terça-feira, 16 de abril de 2013

SEXO, SEXO, SEXO, DO COMEÇO AO FIM, NO LIVRO MAIS FALADO DO MOMENTO — E O MAIS VENDIDO NO MUNDO

24/06/2012 às 16:05 \ Livros & Filmes
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A despeito de décadas de feminismo, ser subjugada e dominada por um macho alfa ainda seria mesmo a suprema fantasia feminina? (Foto: Getty Images)
(Publicado em VEJA de 6 de junho de 2012, por Mario Mendes)

CINQUENTA TONS DE CINZA: ATA-ME
O estrondoso sucesso mundial do livro ”Cinquenta Tons de Cinza” sugere que, a despeito de décadas de feminismo, ser subjugada e dominada por um macho alfa ainda seria a suprema fantasia feminina
Anastasia Steele é uma radiante garota na flor de seus 21 anos, prestes a se formar em literatura. Ingênua e bem-comportada, ela nunca teve sequer um namorado. Na verdade, ainda é virgem. Perto dos 30 anos, Christian Grey tem cabelos acobreados, é alto, forte, de corpo muito bem definido, porém não musculoso demais, e bi – isto é, bilionário.
Os dois se encontram por acaso quando ela vai, no lugar de uma amiga, entrevistá-lo para o jornal da faculdade. A atração mútua é fulminante e avassaladora. Se Grey é a imagem perfeita do príncipe encantado dos sonhos de Anastasia, ele não suporta mais ficar um instante longe dela. Parece se tratar de uma união simplesmente divina, não fosse o fato de o magnata possuir um traço terrível e obscuro em sua personalidade.
Na luxuosa cobertura envidraçada onde vive, na cidade americana de Seattle, entre valiosas obras de arte e um piano de cauda branco – que ele toca com o talento de um virtuose -, existe “o quarto da dor”. Decorado com veludo vermelho e couro negro, o cômodo é equipado com cama gigante, almofadas confortáveis, chicotes, coleiras, correntes, algemas e todo o aparato necessário para intensas sessões de sexo sadomasoquista.
Em vez de propor casamento, Grey espera que Anastasia se torne sua escrava sexual e principal objeto de prazer. “Não sou do tipo romântico”, diz, em tom autoritário, para a aterrorizada porém perdidamente apaixonada donzela. Mesmo hesitante, ela aceita o desafio, que inclui total submissão, açoitamento, palmadas, olhos vendados, punhos atados e nenhum carinho.
Tudo descrito nos detalhes mais gráficos, epidérmicos e voluptuosos. Conseguirá a inocente heroína conquistar o amor verdadeiro mergulhando nessa relação no mínimo doloridíssima?

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PORNÔ PARA MAMÃES -- A trilogia de E.L. James tornou práticas sexuais nada ortodoxas palatáveis para o grande público: "As mulheres se sentiram encorajadas a voltar a falar sobre sexo", diz a autora

Esse é o enredo de Cinquenta Tons de Cinza, o livro que todo mundo está lendo, comprando, baixando na internet, comentando, recomendando, discutindo e, acima de tudo, a-do-ran-do no mundo inteiro. Devido ao caráter extremamente explícito das cenas de sexo, que vêm misturadas à linguagem simples dos romances baratos e ao enfoque descaradamente água com açúcar da história de amor, a obra já foi qualificada como “pornô para mamães” e “Cinderela tarada”.
Desde seu lançamento nos Estados Unidos, em março, vendeu mais de 10 milhões de exemplares em apenas seis semanas, tornando-se o maior fenômeno editorial dos últimos tempos e deixando para trás pesos-pesados como o mega-best-seller O Código Da Vinci e a sagaCrepúsculo.
Aliás, essa última é a verdadeira culpada pela existência de Cinquenta Tons de Cinza. Foram os romances vampirescos de Stephenie Meyer que levaram a até então desconhecida inglesa E.L. James – ex-gerente de produção de TV, casada, mãe de dois garotos adolescentes e idade “lá pelos 40″ – a escrever sua própria trilogia (as duas continuações,Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade, estão vendendo tão bem quanto o original).

