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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

ORIGEM DA PALAVRA BARALHO!


Mais uma noite, mais um pouco de dinheiro para o impertérrito (significado: destemido, impávido, sem medo  -  adjetivos que sentam bem com nosso personagem. Pelo menos ele acha.) detetive das palavras, que ganha a vida explicando-lhes as origens.

E antes que possamos descrever o escritório poeirento e anacrônico em que ele se encontra, batem à porta.

Ele manda entrar e por ali entra o grupo que tinha marcado hora para esta noite: baralho e companhia.

Depois que as palavras se acomodaram, o valoroso profissional lhes lança um olhar  penetrante e escolhe uma delas para começar o seu trabalho:
- Boa noite, baralho. Você é o nome do conjunto de cartas de jogar, de modo que vou começar contando que há controvérsias sobre a sua origem; aceita-se que venha debaralhar, “misturar, desarrumar, tirar de ordem”, que viria do Provençal varalia, “entrelaçamento, mistura de ramos”, do Latim vara, “ramo fino, vara”.

A palavra fez cara de importante.

- Já que falamos em cartas, há que explicar que esta palavra veio do Latim charta, “folha para escrita, tablete”, do Grego khartes, “folha de papiro”, provavelmente de origem egípcia. Aplicou-se aos retângulos usados para jogar devido ao material de que eram feitos.



Prosseguiu o detetive:

- Encontra-se ao seu lado naipe, que também tem origem meio perdida nos tempos, mas que se liga ao Catalão naib, quando era usado para designar um jogo de cartas. Eu sei o que você vai dizer: que se pensa que sua origem seja o Árabe, mas parece que, apesar dos pensamentos em contrário, os jogos de cartas apareceram primeiro na Europa. O pessoal do Oriente as usava, mas basicamente para fazer adivinhações.

E, ao falar em naipe, ocorrem-nos os grupos que compõem um baralho. Ali, reluzindo, vemos ouros. Os jogos de cartas apresentavam um simbolismo com as forças sociais; no caso, este naipe se refere ao comerciantes e à burguesia em geral.

E seu nome vem do Latim aurum, “ouro”.
Houve uma arrastar de pés inquietos no grupo.
- Calma, eu sei o que vocês pensam: o que é que um losango vermelho tem a ver com ouro? Em baralhos espanhóis, por exemplo, usa-se mesmo uma moeda de ouro para este símbolo. Mas nos países de idioma português, inglês e francês,  usa-se mais a simbologia das cartas francesas, onde foi escolhido este sinal.

Para lhes dar um exemplo, em alemão os naipes são Herz, “coração”, Eichel,
“bolotas”, Laub, “folhas” e Schellen, “sinos”.

Outro naipe é copas, do Latim cubba, “taça, vasilha”. Representava o clero.
Ali se encontra, olhando-nos com sua extremidade aguçada, espadas, que vem do Gregospathé, “peça achatada de madeira usada pelos tecelões, pá do remo”. Já se vê que seu nome era inicialmente ligado a ferramentas mais construtivas. Mas acabou designando a nobreza, antigamente ligada aos aspectos bélicos de um país.

Falta-nos agora ver paus, do Latim palus, “poste, moirão, pedaço de madeira”, e que representava os camponeses.

Aqui na frente, fazendo-nos caretas sem parar, se encontra curinga. Aparentemente sua origem é o Quimbundo kuringa, “matar”. Isso porque ela pode ter a função de sobrepujar o valor de outras cartas, conforme o jogo.

Curinga, já de si com uma personalidade chocarreira, fez uma careta ameaçadora para as demais.

- As cartas podem ter um número ou uma letra; estas são as cartas com figura.
Aqui à minha frente está o valete, do Francês valet, “jovem que serve a um senhor”, do Latim vassus, “servo, servidor”.

Está certo, está certo, já notei a agitação de vocês. A letra “J” que aparece na carta é uma consequência do Inglês jack. E este é um nome comum, meio tipo “fulano” ou “Zé” (desculpem-me os Josés!) que se usa no idioma inglês desde pelo menos o século XV. Deriva do Holandês Jankin, um diminutivo de “João”.

A próxima carta em valor é a rainha, do Latim regina, “rainha”. Sua letra é o “Q” de queen, do Inglês antigo cwen, que tanto podia ser usado para “mulher” e para “rainha”.

