações de combate à ditadura era organizar células de militantes. Teria sido encarregada de distribuir dinheiro aos grupos. O dinheiro teria sido arrecadado em ações dos movimentos.
Os documentos relatam que Dilma começou a ser "doutrinada para o credo ideológico marximalista" (sic) por Cláudio Galeno, em Belo Horizonte, quanto atuavam na Polop, em 1967. Anos depois, na VAR-Palmares, Dilma foi a São Paulo e assumiu atividade de colegas que estavam para cair (serem presos). Dilma foi professora de marxismo e em sua casa foram apreendidos materiais para falsificação, panfletos e livros considerados subversivos.
Antes de seguir para São Paulo, Dilma e o marido passaram pelo Rio, em 1969. Sem conseguir, de início, um aparelho para morar, viveram num hotel em Laranjeiras. A Polop, movimento em que atuavam, passou a se chamar Colina. Dilma traduziu livros para os companheiros e foi cobrir pontos e contatos. Foi usada certa vez como "araque", para atrair e despistar a atenção dos militares enquanto companheiros faziam reuniões.
Dilma era deslocada para outros pontos do país para fortalecer a atuação do Colina e arregimentar companheiros. Foi ao Rio Grande do Sul, onde a atuação de seu grupo era fraca e não havia militantes suficientes. Depois, foi cumprir o mesmo papel em Brasília e Goiânia.
Em junho de 1969, teria participado da reunião que tratou da fusão do Colina com a VPR, no Rio. Dilma contou que, em outro encontro, um companheiro falou da realização de uma "grande ação" que iria render bastante dinheiro para os cofres da organização. Essa ação, soube Dilma depois, tratava-se do assalto à residência de Ana Capriglione, ex-secretária do ex-governador Ademar de Barros.Elogio à "dotação intelectual"
Num relatório sobre guerrilheiros da VAR-Palmares, o delegado Newton Fernandes, da Polícia Civil de São Paulo, traça um perfil de 12 linhas sobre Dilma. Segundo ele, ela era "uma das molas mestras e um dos cérebros dos esquemas revolucionários postos em prática pelas esquerdas radicais". O delegado diz que a petista pertencia ao "Comando Geral da Colina" e era "coordenadora dos Setores Operário e Estudantil da VAR-Palmares de São Paulo, como também do Setor de Operações".
"É antiga militante de esquemas subversivo-terroristas", diz o delegado. No texto, elogia a capacidade intelectual da guerrilheira: "Trata-se de uma pessoa de dotação intelectual bastante apreciável". No documento, o delegado pede a prisão preventiva de Dilma e mais 69 acusados de atividades subversivas contra o governo.
Em maio de 2008, Dilma falou no Senado sobre o período em que foi torturada. Questionada pelo senador Agripino Maia, que relembrou uma entrevista em que ela dizia ter mentido na prisão, Dilma afirmou que foi "barbaramente torturada" e respondeu:
- Não é possível supor que se dialogue com pau de arara ou choque elétrico. Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira - disse Dilma, que emocionou a plateia que a ouvia na ocasião. - Eu tinha 19 anos. Fiquei três anos na cadeia. E fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para interrogador compromete a vida dos seus iguais. Entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido, senador. Porque mentir na tortura não é fácil. Na democracia se fala a verdade. Na tortura, quem tem coragem e dignidade fala mentira. E isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, de que tenho imenso orgulho. E completou: - Aguentar tortura é dificílimo. Todos nós somos muito frágeis, somos humanos, temos dor. A sedução, a tentação de falar o que ocorreu. A dor é insuportável, o senhor não imagina o quanto.
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No dia 12 de agosto a senadora Kátia Abreu postou em sua página oficial do Facebook a seguinte mensagem e foto:
A presidente Dilma Rousseff sempre manteve as portas abertas para todos os setores. Ela comprova que oferecer políticas adequadas, construídas a partir do diálogo, é fundamental para promover o crescimento do País. Por isso, o meu apoio incondicional para presidente do Brasil é para Dilma, a mulher que seguiu mudando o Brasil e agora também vai nos ajudar a transformar o nosso querido Tocantins.
