sábado, 19 de janeiro de 2013


SEIOS SILICONADOS, MANSÕES, APARTAMENTOS PAGOS EM DINHEIRO VIVO, JOIAS, SECRETÁRIAS PARTICULARES: AS MULHERES DE BANDIDOS CARIOCAS QUE CUMPREM PENA GASTAM DINHEIRO A RODO — E AJUDAM OS MARIDOS A TOCAR SEU NEGÓCIO CRIMINOSO

18/01/2013 às 14:00 \ Política & Cia

trafico-herdeiras

Mulheres herdam poder e fortuna de traficantes presos
Publicado originalmente em 25 de maio de 2012.
(Reportagem de Leslie Leitão publicada na edição impressa de VEJA)

Bandidos
HERDEIRAS DO TRÁFICO

Os inquéritos policiais não deixam dúvida: as mulheres dos chefões da bandidagem carioca, hoje presos, usufruem à vontade suas fortunas e são essenciais para garantir a continuidade dos principais redutos do crime no Rio
O grupo de mulheres a seguir vem acumulando dinheiro e poder nos principais QGs da bandidagem carioca depois que seus maridos, figuras do alto escalão na hierarquia do crime, foram parar na prisão.
Do lado de fora, são elas que zelam pelo patrimônio que eles amealharam e continuam a acumular, mesmo encarcerados – em alguns casos, há anos.
A lógica da reprodução do dinheiro sujo não varia muito de um caso para o outro. Essas mulheres encabeçam verdadeiras “lavanderias” constituídas de pequenos negócios fincados nas favelas onde vivem e mandam, não raro com mãos de ferro. Também esparramam os tentáculos dos impérios criminosos que representam pelo mercado imobiliário, comprando e revendendo imóveis no Brasil inteiro com a ajuda de redes de laranjas. E servem de leva-e-traz da prisão.
Mesmo na cadeia, os grandes bandidos cariocas continuam mandando no tráfico
“As primeiras-damas do tráfico são, em geral, guardiãs zelosas e aplicadas dos impérios erguidos por seus maridos, quando não ocupam posição de destaque nas quadrilhas”, diz o delegado de polícia Luiz Alberto Andrade, que investigou quatro das cinco mulheres que aparecem nestas páginas e levou três à prisão.
Elas aguardam em liberdade o andamento de processos que se arrastam na Justiça, quase sempre sob a acusação de lavagem de dinheiro e, às vezes, também de associação com o tráfico. Suas histórias, bem detalhadas nos inquéritos aos quais VEJA teve acesso, não só desvendam sua trajetória no mundo do crime como escancaram uma realidade incômoda.
Mesmo na prisão, os grandes bandidos cariocas permanecem no comando do tráfico nas favelas, inclusive naquelas recém-ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, como Rocinha e Complexo do Alemão. Com uma vida cercada de luxos, elas ajudam a garantir aos marginais com quem se uniram o essencial: a continuidade.
Conheça algumas dessas mulheres de bandidos:
A “juíza”
Flávia dos Santos Lima, mulher do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB
Flávia dos Santos Lima, mulher do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB: seios de silicone, correntes de ouro, maços de dinheiro vivo na bolsa
Flávia dos Santos Lima, 37 anos, nunca se preocupou em esconder os sinais da riqueza que acumulou como “primeira-dama” de Vila Cruzeiro, favela da Zona Norte, um dos mais lucrativos redutos do crime no Rio de Janeiro. Ao contrário.
A mulher do bandido que ordenou o abate de um helicóptero da Polícia Militar, Fabiano Atanásio da Silva, o FB, hoje preso, adora ostentar suas correntes de ouro, várias ao mesmo tempo, e exibir pilhas de dinheiro vivo no meio da rua. Certa vez, apareceu em uma concessionária disposta a sair de carro novo. “Em questão de minutos, ela pagou 100 000 reais em espécie por uma caminhonete preta”, conta um dos investigadores, que prendeu a moça dois meses atrás.
Assídua cliente de clínicas de estética
FB continua na prisão, mas a mulher, que responde a um processo por associação com o tráfico e lavagem de dinheiro, já está livre, cuidando e usufruindo do patrimônio do marido, com quem tem dois filhos. Seu nome consta da clientela assídua de clínicas de estética povoadas por celebridades e sobrenomes da alta sociedade carioca (Flávia não nega: fez lipoescultura, pôs silicone nos seios e aplicou Botox).
Antes de a Justiça ordenar o sequestro de bens de FB, ela ainda conseguiu embolsar 500 000 reais pela venda de uma casa em Peruíbe, no litoral paulista, que estava em seu nome. Moça de boa lábia, costumava ser apresentada pelo marginal como “juíza”. Assim, ajudou a acobertar um dos grandes bandidos da cidade e fez negócios por meio dos quais o dinheiro do tráfico foi sendo lavado e o império do marido, mantido a todo o vapor.