DEVANEIOS DELIRANTES Apaixonada pela saga Crepúsculo, a inglesa E.L. James começou a escrever apenas como passatempo: 25% do mercado literário americano e direitos vendidos para o cinema por 5 milhões de dólares (Foto: Ni Sindication / Other Images)
DEVANEIOS DELIRANTES -- Apaixonada pela saga "Crepúsculo", a inglesa E.L. James começou a escrever apenas como passatempo: agora, domina 25% do mercado literário norte-americano e vendeu direitos para o cinema por 5 milhões de dólares (Foto: Ni Sindication / Other Images)

“Um exemplarzinho só já estaria bom”
Em 2008, depois de ler e se apaixonar pelas aventuras do vampiro Edward e sua amada Bella, Erika Leonard (só o sobrenome James não é o seu verdadeiro) passou a escrever variações da trama no popular site Fanfiction.net, no qual fãs podem postar histórias criadas a partir de livros de sucesso favoritos como, por exemplo, a série Harry Potter.
Um dia ela decidiu ir além e começou a escrever o que viria a ser Cinquenta Tons de Cinza. O conteúdo on-line não demorou muito a atrair a atenção de uma pequena editora australiana, que propôs à autora cobrar pelo download da história e também fazer cópias impressas por encomenda. O sucesso da empreitada foi tão instantâneo e avassalador quanto a atração entre Anastasia e Grey.
Quando Cinquenta Tons se tornou o número 1 na lista de e-books doThe New York Times e a versão impressa se esgotou nas livrarias, as grandes editoras americanas começaram a disputar os direitos de publicação. A vitoriosa foi a Vintage Books, uma subsidiária da gigante Random House.
No começo de junho, o serviço de verificação de venda de livros nos Estados Unidos, o BookScan, informou que a trilogia acabara de abocanhar 25% do mercado americano de ficção adulta, além de ter ganhado tradução para 37 idiomas. Também os direitos de adaptação cinematográfica já foram adquiridos, pela Universal e pela Focus Features, por alegados 5 milhões de dólares – um recorde que pertencia a O Código Da Vinci, comprado por 3 milhões.
Detalhe: a escolha do elenco está sujeita à aprovação da autora. “Nunca, nem nos meus devaneios mais delirantes, imaginei que o livro se tornaria o que se tornou”, declarou E.L. James, uma morena de humor transbordante, à editora executiva Isabela Boscov durante uma conversa num café de Londres pontuada por suas risadas e tiradas espirituosas. “A extensão da minha ambição era um dia ver o livro – um exemplarzinho só já estaria bom – na vitrine de uma livraria.”
“Estamos diante de um daqueles livros de suspense impossíveis de largar, espetacular e totalmente original”, acredita Jorge Oakim, da Intrínseca, a editora que desembolsou 780 000 dólares para publicar a trilogia no Brasil (o lançamento está previsto para agosto) e deter os direitos da tradução em português para e-books em todo o mundo.
Mas um momento: quem quer saber de suspense diante de um material quente como Cinquenta Tons de Cinza? É o sexo que interessa. Principalmente como são descritas as práticas S&M: “De maneira totalmente saudável, segura e consentida por ambas as partes”, como observou um crítico americano.
Metódico e cauteloso, Grey coloca em um contrato todas as suas exigências e expectativas sexuais para Anastasia. Em uma piscadela para a literatura de autoajuda, a trilogia funciona como um manual erótico para quem deseja sair da rotina sexual de um relacionamento, sem no entanto resvalar na perversão canalha ou na promiscuidade pura e simples. Além de estritamente monógamo, Grey só avança nos jogos violentos (“mas bem menos violentos que o S&M do mundo real”, frisa a autora) com a absoluta aquiescência de Anastasia. Que, não obstante seus momentos de dúvida, topa tudo por amor.
O universo da literatura erótica feminina
O tema também está longe de ser original. Submissão sadomasô é o mote de História de O, clássico erótico publicado nos anos 50 e filmado nos 70. Vale lembrar que, nos últimos setenta anos, várias escritoras – muitas delas de talento superior ao de E.L. James – se dedicaram a escrever histórias encharcadas de sexo ou livros inteiros sobre o assunto. Além disso, uma gorda fatia do mercado literário internacional se dedica aos chamados romances femininos.

