quarta-feira, 23 de julho de 2014

O OLHO DA CARA E A CEGUEIRA DA JUSTIÇA!





















Sérgio Silva, seis meses após ser baleado pela Polícia Militar


O ESTADO QUE ARRANCA OS OLHOS
Mutilados em manifestações em SP, dois fotógrafos se encontram e criticam cegueira da Justiça
Alex Silveira, que perdeu um olho por bala de borracha da PM há 14 anos, debate com o colega Sérgio Silva, vítima da mesma violência em 2013
Fausto Salvadori Filho/Ponte.org - 19/07/2014 - 13h43






O tempo deu pau na tarde de 18 de julho de 2000, quando Alex Silveira foi baleado. Dias, meses e anos couberam dentro dos segundos que passou caído na avenida Paulista, até ser socorrido pelos colegas e levado ao Hospital das Clínicas. Com a vista apagada, só conseguia enxergar o filme da sua vida passando sem cortes dentro da sua cabeça. Viu os seis anos que passou em Nova York, trabalhando como engraxate e carregador de mudanças para bancar um curso técnico de cinema na School of Visual Arts. Viu o sonho realizado de trabalhar como fotojornalista. Depois, só viu o escuro. “Eu pensava: passei por tudo isso para no final acabar assim, com um tiro de borracha no meu olho”, conta.

Na época, Alex, então com 29 anos, trabalhava como fotógrafo do Agora SP, jornal do grupo Folha de S. Paulo, naquele que viria a ser o seu primeiro e último emprego de fotógrafo com carteira assinada. Quando foi baleado, estava fotografando o confronto entre a Tropa de Choque da Polícia Militar e uma passeata de professores da rede estadual que reivindicavam melhores salários. Ainda sangrando no asfalto da Paulista, Alex percebeu que o pior havia acontecido. Nascido com uma deficiência no olho esquerdo, sempre dependera do direito (até então perfeito) para enxergar. E era ali que o projétil disparado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo havia acertado. Em seu olho bom.

“Comigo foi a mesma sensação”, lembra Sérgio Silva, 32 anos, também fotógrafo, e também atingido no olho esquerdo por uma bala de borracha da PM. “Eu via a minha vida toda passar pela minha cabeça, e pensava como eu ia conseguir trabalhar, como ia sustentar minha filha, agora que a polícia tinha baleado meu olho”, comenta com Alex. Sérgio foi baleado na Rua da Consolação, na região central de São Paulo, em 13 de junho de 2013, quando cobria uma manifestação do Movimento Passe Livre como freelancer, para a agência Futura Press.

“Eu olho para você e vejo a minha história”, Sérgio fala para Alex, durante um encontro dos dois, promovido na semana passada pela Ponte. Hoje, Alex enxerga com 20% da visão que tinha antes de ser baleado, e Sérgio perdeu o olho esquerdo – no lugar dele, usa uma prótese. Eles se abraçam, riem, choram. Mesmo sendo a primeira vez em que se encontram, Alex e Sérgio se tratam como dois velhos amigos, que compartilham a intimidade de terem sofrido uma violência muito parecida.
Culpa da vítima
Além de terem sido mutilados pelo Estado nos olhos com que ganhavam a vida, Alex e Sérgio compartilham a dor de lutar por reparação diante de uma polícia e de uma Justiça que parecem mais cegas do que eles.
“Eu depus no batalhão do Choque, na Corregedoria, no 78.º DP (Jardins), e nunca mais ouvi falar da investigação. Não deu em nada”, afirma Alex. Procurada, as assessorias de imprensa da Secretaria da Segurança Pública e da Polícia Militar recusaram-se a informar se algum PM foi punido pelos ferimentos em Alex. “Informações adicionais devem ser pesquisadas junto à Justiça, para onde o inquérito foi encaminhado”, afirmou a assessoria da SSP. No Tribunal de Justiça de São Paulo, o único processo ligado ao nome de Alex é a ação cível que ele move contra o Estado.
Na ação, a defesa de Alex pede uma pensão vitalícia mensal de R$ 1.783 (o valor do salário que recebia no jornal quando foi baleado), o pagamento de todas as despesas médicas e uma indenização por danos morais no valor de 2.000 salários mínimos, além de uma indenização por danos materiais.