Ninguém mexe com a mulher do chefe
Danubia de Souza Rangel, mulher do traficante António Francisco Bonfim Lopes, o Nem (Foto: Reprodução)
Danubia de Souza Rangel, mulher do traficante António Francisco Bonfim Lopes, o Nem: aproveitando à vontade o dinheiro do marido, inclusive em passeios de helicóptero
Depois de se unir ao traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, bandido número 1 da Rocinha, Danúbia de Souza Rangel, 28 anos, virou “Xerifa”, apelido que ela preza e cultiva. Chegou a ser presa, acusada de lavagem de dinheiro e associação com o tráfico, logo depois da captura do marido, episódio que culminou na tomada da favela pela polícia, em novembro passado.
Mal se reconhecia Xerifa presa a um par de algemas, no lugar dos habituais penduricalhos cravejados de brilhantes, e com os cabelos no marrom original – e não mais pintados de amarelo-ouro, sua marca registrada.
Há dois meses, conseguiu a liberdade por meio de um habeas corpus, decisão da qual o Ministério Público recorre. Ela aproveita à vontade o dinheiro que o marido juntou e continua a faturar com a venda de drogas no QG do crime ainda comandado por ele, a distância. Os dois inquéritos dos quais Danúbia foi alvo dão detalhes de como tem vivido cercada de luxos e regalias que o posto de “primeira-dama” do tráfico lhe garante.
Ela tem quatro bandidos em seu currículo
Já foi flagrada ao embarcar em um helicóptero só para ver a Cidade Maravilhosa de cima (1 500 reais o passeio, na foto acima). Uma vez, reservou numa loja 5 000 reais em peças para o enxoval da filha de 2 anos que tem com Nem. Pendurou tudo na conta de um laranja, que só passou lá para acertar a dívida.
Suspeita-se que, em seus périplos por São Paulo e Paraná, ela também tenha ido às compras no mercado imobiliário. Na Rocinha, lidera o Bonde da Bate-Bola (uma “associação” de mulheres dos comparsas de Nem) e desfila em saltos agulha trazendo sempre ao pescoço um cordão ornado com a letra N, homenagem ao marido.
Ali, Danúbia é rainha. Depois de cinco anos de união com o marginal, o quarto bandido de seu currículo matrimonial, Xerifa ouve por onde passa: “Não olha. Não mexe. Quem está passando é a mulher do chefe”. A polícia sabe que ela ainda está lá, de olho em tudo e em todos, mais discreta, mas não menos vaidosa.

A dona da “lavanderia”
Casa de Marcinho VP (Foto: Genilson Araújo)
 A casa de Marcinho VP em Jacarepaguá, no Rio: muralha de 3 metros de altura e cerca elétrica (Foto: Genilson Araújo)