RAINHA COR-DE-ROSA A inglesa Barbara Cartland, a mais famosa escritora de best-sellers açucarados para mulheres: heroínas virgens que só se entregam ao amado no último parágrafo (Foto: Gianni Minischetti / Getty Images)
RAINHA COR-DE-ROSA -- A inglesa Barbara Cartland, a mais famosa escritora de best-sellers açucarados para mulheres: heroínas virgens que só se entregam ao amado no último parágrafo (Foto: Gianni Minischetti / Getty Images)

São livros de bolso impressos em papel barato que contam histórias de amor despudoradamente melosas, arrematadas com o esperado e inevitável final feliz e salpicadas aqui e ali com cenas mais palpitantes.
A fórmula – subtraídas dela as cenas palpitantes – fez a fama da inglesa Barbara Cartland, a rainha da literatura cor-de-rosa (ela só se vestia nesse tom), cujas heroínas somente se entregavam ao amado no último parágrafo. Autora de mais de 700 títulos do gênero, Barbara vendeu mais de 1 bilhão de exemplares no mundo inteiro.
Esse é também o nicho dominado pela editora canadense Harlequin – que em 1971 adquiriu outro gigante do gênero, a inglesa Mills & Boon, mantida até hoje como marca independente e milionária. Só a Harlequin lança cerca de 110 títulos por mês e, claro, também possui coleções eróticas, a exemplo da série sugestivamente intitulada Homens de Uniforme.

MATRIZ CLASSICA Jane Austen, uma das maiores prosadoras da língua inglesa: os personagens de seu Orgulho e Preconceito viraram uma das inspirações para o casal improvável de Cinquenta Tons de Cinza (Foto: Stock Montage / Getty Images)
MATRIZ CLASSICA -- Jane Austen, uma das maiores prosadoras da língua inglesa: os personagens de seu "Orgulho e Preconceito" viraram uma das inspirações para o casal improvável de "Cinquenta Tons de Cinza" (Foto: Stock Montage / Getty Images)

E.L. James não esconde de onde vem a inspiração para a sua trilogia: Anastasia, a protagonista, é leitora devota do Orgulho e Preconceito de Jane Austen, do Jane Eyre de Charlotte Brontë e do Tess dos D’Ubervilles de Thomas Hardy, entre outros clássicos da literatura inglesa do século XIX. Os personagens dessas obras, aliás, emprestam traços marcantes aos seus próprios personagens: Christian Grey tem o cavalheirismo, a arrogância e a absoluta, ainda que adorável, falta de de autoconhecimento do James Darcy de Orgulho e Preconceito (“ele é homem, afinal”, brinca E.L.), enquanto Anastasia é tão excitável, rápida no troco e desaforada quanto a mulher pela qual Darcy reluta em se admitir apaixonado, Elizabeth Bennet.

INGÊNUA, MAS FIRME Charlotte Brontë: seu clássico Jane Eyre é um precursor das histórias de amor e dominação (Foto: Stock Montage / Getty Images)
INGÊNUA, MAS FIRME -- Charlotte Brontë: seu clássico "Jane Eyre" é um precursor das histórias de amor e dominação (Foto: Stock Montage / Getty Images)

Da mesma forma, Christian e Ana espelham o irascível Mr. Rochester e a ingênua, mas inquebrantável, Jane Eyre do romance homônimo. E, como Tess, Ana treme de medo diante da sedução do cafajeste D’Uberville e palpita de amor por Angel Clare – a diferença é que, neste caso, esses dois personagens são fundidos em Christian Grey como facetas polares de sua personalidade.
“Quando me apontam essas semelhanças, porém, respondo que todas essas histórias têm a mesma matriz: A Bela e a Fera, que pode ser lida como um símbolo do poder transformador e revelador que as mulheres às vezes exercem sobre os homens – sem os quais, por sua vez, elas não podem atingir uma feminilidade plena”, diz E.L.

PODER TRANSFORMADOR A Bela e a Fera, na versão do cineasta Jean Cocteau: o desejo feminino de mudar o homem (Foto: The Picture Desk / AFP)
PODER TRANSFORMADOR A Bela e a Fera, na versão do cineasta Jean Cocteau: o desejo feminino de mudar o homem (Foto: The Picture Desk / AFP)

As feministas – sempre elas – não gostaram e acusam a autora de glorificar a submissão ao macho alfa. “Além disso, é um livro muito mal escrito”, esbravejou a americana Erica Jong, autora de Medo de Voar, um dos marcos do erotismo feminista (e que não é ele próprio tão bem escrito assim, diga-se). E.L. James não se abala. “O que Cinquenta Tons fez foi encorajar as mulheres a voltar a falar sobre sexo. Isso é avanço, e não retrocesso”, devolve.
Treze tons de rosa
Mulheres que conquistaram leitores falando de sexo sem censura e sem vergonha