Que papelão, dona Kátia! Portas abertas? Estamos falando da mesma pessoa, a presidente Dilma, aquela que é conhecida por sua arrogância e sua agressividade em reuniões? Aquela que se reúne com 30 grandes empresários e acha que isso é “escutar o mercado”? Aquela que usou o BNDES para a seleção dos “campeões nacionais” e acabou produzindo um fenômeno como Eike Batista, fazendo ainda com que os grandes empresários “investissem” em lobby em vez de produtividade?
Políticas adequadas por meio de diálogos? Só se for o “diálogo” dela com ela mesma em frente a um espelho! Que políticas adequadas foram essas, que trouxeram nossa economia à beira do abismo, com estagnação do crescimento e elevada inflação, além de setores importantes totalmente desorganizados e com rombos bilionários?
Seu apoio é “incondicional”, senadora? Quer dizer que não importa a quantidade de “malfeitos” que vêm à tona, os infindáveis escândalos, a aliança com o que há de mais nefasto na geopolítica, que Dilma poderá contar sempre com seu entusiasmado apoio?
Dilma, a mulher que mudou o país? De fato, mas para pior! Ou a senadora acha que as coisas vão bem por aqui? Quer defender o voto em Dilma para “continuar mudando”? Até chegarmos no modelo argentino ou venezuelano? É isso que o Brasil precisa?
Senadora, compreendo seu medo de Marina Silva, agora a provável candidata após a trágica e infeliz morte de Eduardo Campos. Compreendo, ainda, os limites da política partidária nesse país, e sua dificuldade em compor com o PSDB de Aécio Neves, caminho natural para alguém que sempre defendeu o que a senhora defendeu em seus discursos, artigos e mesmo prática política.
Mas não posso aceitar ou perdoar uma traição dessas! Saiba que muitos brasileiros de direita, defensores da propriedade privada, inclusive rural, que combateram sempre a ameaça socialista, os invasores do MST, as lideranças “indígenas” que colocam em risco muitas fazendas, tinham em sua pessoa uma esperança. Alguns chegavam a imaginá-la uma espécie de Thatcher tupiniquim.
Como defendê-la agora? Como explicar para essa gente toda suas palavras e ações? Como dizer que aquela Kátia Abreu, outrora uma firme combatente em nome do capitalismo e da economia de mercado, debandou-se para o lado de lá, apoiando com tanta paixão um partido golpista, do Foro de São Paulo, camarada da ditadura cubana, irmão dos invasores do MST?
Eu não consigo, confesso. Posso apenas lamentar profundamente sua guinada rumo ao que há de pior na política nacional. O Brasil continua em busca de uma estadista…
Amer Masarani (foto acima à direita) ajuda companheiros síros a aprender português. Sharazad Dakak, com os filhos, tenta aprender o idioma. Depois da aula, sírios oram em mesquita.Foto: Patricia Stavis
Eles estão longe do seu povo, da sua cultura, dos conflitos e das perseguições e tentam reconstruir suas vidas
HERCULANO BARRETO FILHO
Rio, São Paulo e Brasília - Com um lenço cobrindo a cabeça e um filho pequeno no colo, uma mulher rabisca no caderno as palavras escritas no quadro negro em português. A professora voluntária faz mímica e interpreta as palavras com caretas para ajudar cerca de 15 pessoas a entender expressões como ‘ficar sem trabalho’, ‘acordar cedo’, ‘pagar’ e ‘receber’. O vocabulário já faz parte do cotidiano de sírios no Brasil, que se consolida como a nova rota de refugiados na América Latina.