Em sua defesa, a Fazenda de São Paulo alega que a “perda visual” do fotógrafo já existia antes do tiro e culpa o próprio Alex pelo ferimento, dizendo que, ao cobrir a manifestação, “concorreu com o ato danoso, assumindo o risco de ferir-se”. O governo também afirma que Alex “não provou ter se ferido por ato praticado por policial militar” e sugere que a lesão no olho poderia ter sido provocada por objetos disparados pela multidão.
“As provas precisam ser construídas, porque o Estado evita produzir provas contra si mesmo”, afirma a advogada Virginia Veridiana Barbosa Garcia, que representa Alex na ação. Na falta de provas levantadas pela investigação da polícia, a defesa teve de levantar as provas ela própria, com base em testemunhas, laudos e fotos.
As provas levantadas pela advogada convenceram o juiz Emerson Norio Chinen, da 5.ª Vara da Fazenda Pública de SP, que emitiu a primeira sentença do caso, em 2008. Porém, mesmo reconhecendo que Alex foi vítima da PM, o juiz aceitou o argumento de que o fotógrafo “contribuiu para o infortúnio ao se colocar em situação de risco na cobertura da manifestação popular e do confronto policial”. No fim das contas, o juiz recusou a concessão de pensão vitalícia e o pagamento por danos materiais, condenando o Estado a pagar somente as despesas médicas e uma indenização no valor de 100 salários mínimos – mais do que isso, para o juiz, seria “enriquecimento ilícito”.
Tanto a defesa de Alex quanto o governo recorreram da decisão. O processo se arrasta até hoje, agora em segunda instância.
“Isso mostra como somos indefesos”, desabafo o fotógrafo. “Podem fazer o que quiserem com a gente e nada acontece. Ninguém responde por nada.” As únicas consequências ficaram para Alex, que terá de olhar para elas até o fim da vida.
Justiça cega
Até agora, Sérgio não teve melhor sorte do que Alex na sua ação, em que pede indenização de R$ 800 mil por danos morais e R$ 400 mil pelos danos materiais, além do pagamento das despesas médicas, hoje no valor de R$ 3.894,67. Os gastos com o hospital são uma questão urgente para Sérgio, já que, como fotógrafo freelancer, é obrigado a pagar essa dívida do próprio bolso. A defesa do fotógrafo entrou com um pedido de antecipação de tutela, na tentativa de obter do Estado o pagamento imediato das dívidas contraídas por Sérgio antes do julgamento do mérito.
O pedido de Sérgio acabou negado em duas instâncias. Para o desembargador Rebouças de Carvalho, ainda falta apurar o “nexo de causalidade entre o evento danoso e a alegada responsabilidade do Estado”.
“Me senti agredido de novo com essa decisão. Foi a segunda violência do Estado praticada contra mim”, diz Sérgio.
Sobre o caso de Sérgio, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a investigação estaria parada por falta de interesse da própria vítima. “A Polícia Civil informa que o fotógrafo Sérgio Andrade da Silva não registrou queixa e que a autoridade policial do 4.ºDP (Consolação) instaurou inquérito por lesão corporal culposa, mesmo sem representação, com base em informações veiculadas pela imprensa. O inquérito do caso está no Fórum Criminal, no aguardo de manifestação da vítima”, afirmou a assessoria de imprensa.
Sérgio disse que não registrou queixa por não acreditar que a polícia tenha interesse em investigar seu caso a sério. “É um procedimento burocrático para a instituição fingir que está ouvindo você e não fazer nada”, afirma. Seu advogado, Maurício Vasques, apoiou a decisão. “O delegado não precisa da queixa da vítima para abrir inquérito, por ser um crime de ação pública. E como querem que o Sérgio vá procurar a polícia, se foi quem o agrediu e não lhe deu socorro?”, afirma.
A falta de confiança de Sérgio na apuração da polícia tem apoio nos fatos. Como ocorreu no ataque a Alex Silveira, em 2000, os abusos de 13 de junho também permanecem sem punição. Segundo um levantamento feito pela BBC Brasil, com base na Lei de Acesso à Informação, nenhum policial foi punido pelas violências cometidas naquele dia.
Menos letais
Se algo mudou em relação à época em que Alex foi baleado na Paulista, foi a disseminação do uso das armas que as autoridades chamam de “não letais”, mas que estudiosos e militantes preferem chamar de “menos letais”, já que são capazes, sim, de provocar mortes. Além das balas de borracha, a categoria inclui arfefatos como bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, sprays de pimenta, jatos de água, armas de choque.
Segundo Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais em São Paulo, o uso do armamento menos letais se disseminou a partir de 2010, quando o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos publicaram a portaria 4226, que autoriza “todo agente de segurança pública” a portar “no mínimo dois instrumentos de menor potencial ofensivo”.
“Depois disso, o emprego dessas armas se banalizou”, afirma Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais em São Paulo. Armas como spray de pimenta e de choque caíram nas graças não só das polícias, como também das empresas particulares de segurança. Segundo Zelic, em vez de serem usadas como uma alternativa para reprimir comportamentos violentos sem o uso de armas que podem matar, as menos letais passaram a ser usadas como instrumentos de tortura. “Distribuídos em massa, esses armamentos são usados como um kit tortura, tanto por policiais como seguranças particulares”, diz.
A partir das manifestações de junho de 2013, o uso das balas de borracha e outras armas menos letais ganhou força. Na noite de 13 de junho, a mesma em que Sérgio teve o olho arrancado na Rua da Consolação, a PM utilizou 506 balas de borracha, conforme informação obtida por Pablo Ortellado, professor de política públicas da USP, também por meio da Lei de Acesso à Informação.
Sérgio Silva