Anaïs Nin (1940)

Anaïs Nin

Escreveu contos sob encomenda (1 dólar a página) para um cliente rico interessado em pornografia. O resultado foram as coletâneas Delta de Vênus e Pequenos Pássaros, cuja publicação só foi autorizada pela autora francesa nos anos 70
Tereska Torres (1950)

Tereska Torres

Sacudiu o mercado editorial popular com Women’s Barracks, sobre as relações entre mulheres no Exército francês durante a II Guerra. Em dois anos, vendeu mais de 2 milhões de exemplares só nos Estados Unidos

Adelaide Carraro (1963)

Adelaide Carraro

Com o explosivo romance Eu e o Governador – sobre um suposto e apimentado affair com o político Jânio Quadros -, a escritora paulista virou sinônimo de pornografia. Especializou-se no gênero e foi um fenômeno de vendas em sua época

Jacqueline Susann (1966)

Jacqueline Susann

Com sexo, drogas e mexericos, a escritora americana vendeu 30 milhões de exemplares do seu O Vale das Bonecas. Em A Máquina do Amor, criou um herói sexy, frio e violento, como o Christian Grey deCinquenta Tons de Cinza

Xaviera Hollander (1971)

Xaviera Hollander

Na autobiografia A Aliciadora Feliz, contou em detalhes escandalosos sua trajetória de secretária executiva a bem-sucedida dona de bordel em Nova York. Aos que a acusavam de indecente, respondia que se tratava de um “guia sexual para a mulher do século XX”

Erica Jong (1973)

Erica Jong

Medo de Voar foi um dos estrondos editoriais da década de 70, com altas doses de erotismo, feminismo, papo-cabeça e palavrões. O escândalo maior, entretanto, ficou por conta da protagonista, que admitia praticar o adultério sem culpa nem remorso

Emmanuelle (1974)


Emmanuelle

Graças ao sucesso do filme com Sylvia Kristel no papel-título, o livro de Emmanuelle Arsan, de 1959, chegou à lista dos mais vendidos. É a história da mulher de um diplomata que se entrega a fantasias sexuais na exótica Bangcoc

História de O (1975)


História de O

Outro caso de filme que fez a fama do livro – este escrito em 1954, por Pauline Réage (pseudônimo de Anne Desclos). A jovem O é entregue a vários homens pelo próprio amante, numa trama que dilui Marquês de Sade em pseudointelectualismo e alta-costura

Shere Hite (1976)


Shere Hite
Muito mais comentado do que lido, O Relatório Hite – uma investigação sobre a sexualidade feminina – pôs em discussão assuntos até então tabus, como orgasmos múltiplos e masturbação. Considerada “a primeira feminista bonita”, Shere atualizou e republicou o livro em 2006

Jackie Collins (1979)


Jackie Collins

Atriz obscura, a inglesa passou a escrever romances tórridos em que o sexo é o prato principal. Já vendeu cerca de 400 milhões de exemplares com títulos nada sutis como A Vadia, O Garanhão e O Mundo Está Cheio de Homens Casados

Ariella (1980)

Ariella

A enorme bilheteria do filme – baseado no romance A Paranoica – foi proporcional ao sucesso da autora do livro, Cassandra Rios, no Brasil dos anos 60 e 70. Entre suas obras lésbico-eróticas estão também Tessa, a Gata e A Santa Vaca.

Judith Krantz (1982)


Judith Krantz

Ex-jornalista de moda, a escritora americana gosta de personagens ricos e ambientes glamourosos. Mas explora con gusto as cenas de sexo altamente gráficas em romances como LuxúriaPrincesa Margarida e A Filha de Mistral

Catherine Millet (2002)


Catherine Millet

Vida Sexual de Catherine M. revelou um lado desconhecido da editora da prestigiosa revista francesa ArtPress. Nesse diário, ela confessa em detalhes sua preferência pelo sexo grupal – mas sempre na companhia do marido.


ABISMO ÉTNICO MANTÉM A UNIÃO FORA DO ALCANCE EM MIANMAR

Por Thomas Fuller- The New York Times News Service/Syndicate


Abismo étnico mantém a união fora do alcance em Mianmar
























Myitkyina, Mianmar – Quando os residentes desta região do extremo norte de Mianmar falam sobre as grandes mudanças dos últimos dois anos, não se referem às liberdades da mídia ou à abertura econômica que transformam outras partes do país.