A palavra empinou um nariz aristocrático e se abanou com um leque de seda.
- Segue-se o rei. Tal palavra vem do Latim rex, “rei”, derivada do Indo-Europeu reg-, “mover-se em linha reta”, daí “dirigir, guiar, comandar”. A letra que porta é o “K” de king, do Inglês antigo ciny, “rei, chefe”.

Antes de terminarmos, devo lembrar que um conjunto de cartas pode se chamar também demaço, que veio do Latim matea, de mateola, “pedaço de pau, cabo de instrumento”. Imagino que a semelhança seja pelo aspecto agrupado e aparentemente sólido que um maço de cartas apresenta.

O maço vem dentro de uma caixa, palavra esta que veio do Italiano cassa, do Latim capsa, que era o nome dado às caixas cilíndricas onde os cidadãos de Roma guardavam os seus livros.  Sim, refiro-me aos livros enrolados da época.

Para não esquecermos o que se costuma fazer com cartas, informo que a palavra jogo vem do Latim jocus, “pilhéria, gracejo, zombaria”. O que eles usavam para designar o que agora conhecemos como jogo era ludus, mas esta foi dominada pela outra.

Agora, caras clientes, resta-me desejar-lhes uma boa noite e dizer que se cuidem com as companhias em que vocês andam. Até mais ver.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

REMÉDIO CONTRA A CORRUPÇÃO



DESCOBERTAS DA MEDICINA! SUPOSITÓRIO ANTI-CORRUPÇÃO!
ESTE MEDICAMENTO PODERIA SER UTILIZADO NO BRASIL.
NÃO TEM CONTRA INDICAÇÕES.

Posologia: Aplicação no corrupto condenado em decúbito ventral, com a ponta do aplicador besuntado em vaselina. Afinal tem que se respeitar os direitos humanos. Na China é utilizado na nuca, mas fica meio sem graça.

Sem custo algum para o SUS (o povo), já que a família do condenado tem que pagar o "remédio" o médico, e o enterro.

 
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terça-feira, 15 de outubro de 2013

SEM AUTORIZAÇÃO, BANDA ENTRA EM LOBBY DE EDIFÍCIO E COMEÇA USAR PIANO PARA DAR UM BELO SHOW


O que você faria se visse um piano bonito na entrada de um edifício e soubesse tocar muito bem?

Aposto que muitos teriam uma louca vontade de tocar, porém, não teriam a coragem e nem permissão para chegar perto. Não é o que aconteceu com a banda Smallpools. Eles viram um grand piano, com um sistema automático, no lobby de um grande edifício, e resolveram aproveitar o momento para tocar seu sucesso e fazer um vídeo, sem a permissão de ninguém.
É claro que a polícia chegou rapidamente, mas não tiveram coragem de interromper o sensacional show.
Pra quem não sabe, a banda já é bem conhecida e a música “Dreaming” é deles. Também é trilha sonora do Fifa 14.
Mandaram bem no vídeo!

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

PROGRAMA "MAIS MÉDICOS" REVELA OS PRIMEIROS ABSURDOS DA SEMANA

#CASO 01 - RECEITA DE AZITROMICINA


MÉDICO MAIS MÉDICOS PASSA 24 COMPRIMIDOS DE AZITROMICINA!!!
BULA - Azitromicina - Posologia
A posologia de acordo com a infecção está descrita abaixo: 

Uso em Adultos 

Para o tratamento de doenças sexualmente transmissíveis causadas por Chlamydia trachomatis, Haemophilus ducreyi ou Neisseria gonorrhoeae suscetível, a Azitromicina deve ser administrada em dose oral única de 1000 mg. Para todas as outras indicações uma dose total de 1500 mg deve ser administrada em dose única diária de 500 mg durante 3 dias. Como alternativa a mesma dose total pode ser administrada durante 5 dias, em doses únicas diárias de 500 mg no primeiro dia e 250 mg do segundo ao quinto dia. 