A cena ocorreu na quarta-feira à noite, no terceiro andar da mesquita da Liga da Juventude Islâmica do Brasil, no Pari, área central de São Paulo. Lá, refugiados sírios que chegam todas as semanas no país tentam aprender o idioma e nutrem a expectativa de uma vida melhor. Para eles, a realidade parece tão distante desse ideal quanto a paz na Síria.
Com 1.378 refugiados reconhecidos pelo governo federal, os sírios estão no topo do ranking em território brasileiro, à frente dos colombianos, com 1.236 casos. Quase a metade obteve essa condição neste ano, com 666 solicitantes — 71,8% dos 919 refugiados de 2014. Eles se concentram na capital paulista, com 403 novos casos, índice de 60,5%.
Mas o comerciante Amer Muhamad Masarani, à frente dos sírios que ajudam os refugiados, projeta uma população bem mais numerosa. E traça um cenário nebuloso, agravado pela dificuldade para conseguir moradia. Um caso emblemático ilustra bem o drama. No ano passado, estupradores amarraram um sírio que dormia na rua e atacaram a sua mulher.
Ciente do problema, Masrani e outros cinco comerciantes sírios contribuem com R$ 300 por mês para bancar três apartamentos, que abrigam 24 pessoas. Nesta semana, o grupo inaugurou uma associação sem fins lucrativos para ajudar os refugiados. “Fizemos isso porque o Brasil não está preparado. É um país grande, com muitas riquezas. Mas o governo é desorganizado”, critica.
Segundo ele, os sírios recebem moradia e 900 euros por mês — o equivalente a R$ 2,6 mil pela cotação da moeda na sexta-feira — nos países europeus. “Chegam ao Brasil imaginando que encontrarão o mesmo tipo de tratamento”, observa.
Masarani começou a receber os conterrâneos no começo dos conflitos, há três anos. Em agosto de 2011, recebeu duas irmãs e a mãe no país onde mora há 17 anos. No mês seguinte, 70 sírios chegaram com a roupa do corpo. Mas o movimento migratório para o Brasil só se intensificou a partir de setembro de 2013, com a liberação de visto humanitário aos sírios.
O problema é que eles ainda estão recebendo visto de turista. De lá para cá, cerca de 200 sírios chegam todo mês no país. Um terço deles é ajudado por Masarani, que tem 315 nomes cadastrados após traduzir as informações dos solicitantes de refúgio e encaminhar a documentação à Polícia Federal. Apenas o primeiro passo para pessoas que precisam aprender expressões em português como ‘ficar sem trabalho’, ‘acordar cedo’, ‘pagar’ e ‘receber’.
FAMÍLIA SEPARADA PELO CONFLITO
Dominique (nome fictício), 23 anos, tinha uma vida tranquila. Recepcionista em um hotel, morava com os pais e os irmãos em uma casa com quatro quartos e piscina em Damasco, capital da Síria. Uma realidade desfigurada pela guerra civil, que derrubou prédios, devastou famílias e impôs até toque de recolher. Depois de servir ao exército sírio por um ano, o irmão mais novo dele entrou em contato com a família, pedindo que todos deixassem o país. Ele planejava desertar das forças armadas e temia que a sua família fosse morta em represália à fuga.
Quando procurou as autoridades para tirar o passaporte, Dominique foi preso e torturado por três meses. “Eles viram que eu não tinha servido ao exército. Colocaram um pano na minha cabeça e me levaram para uma prisão isolada”, lembra.
Em meio a idosos e até crianças na carceragem, foi eletrocutado, queimado, espancado e interrogado, sob o pretexto de que poderia integrar a oposição. Era alimentado com sopa e pão. Só podia beber a água do banheiro. E passava frio com temperaturas de 6 graus à noite: “Eu voltei dos mortos. Na cadeia, só há gritos e desespero”.
Ele só escapou da cadeia porque o pai dele pagou pela sua vida, subornando pessoas ligadas ao governo. Depois de se recuperar dos ferimentos em um hospital no Líbano e de ter a casa e o carro destruídos, Dominique diz ter se tornado um especialista em buscar passaporte nas embaixadas.