Falam da radicalização do grupo étnico kachin, cujos membros habitam as encostas do Himalaia, perto das fronteiras com a China e Índia, e que se tornaram mais militantes do que em qualquer outras época em décadas, dizem os líderes kachin. Após 22 meses de luta com as tropas do governo, a postura da população endureceu, ameaçando desfazer os ganhos que o governo alcançou no sentido da democratização.

Como um termômetro das dificuldades da reconciliação nacional em Mianmar, o estado de Kachin é um lembrete sóbrio da quantidade de ódio e desconfiança que há entre a maioria birmanesa e as minorias étnicas que vivem nas regiões serranas do país. Os jovens daqui agora falam abertamente sobre a independência. As igrejas em todo o estado de Kachin estão organizando orações e jejuns de 24 horas em apoio ao Exército Para a Independência de Kachin, que vem recuando recentemente diante dos ataques da força militar de Mianmar.

'A população está comprometida com essa luta', afirmou o reverendo Samson Hkalam, líder da igreja batista em Myitkyina. Os jovens que anteriormente eram céticos em relação ao exército rebelde atualmente estão se alistando voluntariamente, declarou. 'É um milagre – a inspiração e o espírito do povo.'

Há dois anos, quando o Presidente Thein Sein deu início ao primeiro governo civil em Mianmar em cinco décadas, ele prometeu dar prioridade máxima à unidade nacional. Seu mandato criou uma série de acordos de cessar-fogo com grupos étnicos armados e continua tentando engajar líderes étnicos. As ações aumentaram as esperanças entre a minoria kachin de que o fim do governo militar poderia finalmente trazer a autonomia há muito almejada.

Mas três meses após Thein Sein assumir o cargo, começou a luta no estado de Kachin, encerrando um cessar-fogo de 17 anos. A causa imediata foi uma disputa do território ligado a um projeto de uma represa para uma usina hidroelétrica chinesa, mas a questão mais ampla era, e ainda é, o grau de autonomia que os kachin teriam.



Adam Dean/The New York Times



Adam Dean/The New York Times

A luta aumentou em dezembro, com o bombardeamento aéreo do território kachin pela força militar. O conflito criou uma onda de 90.000 refugiados e agravou as queixas de longa data dos kachin.

'Estamos zangados e tristes, e nos sentimos sozinhos', declarou Tsin Ja, professora de uma aldeia próxima a Myitkyina, a capital de Kachin. 'A democracia representou um retrocesso para nós.'

Tsin diz que o número de alunos em suas aulas da língua kachin aumentou bastante no último ano, já que tantos os pais quanto os filhos defendem a identidade cultural kachin.

Ela ensina o idioma kachin em uma igreja porque ele não faz parte do currículo escolar nas escolas do governo, uma grande fonte de ressentimento.

'Meus alunos dizem: 'Não vamos mais falar birmanês'', declarou. 'Os jovens têm muito ódio e aspereza em relação aos birmaneses. É muito diferente de quando eu era criança.'

Analistas estão divididos acerca do que a deterioração das relações entre os kachin e o governo central significa para as medidas gerais do país na direção da democracia e da abertura econômica. Inúmeros países do sudoeste da Ásia, inclusive a vizinha Tailândia, tornaram-se prósperos apesar de conflitos étnicos ou religiosos.

Mas encerrar as batalhas com grupos minoritários foi uma condição importante para os países ocidentais suspenderem as sanções impostas ao governo militar. Os acordos de paz que o governo assinou com outros grupos são frágeis, e alguns estão se desgastando com relatos de conflitos periódicos entre os militares birmaneses e os exércitos étnicos.

O Exército Para a Independência de Kachin tem mais de 4.000 homens e o poder de perturbar a economia de uma vasta região rica em madeira, minerais e jade, especialmente usando táticas de guerrilha. Até agora, o exército de Kachin tem se engajado em um tipo de guerra de trincheira, recuando montanha a montanha na medida em que as tropas birmanesas avançam perto do quartel-general fora da cidade de Laiza.