Hoje, Alex Silveira enxerga com apenas 20% da visão que tinha antes de ser baleado
A repressão da PM em 13 de junho também feriu dezenas de militantes, jornalistas e pessoas que apenas passavam pela rua. A repórter Giuliana Vallone, da TV Folha, também foi atingida no olho por uma bala de borracha, e só escapou de sofrer danos permanentes porque estava de óculos.
Para a ONG Conectas, os abusos daquela noite não foram excessos de alguns policiais, mas uma emboscada, fruto de uma ação planejada. A partir do depoimento de dez testemunhas, entre elas Sérgio Silva, a ONG concluiu que, “em vez de direcionar a marcha num suposto sentido de dispersão, os policiais encurralaram milhares de pessoas num circuito de tiro com balas de borracha, saturado com bombas de gás e granadas de luz e som, ao longo de várias ruas da região central”.
Quatro dias após a repressão na Consolação, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que a polícia deixaria de usar balas de borracha contra manifestações. O governo voltou atrás em 8 de outubro, quando o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, anunciou que a PM voltaria a usar o armamento contra “vândalos” e “baderneiros”.
A decisão do secretário levou à agressão de mais inocentes, como a professora Patrícia Paulo Rodsenko, atingida por uma bala de borracha em 15 de maio. Ela não estava nem vandalizando, nem badernando. Quando foi baleada pela PM, apenas esperava a abertura de uma estação de metrô, fechada por uma manifestação. A bala quebrou o nariz e um dos ossos da face da professora.
No Brasil, faltam normas para disciplinar quando as armas menos letais podem ser empregadas e como a a sociedade pode fiscalizar o seu uso. Sobre isso, o texto da Portaria 4226 diz pouca coisa. Só afirma que o uso da força por agentes de segurança pública deverá obedecer aos princípios da “legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e conveniência”.
No ano passado, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana instalou um grupo de trabalho para regulamentar o uso de armas menos letais, com a participação da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, do Ministério da Justiça, do Ministério Público e outras entidades, entre elas a Fiocruz, convidada a fazer um estudo sobre os impactos reais dessas armas na saúde.
Por enquanto, o grupo ainda não produziu resultados. Autor do pedido que levou à criação do grupo de trabalho, Marcelo Zelic afirma que o trabalho foi atropelado pela criação de um outro grupo, com os mesmos objetivos, feita pelo Ministério da Justiça. Segundo Zelic, o grupo de trabalho paralelo criado pelo Ministério reuniu apenas as forças de segurança, excluindo representantes da sociedade civil e do Ministério Público. Mesmo assim, o grupo teria produzido diretrizes que já serviram de base para a atuação das forças de segurança durante a Copa do Mundo.
“O Ministério da Justiça atropelou a competência da CCDPH nessa questão”, afirma. “O Governo Federal acaba sendo responsável por liberar o uso dessas armas sem uma regulamentação que possa defender os direitos do cidadão.”
Procurada pela Ponte, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça não confirmou a criação de um grupo de trabalho paralelo sobre o uso de armas não letais, limitando-se a mencionar a publicação da Portaria 4226, há quatro anos. “A Secretaria Nacional de Segurança Pública do MJ mantém permanente diálogo e contribuição com os governos estaduais e outros órgãos ligados à segurança pública e à defesa social no país para discutir e aperfeiçoar procedimentos e programas, além de promover e fomentar de forma perene a capacitação de profissionais federais, estaduais e municipais”, afirma a assessoria.
Recomeços
As balas de borracha mudaram o rumo da vida de Alex e Sérgio. De volta à redação do Agora SP, Alex descobriu que a empresa havia decidido que ele faria apenas pautas amenas, que não o colocassem em risco. [Trabalhei no jornal durante esta época, e a única pauta que me lembro de ter feito com Alex era um dia na vida de um Papai Noel no Shopping Center Norte] “Era uma atitude extremamente sensata do empregador, mas eu não aguentei, porque já tinha pegado gosto de fazer coisas mais movimentadas”, lembra. “Entrei numa depressão foda.”
Após três anos, pediu demissão e foi atrás do risco. Morou no Maranhão durante um ano e no Amapá por mais sete. Adeus, papai nóeis de shopping: Alex agora fotografava a cultura e a natureza da Amazônia, para clientes como National Geographic e WWF (World Wide Fund).