#CASO 2 - RECEITA DE AMOXACILINA PARA CRIANÇA




Outro Flagrante do "MAIS Médicos"! AMOXACILINA 1 X AO DIA para criança!?
BULA - Amoxicilina - Posologia
Crianças
− até 3 anos: 125 mg/5 mL - 5 mL de 8 em 8 horas.
− 3 a 12 anos: 250 mg/5 mL - 5 mL de 8 em 8 horas.
AGITE A SUSPENSÃO ANTES DE USAR. 
A posologia deve ser aumentada, a critério médico, nos casos de infecções graves. Para crianças pesando 40 kg ou mais, deve ser administrada a posologia de adulto. A absorção de Amoxicilina não é afetada pela alimentação; portanto, a Amoxicilina pode ser administrada às refeições.






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DEP. RONALDO CAIADO CRITICA O PROGRAMA MAIS MÉDICOS PARA O MINISTRO ALEXANDRE PADILHA



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Em 2012 eu já tinha postado sobre.


1º - TERCEIRIZAÇÃO VERMELHA: EM 2013 CHEGAM AO BRASIL 1.500 MÉDICOS CUBANOS CONTRATADOS (aqui)


2º - CONTRATAÇÃO DOS MÉDICOS CUBANOS: O QUE HÁ POR TRÁS DISSO? (aqui)

sábado, 12 de outubro de 2013

PROTESTOS NO RIO: OAB QUER QUE POLÍCIA UTILIZE CACETES ACOLCHOADOS PARA NÃO FERIR MANIFESTANTES


  Manifestantes querem um mundo melhor - essa postagem é uma sátira (fonte aqui)




O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous, afirmou que a violência policial no Rio de Janeiro ultrapassou “todos os limites”.

“O uso da força está sendo praticado de forma desmedida e desproporcional e os nossos professores, que já são tão sofridos, não merecem apanhar em praça pública só porque reivindicam melhores condições de trabalho”, disse Damous.”
Nossa equipe procurou o representante da OAB para perguntar se, por acaso, ele não viu violência de manifestantes contra policiais.
Não obtivemos resposta, mas podemos imaginar que seria, mais ou menos, a seguinte: “Os policiais fazem parte do aparelho repressor do estado, que visa manter o atual estado de coisas, sendo, portanto, a violência por ela praticada um ato das classes dominantes contra o povo que quer transformações sociais e um mundo melhor”.
A Ordem, na manhã de hoje, divulgou nota na qual “exige” que os policias utilizem cacetes acolchoados “para evitar danos aos manifestantes que estão lutando pela educação”, reiterando que qualquer violência da polícia é inaceitável.
Um setor mais radical da Ordem, no entanto, defende uma emenda constitucional que estabeleça o “monopólio do uso da força física e da violência para aqueles que defendem um mundo melhor”, o que excluiria, por essa ótica, a polícia.

Sobre a organização criminosa OAB - Organização de Assistência ao Bandido vejam (aqui)

TODO BANDIDO TEM ÉTICA IRMÃO! É NÓIS VÉIO!
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SÓ PARA LEMBRAR:
Isso é no Brasil não é no Oriente Médio.



Bandeira da Síria

A turma do Mundo Melhor sempre quis a matança decapitada de cristão na Síria (aqui)













Aqui nós temos a queima da bandeira do Brasil e do Estado do Pará e um sapato modelo Sírio.
E na foto seguinte temos, também, a bandeira Síria no lado superior esquerdo bem ao fundo na foto.


QUAL É A DIFERENÇA BÁSICA ENTRE A ESQUERDA E A DIREITA?


Hoje existe uma grande confusão entre Esquerda e Direita.
“Ser de direita” implica uma determinada visão do ser humano — e “ser de esquerda” implica outra visão, diferente, do ser humano.
Por exemplo, defender um capitalismo selvagem não significa que se é “de direita”. Por outro lado, defender uma maior intervenção do Estado na regulação da economia não significa necessariamente que se é da esquerda.
Há políticos que se dizem da Direita mas que na realidade não o são, porque “ser de direita” implica uma determinada visão do ser humano — e “ser de esquerda” implica outra visão, diferente, do ser humano. O que marca distintamente a diferença entre Esquerda e Direita, em um determinado indivíduo, é a forma como ele concebe o ser humano — e não a forma como ele vê a economia.

Um indivíduo de direita segue os princípios da cultura ancestral — conforme Mircea Eliade (aqui) nos relatou nos seus livros de investigação antropológica — que se baseiam no conceito de “pecado original” que é comum a todas as culturas passadas e presentes. O ser humano é visto como um “anjo caído”, um “animal ferido” na sua origem ontológica, e o objectivo da política é o de suprir as lacunas dessa fraqueza originária humana mediante instituições fortes e que se fundamentem na herança histórica e na experiência do passado. O indivíduo de direita é um herdeiro de uma civilização, e ao mesmo tempo é o transmissor dessa civilização para as gerações futuras. Para um indivíduo de direita, a tradição é a condição do progresso.