Adam Dean/The New York Times



Adam Dean/The New York Times

Mas os kachin também têm uma aliança em potencial com o grupo étnico vizinho, os wa, que têm aproximadamente 20.000 soldados e armamento sofisticado. Os wa fizeram as pazes com o governo. Mas eles divulgaram uma declaração com outros grupos em janeiro expressando preocupação em relação à luta kachin e afirmando que o país iria 'retroceder' se a luta não parasse. Uma guerra mais ampla que incluísse a etnia wa e outros aliados étnicos seria potencialmente debilitante para Mianmar.

'Sempre haverá tensões, nacionalismos rivais, debates sobre a discriminação e pelo menos a possibilidade de violência sectária', afirmou U Thant Myint-U, catedrático de História Birmanesa e conselheiro de Thein Sein. 'Mas isso é muito diferente de ter boa parte do país sendo disputada por dezenas de milhares de homens armados, pertencentes a dezenas de milícias diferentes.'

A etnia kachin compõe uma pequena parte da população, mais ou menos um milhão em um país de 55 milhões de pessoas e, como outras minorias, tem relativamente pouco em comum com a maioria birmanesa. Eles falam idiomas distintos. Os kachin são predominantemente cristãos, enquanto os birmaneses são esmagadoramente budistas. Os kachin habitam as colinas, e os birmaneses vivem nas terras baixas. Eles comemoram feriados distintos. Os kachin foram frouxamente governados pelos britânicos durante o período colonial, enquanto as áreas birmanesas foram integradas ao império britânico.

Manam Hpang, o autor de um dicionário inglês-kachin-birmanês, afirmou que os kachin têm uma sensação profunda de perseguição como cristãos em uma terra budista. Durante o governo militar, o governo construiu pagodes budistas no estado e tentou censurar a versão birmanesa da bíblia cristã, inclusive com a proibição do uso da palavra birmanesa para 'Provérbios' no texto, porque era a mesma palavra usada nos textos budistas.

'Temos educações distintas, culturas distintas – somos incompatíveis', Manam declarou. 'Não temos ligação com essas pessoas. Os kachin perceberam que devemos ter a independência. Sem ela, seremos devorados.'

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BANDA VIOLETA DE OUTONO



O Cultura Viva, programa de shows da rádio Cultura do Pará, apresenta toda psicodelia da banda Violeta De Outono, numa apresentação no Theatro Municipal de São Paulo, em 2009, que deu origem a um DVD. A banda surgiu em meados de 1984 no circuito underground paulistano, moldando uma sonoridade própria ao misturar as tendências da época à psicodelia do Pink Floyd e Beatles.

Em sua trajetória de quase 30 anos, o Violeta de Outono se desenvolveu paralelamente ao estilos do mercado, tendo sua música atravessado os modismos e o tempo, o que garantiu à banda status de cult e reconhecimento internacional. Suas apresentações, conhecidas até hoje pela atmosfera lisérgica e hipnótica, são referência em termos de sons climáticos e espaciais."

Durante o programa recebemos no estúdio o Prof Marcos Moraes , colecionador e admirador da banda, para conversarmos num link direto de São Paulo, com Fabio Golfetti, guitarrista e vocalista do grupo, que comenta faixa a faixa o espetáculo, fala da discografia, sobre as influências de Pink Floyd, Beatles, da "The invisible opera company of tibet", Soft Machine, Gong e Daevid Allen. Além do Golfetti, o Violeta tem em sua formação atual Gabriel Costa (Baixo); Fernando Cardoso (Orgão Hammond, Pianos e Synth) e José Luiz Dinola (Bateria). Mas nesta apresentação quem assumiu a bateria foi Cláudio Souza, membro da formação original.


Neste DVD, o Violeta de Outono toca na íntegra seu primeiro e clássico LP, lançado originalmente em 1987 pela gravadora RCA. No repertório, além de músicas como “Dia Eterno” e “Outono”, hits presentes em várias rádios brasileiras, destaca-se também a aclamada versão para um hino psicodélico dos Beatles, “Tomorrow Never Knows”. A sonoridade do disco, com a formação em trio, foi complementada por órgão Hammond e piano, dando uma nova roupagem à melancolia e psicodelia do álbum original. Imperdível!