Sérgio Silva

O fotógrafo Sebastião Salgado posa para a série “Piratas Urbanos”

Há cinco anos, trocou a Amazônia pelo Rio de Janeiro. Ali, as entrevistas de emprego revelaram que, apesar do seu portfólio deslumbrante, nenhuma empresa estava disposta a contratar um fotógrafo mutilado por uma bala de borracha. “Depois que levei o tiro, nunca mais fui contratado”, revela.

Foi aí que abandonou a fotografia. Não teria como trabalhar como freelancer na cidade grande sem poder dirigir um automóvel, algo que o ferimento no olho tornou impraticável. “Na Amazônia ainda dava. Mas no Rio eu não poderia andar por aí com R$ 20 mil de equipamento sem um carro”, diz.
Hoje, Alex estuda arquitetura na Universidade Estácio de Sá e trabalha com direção de fotografia e criação de maquetes virtuais, para produtoras independentes e escritórios de arquitetura. Para fazer seus trabalhos, tem de ampliar várias vezes as imagens na tela e colar o rosto dos monitores, que nunca medem menos de 20 polegadas.
Andar sem tropeçar
Passado um ano, Sérgio ainda está aprendendo a ver a vida com um olho só. “A falta de um olho tira a noção de profundidade. Ainda é difícil andar sem tropeçar”, conta. Ele se tornou um militante contra a violência policial. Um abaixo-assinado que criou pedindo o fim das balas de borracha reuniu 45.620 assinaturas. Em 3 de setembro, quando a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um decreto legislativo do vereador Coronel Telhada (PSDB) que homenageava a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), Sérgio protestou diante dos vereadores com um pôster que exibia uma foto do seu próprio rosto marcado pelo tiro.
Nos últimos meses, o militante se aliou ao fotógrafo em busca de um jeito de protestar que fosse ao mesmo tempo bem humorado e contundente. Foi assim que criou a exposição Piratas urbanos, uma série com mais de 70 retratos de pessoas usando um tapa-olho de pirata sobre o olho esquerdo.
E  foi com um desses tapa-olho que Sérgio fotografou Alex, ao final do encontro da semana passada.  “É difícil fotografar você, cara. A carga emocional…”, soltou Sérgio.  Os dois fotógrafos, cada um do seu lado da lente, choraram. Como no poema de Ferreira Gullar,  são feito dois irmãos, não por terem o mesmo sangue, mas por terem derramado esse sangue do mesmo modo.