Um indivíduo de esquerda recusa a herança da tradição porque acredita que o futuro é portador de maior felicidade e de sempre crescente liberdade, e considera o passado como limitador dessa felicidade e dessa liberdade. Para o indivíduo de esquerda, a política significa romper com a tradição em nome do progresso. Para a esquerda, o ser humano é um ser naturalmente bom (o “bom selvagem”, de Rousseau) e sem “pecado original”, que tende, pelo sentido da História, a um progresso em direcção à perfeição (Historicismo, e o “progresso” visto como uma lei da natureza), sendo que considera que os “arcaísmos do passado” são obstáculos a ser removidos em função desse progresso rumo à perfeição do ser humano — e a política é vista como uma forma de libertação desse “passado arcaico”.

A forma como um indivíduo vê o grau de intervenção do Estado na economia está ligada à sua sensibilidade ética, e não ao facto de ser de direita ou de esquerda. 

Naquilo a que se convencionou chamar de Esquerda e Direita, existem pessoas com sensibilidade ética e outras que são eticamente empedernidas. Podemos encontrar brutos nas denominadas “Esquerda” e “Direita”, pessoas que são insensíveis aos sentimentos e emoções — assim como existem pessoas “duras de ouvido” e que não são sensíveis à música.

Assim, é possível a um bruto defender o totalitarismo de Estado, e a um outro bruto defender o capitalismo selvagem e o darwinismo-social. São, ambas, formas embrutecidas de ver a realidade, e que se prendem unicamente com a afirmação supremacista do princípio do interesse próprio.

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Gráfico em formato bem maior com recurso de zoom (aqui) 

MIRCEA ELIADE




Mircea Eliade (AFI: [ˈmirt​͡ʃe̯a eliˈade]; Bucareste, greg. 13 de março/ jul. 28 de fevereiro de 19071 — Chicago, 22 de abril de 1986) foi um professor,historiador das religiões, mitólogo, filósofo e romancista romeno, naturalizado norte-americano em 1970.2

Falava e escrevia fluentemente oito línguas (romeno, francês, alemão, italiano, inglês, hebraico, farsi e sânscrito), mas a maior parte dos seus trabalhos acadêmicos foi escrita inicialmente em romeno (depois em francês e em inglês). É um dos mais influentes historiadores e filósofos das religiões da contemporaneidade. Fez parte do Círculo Eranos3.

Considerado um dos fundadores do moderno estudo da história das religiões e grande estudioso dos mitos, elaborou uma visão comparada das religiões, encontrando relações de proximidade entre diferentes culturas e momentos históricos. No centro da experiência religiosa do Homem, Eliade situa a noção do Sagrado. Sua formação de historiador e filósofo levou-o ao estudo dos mitos, dos sonhos, das visões, do misticismo e do êxtase. Na Índia, estudou ioga e leu, diretamente em sânscrito, textos clássicos do hinduísmo que ainda não tinham sido traduzidos para as línguas ocidentais.
Autor prolífico, procurou encontrar uma síntese dos temas que abordou. Nos seus escritos, é, frequentemente, destacado o conceito de hierofania, através do qual Eliade definiu a manifestação do transcendente em um objeto ou um fenômeno do cosmo.
De família cristã ortodoxa, desde jovem tornou-se poliglota. Leu extensivamente em romeno, francês e alemão. Por volta de 1924 ou 1925, aprendeu italiano e inglês. Leu as obras do historiador da religião Raffaele Pettazzoni e do antropólogo James George Frazer no original. 4 Mais tarde, aprendeu hebraico, sânscrito e pársi.
Na escola, interessava-se por biologia e química e teve até um pequeno laboratório. Lia muito e aumentou o tempo de leitura diminuindo as horas de sono para apenas cinco a seis por noite.