Cultura Viva, todas as sextas, 20h, na rádio cultura do pará
Produção e Apresentação: Fabrício Rocha

MÚSICA! Podcast --> (AQUI)

https://soundcloud.com/fabriciorocha-1/cultura-viva-violeta-de-outono




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DECADÊNCIA: LÍDER DA MAIOR DENOMINAÇÃO ASSEMBLEIANA DO BRASIL SINALIZA APOIO À REELEIÇÃO DE DILMA ROUSSEFF
Julio Severo

Pr. José Wellington Bezerra da Costa

Em entrevista ao jornal esquerdista Folha de S. Paulo, o Pr. José Wellington Bezerra da Costa, de 78 anos, se mostrou muito positivo com relação ao governo do PT. Os sinais vindo de Wellington, antigo aliado do PSDB, são importantes, pois ele é o presidente da maior denominação assembleiana do Brasil.

Beijar o PSDB é o primeiro passo para ir para a cama com o PT. Quer um grande exemplo assembleiano? A carreira de garoto propaganda político do Bispo Manoel Ferreira começou com seu apoio a Fernando Henrique Cardoso quase 30 anos atrás para a prefeitura de São Paulo. Ele pouco se importou que FHC fosse marxista, ateu e defensor da maconha — e adúltero.
Na época, escrevi uma carta à sede da Assembleia de Deus, questionando como um pastor podia apoiar um descarado socialista. Nunca obtive resposta do líder da segunda maior denominação assembleiana do Brasil.

Em 2010, Ferreira fez o “sacrifício” de renunciar a uma candidatura a senador para se tornar o secretário especial da candidata Dilma para assuntos evangélicos. Deus sabe o que foi que ele ganhou do PT para ocupar esse cargo e levar os evangélicos a votar em Dilma.

O Pr. José Wellington parecia um fiel aliado do PSDB, partido igualmente socialista, mas os ventos estão mudando. A entrevista à Folha de S. Paulo trouxe revelações de transformação:

Folha: Qual a sua opinião sobre a Dilma?

José Wellington: Eu vejo com muito bons olhos. Confesso a você que não votei na Dilma. Eu tinha certos resquícios do PT lá em São Paulo. Mas esta senhora tem superado [as expectativas]. Ela pegou uma caixa de marimbondo na mão, mas tem sido muito honesta com seu governo e com o povo. Hoje, na minha concepção, a candidatura dela é uma nomeação, não precisa nem ir para a eleição, ela é eleita tranquilamente.

Folha: Vocês apoiam ela em 2014?

José Wellington: Eu até teria muito motivo para dizer não, mas esqueço tudo isso aí a bem do povo, ela tem sido muito correta na administração do nosso país.
Mas o foco da entrevista foi Marco Feliciano, que está sendo hostilizado pelas esquerdas por ter sido nomeado presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH).
O jornalista da Folha alfinetou repetidamente o Pr. José Wellington sobre Feliciano, inclusive nesta pergunta:

Folha: Há um levante preconceituoso contra o Feliciano?

José Wellington: O Feliciano é novo, jovem, inteligente e eu creio que vocês são inteligentes, vocês estão vendo que ele está querendo tirar proveito. Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. O Marco Feliciano, bobo ele não é.

Wellington acabou de ser reeleito presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), a maior denominação evangélica do Brasil, com mais de 12 milhões de membros. Seu opositor na eleição denominacional apoiou Dilma na eleição presidencial de 2010.
Wellington não é político, mas não foi bobo. Ele deixou para manifestar seu apoio a Dilma logo depois de sua reeleição como presidente na CGADB. Se tivesse dito antes, haveria cobranças e riscos.
Ele pode hoje estar se achando esperto por apoiar Dilma — a mesma esperteza já demonstrada abundantemente por Manoel Ferreira.
Entretanto, o PT, como manda a sórdida cartilha socialista, sempre trai seus aliados cristãos. É só perguntar para Marco Feliciano, que como pastor assembleiano apoiou fervorosamente a eleição de Dilma em 2010, mas hoje sofre a oposição de todas as esquerdas do Brasil por sua posição contra a agenda do aborto e homossexualismo.
Vai chegar a hora da oposição e traição socialista ao Bispo Manoel Ferreira e ao Pr. José Wellington. A menos, é claro, que eles ajam “diplomaticamente” com relação ao homossexualismo sagrado e ao sacrifício de bebês em gestação que a agenda do PT e outros socialistas quer impor sobre o Brasil.

Se tentarem dar uma de Silas Malafaia ou Feliciano e denunciarem essa agenda de modo público e forte, sofrerão a ira dos deuses socialistas.

Leitura recomendada:


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