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CRIADOR DO PERFIL DILMA BOLADA TIRA A PÁGINA DO AR NO FACEBOOK GUERRA VIRTUAL ESQUENTA E BAIXA O NÍVEL DA POLÍTICA





Post de Jeferson Monteiro sobre página da Dilma Bolada -Reprodução/Facebook


RIO — Os fãs do perfil “Dilma Bolada” foram surpreendidos na tarde desta quarta-feira ao abrir o endereço da página na Facebook e não encontrá-la. Criador da personagem fictícia, o publicitário Jeferson Monteiro postou uma mensagem na sua página pessoal justificando sua saída devido a proximidade das eleições.

No post, Monteiro elogiou Dilma e acusou pessoas que estariam agindo de maneira "imoral" nas redes contra a presidente. Além disso, o publicitário disse que precisa "avaliar" qual será o seu papel durante a campanha eleitoral.

"Chega a ser imoral a forma como aqueles que lutam contra a Dilma estão se portando e planejando se portar nas redes. É abominável as estratégias dos hipócritas que falam em "campanha limpa" mas que na realidade, têm suas equipes arquitetando para recrutar pessoas simpáticas seus partidos, além de influenciadores, blogueiros e páginas na internet para difamarem Dilma", escreveu.



O publicitário também afirmou que não há nenhum "submundo da rede", e que há "pessoas bem e mal intencionadas". Monteiro não garantiu a continuidade do perfil após o fim das eleições.

Mais cedo, o criador da personagem limitou-se a dizer pelo Facebook que havia retirado o perfil do ar: “Pra todos que estão perguntando: tirei a Dilma Bolada do ar, ok? Sem drama e sem mimimi. ;)”.

No twitter, entretanto, a página fake da Presidente Dilma Rousseff continua aberta. No final da tarde, a Dilma fictícia twittou: Enquanto tem gente preocupada com meu Facebook, eu estou aqui trabalhando. Bjs". Procurado por O Globo, Jeferson Monteiro não atendeu as ligações para comentar sobre o caso.

Enquanto tem gente preocupada com meu Facebook, eu estou aqui trabalhando. Bjs— Dilma Bolada (@diImabr) 23 julho 2014

"Dilma Bolada" tem mais de 1,7 milhão de curtidas no Facebook e 234 mil seguidores no Twitter. Bem-humorada, a Dilma criada por Monteiro faz comentários pertinentes sobre a agenda política da presidente, e fala sobre amenidades, como novela, futebol e Copa do Mundo.

Em outubro de 2013, o perfil foi eleito pela revista americana Forbes como um dos mais influentes do Facebook. A Forbes destacou na reportagem a ascensão da personagem nas mídias sociais, e como a “Dilma Bolada” poderia auxiliar na imagem positiva da presidente. “Para um político que continua a ser batido em pesquisas de popularidade e cujo governo está imerso em escândalos políticos, um admirador influente como Monteiro poderia gerar o tipo de propaganda política que a maioria dos políticos só podem sonhar”, analisou a publicação.

No ano passado, a presidente chegou a receber Jeferson no Palácio do Planalto, num encontro entre as duas “Dilmas” pela rede social.

POLÊMICAS E 'ANÚNCIOS' DE RETIRADA

- Essa decisão ainda não está tomada. Tenho que analisar qual rumo a personagem vai tomar. A coisa ganhou uma proporção tão grande... E quanto maior o poder maior a responsabilidade. Preciso analisar prós e contras. Conheci muita gente, fiz amigos, tive oportunidades de trabalho... Mas o time de chatos está aí - disse Monteiro em uma entrevista concedida para a Rádio Globo na época. Em fevereiro deste ano, Jeferson Monteiro chegou a anunciar que poderia retirar a personagem das redes sociais. A época, o publicitário disse que seus perfis poderiam confundir as pessoas durante o ano eleitoral.