Há dez meses no país, ele se queixa do abandono do governo. No Rio, sonha em voltar a morar com os pais, que estão em Brasília, e está à espera de dias melhores. “Não tenho dinheiro e não tenho emprego. Mas agradeço a Deus por estar vivo”.
EM BUSCA DE MORADIA E TRABALHO
Criticada pela comunidade síria, a concessão do visto de turista, válido por 90 dias, é avaliada pelo governo federal como alternativa para conceder a condição de refugiados aos imigrantes. “Essa disposição do governo brasileiro foi elogiada internacionalmente e passou a ser indicada como exemplo por outros países”, argumenta o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.
O secretário elogia o engajamento da comunidade síria. “Houve menos impacto do que esperávamos na nossa rede de serviço. O apoio da comunidade síria foi fundamental para o êxito”. Entretanto, o comerciante Amer Muhamad Masarani, um dos representantes da comunidade síria, tem outra leitura: “Nós ajudamos porque não temos ajuda do governo.”
O mexicano Andréz Ramirez, representante do Acnur no Brasil, aponta a moradia, o desemprego e a dificuldade em aprender o idioma como os principais problemas para a adaptação dos sírios. “Aqueles que não falam a língua portuguesa têm mais dificuldade para se inserir no mercado de trabalho. Refugiados que falam idiomas de origem latina têm mais facilidade. Mas os sírios só falam árabe.”
ESTRANGEIROS VEEM PAÍS COMO EMERGENTE
A restrição de políticas migratórias na Europa e Estados Unidos obrigou estrangeiros em busca de refúgios a buscar alternativas para recomeçar. Em meio a esse contexto, o Brasil virou uma alternativa, em decorrência da estabilidade econômica.
Aurélio Rios, dos Direitos do Cidadão: estabilidade do país é atrativo
Foto: João Laet / Agência O Dia
A análise foi feita por integrantes de um colegiado que criou um projeto de lei para buscar soluções ao crescimento da procura de solicitantes de refúgio no país. Apresentada há uma semana pelo Ministério da Justiça após discussão com membros do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, a proposição pretende agilizar a análise dos casos e oferecer melhores condições aos refugiados.
“Em razão da estabilidade econômica e da imagem do país, o Brasil passou a ser visto como um destino possível. Mas temos que permitir que ele trabalhe, tenha acesso à saúde e que seus filhos possam estudar em escolas públicas. Ele não pode sofrer discriminação por ser refugiado”, argumenta Aurélio Rios, procurador federal dos Direitos do Cidadão.
A ideia é que o projeto substitua o Estatuto do Estrangeiro, de 1980, que traz resquícios do regime militar, com princípios de segurança nacional. “Há tendência de protagonismo internacional do Brasil em relação aos direitos humanos e à política internacional”, afirma o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.
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O Congresso argentino aprovou, nesta madrugada, a reforma da Lei de Abastecimento, rejeitada fortemente pela oposição e pelo setor produtivo por considerar que aumenta o controle do Estado sobre a atividade empresarial. O projeto de lei, que já havia passado pelo Senado, foi aprovado pela Câmara dos Deputados, por 130 a favor e 105 contra.
A lei permite a fixação de limites de preços e de lucro de empresas, além do controle de cotas de produção, que ficará a cargo da Secretaria de Comércio do Ministério da Economia. O projeto ainda compreende a aplicação de multas, fechamento de empresas por até 90 dias e suspensão de registro por até cinco anos. A medida, portanto, aumenta ainda mais o poder de intervenção da presidente Cristina Kirchner na frágil economia argentina.
A deputada Diana Conti, da coalizão governista Frente para a Vitória, disse durante a maratona de debates que a nova lei “ajudaria a garantir que o Executivo tenha os instrumentos necessários para proteger consumidores”. Defensores dizem que a medida também buscará conter as demissões em tempos de crise.