O grande interesse em religiões comparadas, filosofia e filologia levou-o, em 1925, a iniciar estudos na Universidade de Bucareste, formando-se em filosofia. Na universidade, a influência de Nae Ionescu, então assistente do professor Constantin Rădulescu-Motru no Departamento de Lógica e Teoria do Conhecimento e ativo jornalista, levou o jovem Eliade a se envolver com a extrema direita romena.4

Sua tese de mestrado examinava a filosofia na Renascença italiana, de Marsilio Ficino a Giordano Bruno. O interesse sobre o humanismo renascentista foi o maior estímulo para que seguisse para a Índia, a fim de "universalizar" a filosofia "provinciana" herdada de sua educação europeia. Graças a um financiamento do marajá de Kassimbazar, permaneceu quatro anos estudando no país. Em 1928, foi para a Universidade de Calcutá, onde estudou sânscrito e filosofia, sob a orientação de Surendranath Dasgupta (1885-1952), um bengali educado em Cambridge e autor de History of Indian Philosophy (Motilal Banarsidass 1922-55), em 5 volumes.
Eliade era um bom aluno e morava na casa do professor, mas a relação entre ambos deteriorou-se quando Mircea se apaixonou por Maitreyi, a filha de Dasgupta. A fracassada história de amor seria tema do romance erótico Isabel Si Apele Diavolului (1930), no qual os personagens centrais são um europeu e uma jovem indiana.5 6

A documentação recolhida na Índia, especialmente a respeito do ioga, tornar-se-ia a base de sua tese de doutoramento. Retornou a Bucareste em 1932 e, após cumprir o serviço militar, submeteu, com sucesso, a sua tese sobre ioga ao Departamento de Filosofia, em 1933. Publicou-a em francês (1936) como Yoga: Essai sur les origines de la mystique indienne ("Ioga: Ensaio sobre a origem do misticismo indiano"), posteriormente revista e republicada como Le Yoga. Immortalité et liberté ("Ioga, Imortalidade e Liberdade").

No mesmo ano, Eliade tornou-se professor da faculdade de letras da Universidade de Bucareste. Como assistente de Ionescu, Eliade ensinou a Metafísica de Aristóteles e a Docta Ignorantia, de Nicolau de Cusa.

De 1933 a 1939, participou ativamente de grupo Criterion, que promovia seminários públicos sobre diversos tópicos. O grupo era influenciado pela filosofia do Trăirismo, a busca do "autêntico" através da experiência vivida (em romeno, traire) considerada como única fonte de autenticidade.

Em 1934, casou-se com Nina Mares.

Depois de publicar Domnisoara Christina (1936), foi acusado de pornografia e, por um curto período, foi suspenso da universidade. O romance, baseado no folclore romeno, tinha, como personagem principal, uma vampira e abordava o significado do erotismo e da morte na vida humana.

Em 1938, Nae Ionescu foi preso e Eliade, seu assistente, demitido. Ionescu fora acusado de ser membro da Guarda de Ferro, organização romena de extrema-direita, antissemita e simpatizante do nazismo. Logo, Eliade também seria preso, passando um curto período em um campo de concentração.

A partir de 1940, trabalha como adido cultural e de imprensa nas representações diplomáticas romenas em Londres e Lisboa (1941-44), tendo residido em Lisboa e, após a morte da mulher, emCascais. Na capital portuguesa, interessou-se pelos clássicos, como Sá de Miranda, Camões e Eça de Queiroz, 7 e empenhou-se em estabelecer elos mais fortes entre os latinos do ocidente e do oriente, impulsionando traduções, conferências e concertos.

Em 1944, sua mulher, Nina, morre de câncer.

Após a Guerra Mundial, por suas ligações com Nea Ionescu, Eliade não pôde voltar à Romênia, que agora se tornara comunista. Passa então a lecionar em várias universidades europeias. Em1945, transfere-se para Paris. Ensina religião comparada na Sorbonne e na École pratique des hautes études, a convite de Georges Dumèzil. Seus amigos desse período incluíam Eugène Ionesco e Georges Bataille, além do próprio Dumèzil.

Eliade adquire renome como professor de história das religiões. Leciona também no Instituto do Extremo Oriente de Roma, no Instituto Jung de Zurique e, finalmente, na Universidade de Chicago. Em 1950, casa-se com Christinel Cotrescu. Neste tempo, os trabalhos de Eliade passam a ser escritos em francês. A "Floresta Proibida", que Eliade considerava seu melhor romance, foi lançado em 1954.