Em maio, a personagem viveu mais uma polêmica, quando Monteiro publicou um texto na Facebook afirmando que havia recebido uma proposta de uma agência de publicidade para vender sua marca. Monteiro disse ao GLOBO que a empresa ofereceu R$ 500 mil pelo negócio e que, segundo ele, o PSDB de Aécio Neves estaria interessado.



Sucesso nas redes sociais, e até fora delas, o perfil "Dilma Bolada" foi retirado do ar na tarde desta quarta-feira (23). A página foi criada no Facebook pelo estudante de publicidade Jeferson Monteiro e ganhou fama por conta do humor direto e inteligente.


A presidente Dilma Rousseff recebe Jefferson Monteiro, autor da Dilma Bolada, sátira virtual da presidente. Foto: Reprodução/Instagram

3 DE DEZEMBRO DE 2013

Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff

Num passado cada vez mais distante, criador do perfil fake se permitia severas críticas à atual presidente da nação.

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Dilma Bolada você já conhece. E já não é segredo para ninguém que a pessoa por trás de seus tweets é um garoto de 23 anos chamado Jeferson Monteiro. O que poucos sabem (ou se lembram) é que criador e criatura começaram a fazer barulho na internet com um perfil de humor voltado ao ativismo gay, o @vidadegayroto. O que seria o endereço deste antigo perfil, hoje encontra-se sem qualquer conteúdo e seguindo um único usuário, o pai do fake mais famoso do país:
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É um passado que Jefferson tenta esconder e por isso se torna difícil qualquer acesso a ele. Mas a internet ainda guarda alguns rastros. Como, por exemplo, esta citação do próprio autor da Dilma Bolada:
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Ao se clicar no tweet citado por ele, link este que cita seu usuário original, chega-se hoje à seguinte tela:
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Os frequentadores do Twitter estão acostumados a ver fenômenos do tipo. Nesta rede em particular, é possível alterar-se o próprio nome de usuário. Em dado momento, Jefferson Monteiro preferiu transformar seu perfil de paródia em seu perfil pessoal. Isso é possível comprovar por intermédio de algumas citações ainda existentes na web:
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Webjef, assim como JefMonteiro, foram apenas outros dois nomes utilizados pelo jovem Monteiro antes de se tornar o @jeferson que hoje defende:
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Não há nada de errado em ter um perfil de humor, ou um perfil que milite pela causa gay. Contudo, salta aos olhos como, naquele tempo, uma das pessoas que hoje mais defende a presidente do país parecia mais livre para criticá-la:
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As ofensas não ficavam apenas no Twitter. O então anônimo @vidadegayroto chegou a trabalhar a imagem da então chefe da casa civil em outras redes também:
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Clique na imagem para ampliá-la
Na coluna à direita dessa imagem, alguns dizeres fortes sobre a sua musa:
“Postaremos aqui fotos da que ilustram a nova droga que surgiu no nosso país. Vou postar imagens preventivas e de campanha contra essa droga.“
(grifos nossos)
O sucesso na época foi tanto que Jefferson, mesmo ainda na condição de anônimo, ganhou mídia espontânea e chegou a concorrer a prêmios por seu trabalho:
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Alguma coisa aconteceu que Jeferson hoje não mais critica a presidente da nação, preferindo guardar todas as suas farpas aos adversários dela.
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Até encontro físico entre paródia e parodiada já rolou, algo que foi intensa e estranhamente festejado pela mídia nacional.
 Dilma Bolada quando ainda falava mal de Dilma Rousseff
Num passado não muito distante, Jeferson já disse trabalhar com completa independência do Planalto. Está cada dia mais difícil de acreditar.