Proteger consumidores? Uma piada de mau gosto. A melhor proteção que existe para consumidores está no funcionamento do livre mercado, com ampla concorrência do lado dos produtores e empregadores. Delegar tanto poder ao estado jamais protegeu consumidores ou quem quer que seja, à exceção dos próprios governantes e burocratas.
Aquilo que já era ruim ficou ainda pior. O grau de intervenção estatal na economia aumentará ainda mais agora, com essa prerrogativa esdrúxula. Se capitalismo é, na essência, os meios de produção em mãos privadas, e o socialismo é o controle estatal deles, então a Argentina já está sob um regime socialista na prática.
Manter a propriedade privada de jure serve apenas para preservar as aparências. Quando quem controla as decisões mais relevantes de uma empresa, como preço e produção, é o governo, então a propriedade de facto está nas mãos estatais, foi abolida.
Paradoxalmente para aqueles que ignoram que o nazismo foi mais afeito ao modelo socialista do que ao capitalismo liberal, esse era exatamente o método adotado pelos seguidores de Hitler. O Führer apontava dirigentes dentro das empresas, determinava o que produziriam e por quanto ou para quem venderiam. Por que socializar os meios de produção, se ele havia socializado os homens?
A Argentina caminha rapidamente rumo ao desastre socialista, como a Venezuela. Não custa lembrar que teve vários entusiastas por aqui, em nossa esquerda. Fico perplexo ao pensar que empresário ainda permanece lá, mantendo alguma chama de esperança de que poderá reverter tal curso. Dizem que a esperança é mesmo a última que morre. Sem dúvida ela morre depois do bom senso e do realismo…
Rodrigo Constantino
Osvaldo Aires Bade Comentários Bem Roubados na "Socialização" - Estou entre os 80 milhões Me Adicione no Facebook
A presidente Dilma Rousseff discursa em Nova York, nos Estados Unidos (Mike Segar/Reuters)
(Atualizado às 19h54)
Em Nova York, presidente cita Iraque, Líbia e Faixa de Gaza para defender que ofensivas não trazem resultado esperado
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que “lamenta enormemente” os ataques da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra os terroristas do Estado Islâmico na Síria. Em entrevista coletiva concedida em Nova York, depois da Cúpula do Clima da ONU, um jornalista fez a seguinte pergunta para a presidente: "Os EUA começaram os ataques aéreos na Síria, qual a posição do governo?" A resposta foi esta: “Eu lamento enormemente isso. O Brasil sempre vai acreditar que a melhor forma é o diálogo, é o acordo e a intermediação da ONU. Eu não acho que nós podemos deixar de considerar uma questão – nos últimos tempos, todos os grandes conflitos que se armaram tiveram uma consequência: perda de vidas humanas dos dois lados. Agressões sem sustentação, aparentemente, podem dar ganhos imediatos, mas depois causam enormes prejuízos e turbulências. É o caso, por exemplo, do Iraque. Tá lá, provadinho, no caso do Iraque. Na Líbia, a consequência da Líbia no Sahel. Eu acredito a mesma coisa a Faixa de Gaza. Nós repudiamos sempre o morticínio e a agressão dos dois lados e não acreditamos que seja eficaz. Além disso, não acreditamos que seja eficaz. O Brasil é contra todas as agressões. Acha, inclusive, que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem de ter maior representatividade para impedir essa paralisia do Conselho diante do aumento dos conflitos em todas as regiões do mundo”, disse, segundo reprodução da entrevista divulgada pelo Palácio do Planalto.
Os EUA, que já realizam bombardeios contra o EI no Iraque, iniciaram na noite desta segunda-feira ataques aéreos contra o grupo em território sírio. A declaração de Dilma é mais um round nas abaladas relações com os Estados Unidos, e também atinge Israel, que foi alvo de críticas recentes do governo durante a ofensiva contra o Hamas em Gaza. Mas, em se tratando de bombardeios contra um dos grupos terroristas mais selvagens em atividade, resta pouco espaço para o diálogo defendido pela presidente.