Em Portugal, escreveu "Os Romenos, Latinos do Oriente", uma síntese histórica, cultural e espiritual do seu país, e Salazar e a Revolução Portuguesa, livro em que defendia que o general Ion Antonescu, no poder em Bucareste, poder-se-ia inspirar no regime português para criar um Estado autoritário mas não totalitário.8

A obra não surtiu, todavia, os efeitos pretendidos: não só Antonescu não adoptou o modelo português, como Salazar não gostou, segundo informações que obteve, da "heterodoxia" da interpretação, o que levou a que o livro não fosse traduzido para a língua portuguesa.9

Um livro que acabou por nunca escrever, por causa de Salazar Si Revolutia in Portugália, já tinha até título: "Camões - Ensaio de Filosofia da Cultura" e versaria sobre um tema que o fascinava - as civilizações marítimas.
No seu "Diário Português", obra conhecida apenas em 2001 através de uma editora de Barcelona, com edição portuguesa em 200810 , Mircea Eliade mostrou-se por vezes crítico, embora não hostil a Portugal, país que considerava periférico, um pouco à margem da história e da cultura.

Posteriormente, estabeleceu-se em Paris e, finalmente, em Chicago. Visitado por Joachim Wach, seu predecessor na Universidade de Chicago, um comparativista e hermeneuticista, Eliade foi convidado, em 1956, para dar aulas naquela universidade, sobre "Tipos de Iniciação". Nessa época, foi publicado "Nascimento e Renascimento" (Birth and Rebirth). Em 1958, foi convidado para chefiar o Departamento de Religião da Universidade, cargo que ocupou até a morte em 1986.

Além de ter escrito obras científicas tão importantes e centrais como "O sagrado e o profano", Eliade publicou uma extensa obra literária de ficção, cuja qualidade é universalmente reconhecida. Porém, por ter sido escrita inicialmente em romeno, tardou a ser divulgada. Também lançou "O jornal da História das Religiões" e o "Jornal das Religiões" e atuou como editor-chefe para a Enciclopédia Macmillan de Religiões.
Eliade recebeu o título de Doctor Honoris Causa de numerosas universidades de todo o mundo. Premiado em 1977 pela Academia Francesa, recebeu a Legião de Honra da França.

Pensamento

A despeito de que seu foco de investigações se situe na história das religiões, Eliade nunca se afastou da formação intelectual de filósofo, mesmo que ele nunca tenha sido um filósofo propriamente dito. Existem radicais desacordos sobre o seu pensamento. Alguns veem como crucial sua contribuição para os estudos das religiões, enquanto que outros o veem como um obscurantista cujas propostas normativas são inaceitáveis.

O pensamento de Eliade foi parcialmente influenciado por Rudolf Otto, Gerardus van der Leeuw, Nae Ionescu e pela obra da Escola das Tradições. De certa maneira, essa escola tinha uma afinidade com as preocupações esotéricas do fascismo (conexões também existentes com a obra do erudito Julius Evola, da Escola das Tradições).

Ao mesmo tempo, a Guarda de Ferro esteve à margem do movimento fascista por causa de seu caráter místico - temas preferidos de investigação de Eliade durante as atividades políticas (notavelmente, a preocupação a respeito do culto Zalmoxin e seu suposto monoteísmo). Estas foram as características que mais atraíram Eliade ao fascismo, ao invés de um padrão íntimo de pensamento que ele tenha seguido por toda a vida (podemos lembrar o caso de dom Hélder Câmara, bispo progressista do clero católico brasileiro, nos anos 1970 e 1980, que também teve uma ligação explícita com o movimento fascista brasileiro chamado de integralismo).

Mircea Eliade teve decisiva influência em muitos eruditos: por exemplo, Ioan Petru Culianu e no também romeno Emil Cioran, que dedica páginas de uma crítica lúcida e, ao mesmo tempo, apaixonada por Eliade no seu livro "Exercícios de Admiração" publicado no Brasil pela Rocco. Na Romênia, o legado de Eliade no campo da história das religiões se reflete no journal Archaeus (fundado em 1997).

A seção de História da Religião da Universidade de Chicago deve a Mircea Eliade o reconhecimento da vasta contribuição na pesquisa deste tema.