Sucesso da TV Revolta, tentativa de cooptar o criador da Dilma Bolada e bate-boca de Romário com PT são apenas o aperitivo para a promessa de vale-tudo nas eleições virtuais de 2014

Enquanto os partidos políticos ainda preparam suas estratégias para a campanha eleitoral deste ano nas redes sociais, um novo personagem político toma a internet de assalto: o cidadão comum íntimo do Facebook e Twitter, ávido para discutir política e os problemas do País, mas não necessariamente filiado a uma legenda partidária. Na semana que passou, o noticiário discutiu o alcance dos polêmicos posts antipetistas da página TV Revolta no Facebook e a suposta tentativa do PSDB de cooptar a famosa personagem Dilma Bolada por R$ 500 mil. Essas histórias seriam só o aperitivo para o jogo sujo que aguarda a campanha eleitoral online em 2014, ano em que o Brasil escolhe seus governadores, senadores, deputados federais e presidente.


Facebook/Reprodução
Post da TV Revolta associa Dilma Rousseff à impopularidade da Copa

A campanha na internet ganhou novos contornos na semana passada, quando a TV Revolta virou debate entre petistas, assustados com a popularidade do canal no Facebook (com 3,6 milhões de seguidores), que destila críticas à Copa do Mundo e a serviços públicos apontando o PT como único responsável.
A última semana mal havia começado e uma nova polêmica eleitoral virou notícia, agora envolvendo a famosa página Dilma Bolada, administrada por Jeferson Monteiro. O rapaz, de 24 anos, acusou uma agência de publicidade contratada pelo PSDB de oferecer-lhe R$ 500 mil para mudar de lado e começar a criticar o governo federal às vésperas da eleição.

Divulgação/Facebook
Romário responde provocação do PT com ironia: "#mimimipetista"

Em meio aos ataques políticos disfarçados de notícia e às tentativas de cooptação, outra baixaria sacudia o meio político no Facebook. Na mesma semana em que o deputado federal Romário (PSB-RJ) anunciou sua candidatura ao Senado, o PT afirmou em sua página oficial que o ex-atacante caía em contradição ao embolsar quase R$ 1 milhão em propagandas para a Copa do Mundo depois de passar boa parte de seu mandato criticando o evento. Romário não deixou por menos e respondeu, também pela rede social, com uma foto ilustrada pela estrela do PT e uma criança chorando ao lado da hashtag “mimimipetista”.
A guerra virtual que esquentou a política nesses dias pode ser só uma amostra da baixaria que vem pela frente. Proibidos por lei de pagar por publicidade nas redes sociais a partir do dia 6 de julho, os políticos precisarão de estratégias originais para atrair o eleitor online. “Obviamente que o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] só vai autuar os candidatos mais conhecidos, enquanto centenas devem continuar pagando porque o Facebook não têm nada com isso”, afirmou ao iG o especialista em redes sociais Paulo Rebêlo, da Paradox Zero. “E esse é o menor dos problemas.”
O especialista se refere à compra de seguidores falsos para as páginas dos principais candidatos. O esquema funciona assim: uma agência se oferece a um partido para aumentar os cliques, as curtidas e o número de seguidores de determinado político. A campanha, que não faz ideia de como funciona a tecnologia, contrata companhias que recebem dinheiro para criar perfis falsos que engordem essas contas. “Com a explosão do Facebook, vários sites que recebem cartão de crédito desconta o proporcional aos cliques e seguidores que você quer. São pessoas que não existem de verdade.”

Divulgação/Facebook
Post da Dilma Bolada publicado na sexta-feira (23) foi compartilhada 476 vezes

No mês passado, o jornal americano The New York Times publicou uma reportagem falando justamente sobre isso. De acordo com a publicação, qualquer pessoa consegue ganhar 4 mil seguidores desembolsando apenas cinco dólares. Por 3.700 dólares garante-se 1 milhão de seguidores. “As pesquisas do setor indicam essa compra por parte das campanhas, mas o Facebook faz sigilo sobre todos os seus números”, lamenta Rebêlo.
Coordenador da campanha digital do PT em 2010, Marcelo Branco acha que todos os partidos engatinham no assunto. Eles ainda acreditariam que é possível atrair eleitores apenas reproduzindo nas redes o conteúdo produzido pelo site oficial da campanha. “É preciso estimular os jovens do partido a produzir seu próprio material porque só o que é original e espontâneo ganha adepto nas redes”, defende. “Hoje os partidos só falam com seu próprio gueto. As legendas precisam aprender com os jovens das manifestações de junho/2013 como fazer campanha de rede.”