Cosmos e História

Em "O mito do eterno retorno" (1954), livro que ele tentou sub-intitular como "A Filosofia da História", Eliade cria a distinção entre a humanidade religiosa e não religiosa, com base na percepção do tempo como heterogêneo e homogêneo respectivamente. Esta distinção é muito familiar aos estudantes de Henri Bergson como um elemento de estudo e da análise das filosofias no tempo e espaço.

Eliade defende que a percepção do tempo como homogêneo, linear e irrepetível é uma forma moderna de não religião da humanidade. O homem arcaico, ou a humanidade religiosa (homo religiosus), em comparação, percebe o tempo como heterogêneo; isto é, divide-o em tempo profano (linear) e tempo sagrado (cíclico e reatualizável).

Por meio de mitos e rituais que permitem o acesso a este tempo sagrado, a humanidade religiosa protege-se contra o "terror da história" (uma condição de impotência diante dos dados históricos registrados no tempo, uma forma de existência aflitiva).

No processo de estabelecimento desta distinção, Eliade não esquece que a humanidade não religiosa é um fenômeno muito raro. Mitos e illud tempus estão ainda em operação, embora dissimulados no mundo da moderna humanidade, e Eliade claramente olha a tentativa de restringir o tempo real ao tempo histórico linear como um caminho que leva a humanidade ao desespero ou à fé cristã como única salvação. Pois o relativismo, existencialismo e historicismo modernos não são capazes de criar mecanismos para fazer com que a humanidade suporte os sofrimentos causados pela consciência da "história", consciência dos "acontecimentos" sem um sentido trans-histórico escatológico, cíclico ou arquetípico.

O "sagrado" tem também sido assunto de discussão. Alguns veem o "sagrado" de Eliade como simples correspondência para o conceito de convencional de deidade, ou para o ganz andere (o "inteiramente outro") de Rudolf Otto, enquanto outros veem uma semelhança maior com o sagrado socialmente influenciado de Emile Durkheim. O próprio Eliade repetidamente identifica o sagrado como o real, ainda que ele estabeleça claramente que "o sagrado é uma estrutura da consciência humana" (1969 i; 1978, xiii).

Este argumento deveria favorecer a última interpretação: um construção social tanto do sagrado como da realidade. Ainda que o sagrado seja identificado com a fonte de significância, significado, poder e ser, e suas manifestações como hierofanias, cratofanias ou ontofanias respectivamente (aparências do sagrado, do poder ou do ser). Em correspondência à sugerida ambiguidade do próprio sagrado está a ambiguidade de suas manifestações.

Eliade afirma que os crentes para os quais a hierofania é uma revelação do sagrado devem ser preparados pela experiência, includindo sua tradição religiosa anterior, antes que possam apreendê-la. Para os outros, a árvore sagrada, por exemplo, continua a ser uma simples árvore.

É indispensável, na análise de Eliade, que qualquer entidade fenomênica possa ser apreendida como uma hierofania com uma preparação apropriada. A conclusão deve ser a de que todos os seres revelam e, ao mesmo tempo, escondem a natureza do Ser. Uma retomada da Coincidentia Oppositorum de Nicolau de Cusa é evidente aqui, assim como é uma possível explicação da ambiguidade dos escritos de Eliade.

Lista de obras

Esta é uma lista breve e incompleta das obras de Mircea Eliade. Para uma bibliografia completa, veja Bryan Rennie, "Reconstruindo Eliade"11 .

"Cosmos e História: O Mito do Eterno Retorno", 1954, Princeton.
Provavelmente a mais crucial e curta aproximação do trabalho de Eliade. Apresenta análise do tempo como heterogêneo para religiosos e homogêneo para não religiosos e seu conceito de o "terror da história" e a habilidade de "reatualizar" a religião no tempo.

Forgerons et Alchimistes - "Ferreiros e Alquimistas" - Flammarion, 1956 e nova edição revista e aumentada em 1977.

"Colaborar com a Natureza, ajudá-la a produzir num tempo mais e mais rápida, mudar as modalidades da matéria, eis uma das fontes da ideologia alquímica. Tanto como o fundidor e o ferreiro, o alquimista trabalha sobre uma matéria ao mesmo tempo viva e sagrada; seus trabalhos perseguem a transformação da matéria, seu aperfeiçoamento, sua transformação".

"O autor insistiu sobre as alquimias indiana e chinesa porque são menos conhecidas e, sobretudo, porque apresentam, de uma forma mais viva, seu caráter de técnica ao mesmo tempo experimental e mística." Retirado da contracapa do livro.

"Ioga, Imortalidade e Liberdade", 1958, Londres: Routledge & Kegan Paul.
Primeiramente publicado na França como Yoga: Essai sur l'origine de la mystique Indienne em 1933, este trabalho informativo e escolástico analisa o ioga como uma concreta busca pela liberdade das limitações humanas.
"Ritos e Símbolos de Iniciação" (Birth and Rebirth), 1958, Londres: Harvill Press.
A publicação das aulas de Eliade (1956, sobre Haskell) na Universidade de Chicago, "Padrões de Iniciação". Sua análise dos temas de iniciação implica na sua ubiquidade e na estrutura simbólica da morte e do renascer.
"Padrões das Religiões Comparadas", 1958, Londres: Sheed & Ward.
Uma tentativa de delinear a morfologia do sagrado. Frequentemente criticada por seu enfoque transcultural e aproximação à história. Padrões organizados do fenômeno religioso por suas similaridades estruturais a respeito do tempo ou lugar de origem. Uma valiosa fonte de dados a despeito disto.
"O Sagrado e o Profano: A Natureza da Religião", 1959, Londres: Harcourt Brace Jovanovich.
Ele avança para além das ideias de Rudolf Otto sobre o sagrado em Das Heilige. O sagrado é explicado através de sua relação binária com o profano. O complexo dialético do sagrado e do profano são destacados.
"Mitos, Sonhos e Mistérios: O Encontro entre a Fé Contemporânea e as Realidades Arcaicas", 1960, Londres: Harvill Press.
O entendimento de Eliade do mito no mundo moderno, o prestígio das origens míticas e sua análise do simbolismo da ascensão, do combate, do labirinto e da luta contra monstros, entre outros.
"Imagens e Símbolos: Estudos sobre o Simbolismo da Religião", 1961, Londres: Harvill Press.
Mais sobre simbolismo, particularmente o simbolismo do centro, nós, conchas e pérolas. Simbolismo e história e algumas reflexões sobre método.
"Mito e Realidade", 1964, Nova Iorque: Harper e Row.
A estrutura dos mitos. Mais sobre o prestígio das origens e a sobrivência dos mitos e os temas míticos do pensamento moderno.
"O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase", 1964, Londres: Routledge & Kegan Paul.
Um longo trabalho sobre o estudo do Xamanismo, um detalhado e valiosa fonte de informação sobre estes fenômenos.
"Os Dois e o Um", 1965, Chicago, IL: University of Chicago Press.
Um importante trabalho sobre a análise da coincidentia oppositorum, a coincidência dos opostos, ou oposição binária na história da ideias religiosas. O Andrógino é explorado como cosmogonia e escatologia, o nascimento e morte do cosmos ou visão do mundo.
"A Busca: História e Significado das Religiões", 1969. Londres: University of Chicago Press.
Uma tentativa de fazer um trabalho mais metódico. A busca através dos seus artigos publicados previamente sobre a metodologia de Eliade e seus presupostos e teoremas, incluindo seu "novo humanismo" e sua resposta à busca das origens das religiões.
"A História das Religiões". Volume I. "Da Idade da Pedra aos Mistérios do Eleusiniano", 1969. Chicago, IL: Universidade de Chicago Press.
Originalmente projetado como um único volume. Esta foi uma tentativa de dar um entendimento de toda a história das religiões por Eliade em sua perceptiva única. Um trabalho de referência. Muitas das categorias sobrevivem a Eliade neste trabalho maduro: o terror da história, a coincidentia oppositorum, o simbolismo do centro, o hieros gamos ou simbólico casamento celeste.
"A História das Religiões". Volume II. "De Gautama Buddha ao Triunfo do Cristianismo", 1969, Chicago, IL: University of Chicago Press.
"A História das Religiões". Volume III. "De Muhammad à Época das reformas", 1985, Chicago, IL: University of Chicago Press.
"Enciclopédia das Religiões" (editor-em-chefe), 1987, Nova Iorque: Macmillan.
17 volumes com artigos sobre todos os aspectos da religião. Atualmente, um referência padrão para toda enciclopédia sobre religião.


Osvaldo Aires Bade Comentários Bem Roubados na "Socialização" - Estou entre os 80 milhões Me Adicione no Facebook