TV Revolta destila críticas à Copa do Mundo e a serviços públicos apontando o PT como único responsável. Foto: Facebook/Reprodução

Embora lamente “a atuação direitista” de páginas como a TV Revolta, Branco considera Dilma Bolada uma novidade política. “Ele [Jeferson] acertou na linguagem, na forma e fez um trabalho melhor para o governo do que a Secretaria de Comunicação da presidente”, alfineta.
Especialista em marketing digital, Gabriel Rossi garante que os grupos de pressão, como a TV Revolta, sempre existiram. “O que a internet deu ao longo desses anos foi maturidade a eles, que hoje se organizam em rede trabalhando coordenadamente.”
Rebêlo cita uma página semelhante à TV Revolta, mas antitucana: “O Poços10 deveria falar sobre a cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, mas serve apenas para criticar Aécio Neves”, candidato do PSDB à Presidência.
“Na prática", diz ele, "uma faixa de feliz aniversário ao prefeito supostamente paga por cidadãos satisfeitos na verdade é bancada por partidos políticos. O que a gente começa a ver na web é a reprodução da campanha fora da internet, que sempre foi suja.”
O iG entrou em contato com o criador de Dilma Bolada e com João Vitor de Almeida Lima, da TV Revolta, mas eles não responderam até o fechamento da reportagem.
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    PARA INCENTIVAR LEGALIZAÇÃO, PÁGINAS COM MULHERES FUMANDO MACONHA SÃO CRIADAS



    Para advogado criminalista, prática pode ser considerada apologia ao crime, passível de punição na Justiça

    Nudez, biquinho, sensualidade e muitos sorrisos. Na onda das campanhas pela legalização da maconha no Brasil, cada vez mais fortes graças à popularização das redes sociais, uma jovem empresária pernambucana criou páginas em sites como Facebook, Twitter e Instagram nas quais a luta pelo objetivo passaram a se embasar principalmente no apelo visual do sexo feminino.


    Uma empresária de Pernambuco criou há alguns meses páginas nas redes sociais que pedem a legalização da maconha por meio de postagens de fotos de mulheres consumindo

    A ação, no entanto, pode render problemas à autora das páginas.

    O problema não é ligado ao uso de drogas, ilegal de acordo com o Código Penal brasileiro, pois não é possível provar que o produto consumido nas imagens seja maconha
    Criadas há poucos meses, Garotas que Fumam Maconha e Mulheres Maconheiras, as duas mais populares do gênero no País - 4.513 e 2.866 curtidas, respectivamente -, levam a seus seguidores dezenas de fotos de mulheres fazendo uso da droga em poses naturais, ora bem humoradas, ora provocativas. Mais do que isso, incentiva as fãs a enviarem suas próprias imagens para publicação, o que, não raro, é cumprido por elas.

    A prática, no entanto, pode ser considerada apologia ao crime, já que o consumo de maconha é ilegal, de acordo com o código penal do País. "A discussão sobre a legalização é perfeitamente cabível, bem como a liberdade de expressão de pensamento e de reunião. Mas quando você vai além disso e acaba incitando a prática ao ilícito, isso pode levar o Ministério Público a tirar a página do ar", explica ao iG o advogado criminalista Luiz Cogan, membro efetivo da Comissão Antidrogas da OAB-SP.

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    "Tanto a criadora da página quanto seus seguidores não podem ser punidos pelo consumo, pois é necessária a materialidade do produto. Se a pessoa tiver usado droga e for parada pela polícia sem tê-la consigo, ela não pode ser detida", exemplifica. "Agora, esse incentivo para mandarem fotos de uso do ilícito pode ser interpretado como incentivo ao consumo, uma vez que isso não visa a debater que a legalização é benéfica à sociedade, mas simplesmente mostrar pessoas cientes de que a lei de drogas estabelece que o uso permanece sendo crime no País."



    Fotos: Reprodução:Facebook


    Osvaldo Aires Bade Comentários Bem Roubados na "Socialização" - Estou entre os 80 milhões  Me Adicione no Facebook