Maria Gama dos Santos, mulher de Marcinho VP (Foto: André Mour„o / Ag. O Dia)
Maria Gama dos Santos, mulher de Marcinho VP (Foto: André Mour„o / Ag. O Dia)
É bem raro ver Márcia Gama dos Santos Nepomuceno no Complexo do Alemão, conjunto de favelas da Zona Norte onde seu marido, Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, permanece no comando da mais poderosa célula criminosa do Rio de Janeiro – mesmo estando preso desde 1996.
Ela vive em uma mansão com os quatro filhos do casal, numa propriedade protegida por uma muralha de 3 metros de altura e cerca elétrica no bairro de Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade (foto acima).
Com carrão e secretária, ela lava o dinheiro do marido
Anda sempre a bordo de um carrão diferente, com o secretário particular a tiracolo, adora roupas de grife e vai aos restaurantes da moda. Certa vez, cismou de querer um diploma universitário, e entrou em uma faculdade de Direito (não exerce a advocacia).
Aos 36 anos, há mais de vinte unida ao chefão do Complexo – a quem visita no presídio de segurança máxima de Porto Velho, em Rondônia, pelo menos uma vez por mês -, Márcia mantém andando o esquema de lavagem do dinheiro do bando que é reservado ao marido.
Segundo o inquérito número 06761/2008, a “lavanderia” se dá por meio de pequenos negócios, entre eles uma farmácia, um salão de beleza e um supermercado que ficam no Alemão. Márcia chegou a ser presa em 2010, mas foi logo solta e responde em liberdade à acusação de lavagem de dinheiro.
Vez ou outra, baixa na favela para mostrar quem manda. Em conversa interceptada pela polícia, desancou um integrante da gangue de Marcinho VP que havia lhe enviado menos dinheiro do que o combinado. Aos gritos, Márcia esclareceu: sua “semanada” era de 25 000 reais, e não de 15 000, quantia que queriam lhe pagar. Nunca mais erraram na conta.

O reinado de horrores de Dona Deise
Deise Mara de Sousa Rodrigues - de rosa e bolsa da Louis Vuitton -, mulher de Celso Luis Rodrigues, o Celsinho da Vila (Foto: Alexandre Brum / Ag. O Dia)
Deise Mara de Sousa Rodrigues (de blusa rosa), mulher de Celso Luis Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém: recebendo instruções desde o presídio de Bangu-IV (Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia)
O inquérito número 08396/2010 é um calhamaço de 300 páginas que elenca um rol de atrocidades levados a cabo pela quadrilha de Vila Vintém, favela da Zona Oeste do Rio para onde parte da gangue da Rocinha se bandeou.
Na liderança desse que se transformou num dos principais entrepostos de droga da cidade está uma figura temida pelo sangue-frio com que trucida os inimigos e comanda chacinas que espalham o horror pelas vielas: Deise Mara de Sousa Rodrigues (na foto com uma bolsa Louis Vuitton falsa), 49 anos, atual chefe do braço criminoso fundado por seu marido, Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, preso há dez anos.
Testemunhas-chave, por medo, somem ou mudam de versão
Na favela, ela se instalou com as duas filhas do casal em um casarão com piscina, churrasqueira e enfeites macabros, como a escultura de um demônio que dá as boas-vindas a quem vai ali lhe prestar contas.
Deise vigia cada centavo. Segundo a polícia, o cérebro da quadrilha ainda é o marido, a quem conheceu na adolescência e que lhe dá instruções sobre como conduzir as coisas nas visitas ao presídio de Bangu IV, no Rio. Dona Deise, como é mais conhecida, costuma andar com a escolta de quatro policiais a quem paga por proteção.
Pelo curso da investigação, ela e mais vinte que tocam a barbárie no morro podem acabar na prisão por lavagem de dinheiro e associação com o tráfico. Mas Deise tem um trunfo: tomadas de medo, testemunhas-chave costumam abrandar suas histórias ou mesmo sumir. Isso ocorreu no mês passado, quando uma pessoa que acusava Deise do assassinato do próprio sobrinho mudou subitamente sua versão.
Foragida havia um ano, a chefona pôde então voltar a caminhar à vontade por seus domínios.

A garota de Ipanema que veio de Antares
Paula Fernanda Vieira da Silva - mulher do traficante Márcio Batista da Silva, o Dinho Porquinho (Foto: Reprodução)
Paula Fernanda Vieira da Silva - mulher do traficante Márcio Batista da Silva, o Dinho Porquinho: apartamentos em Ipanema comprados com notas de 10 e 20 reais (Foto: Reprodução)
Paula Fernanda Vieira, 28 anos, tem uma boa veia para os negócios. Em 2008, arrematou numa tacada dois apartamentos de 150 metros quadrados cada um em Ipanema, um dos bairros mais valorizados do Rio.
Usou duas senhoras como laranjas e liquidou a conta, de 800 000 reais, com notas de 10 e 20 reais. Tentava vender os dois imóveis no mês passado, pelo triplo do que pagou, quando a Polícia Federal sequestrou os apartamentos, no curso da operação batizada de Garota de Ipanema.
Três dias com o marido bandido na cadeia, sem serem incomodados
Estão na mira da PF mais bens da moça, incluindo uma loja de roupas, um salão de beleza e duas farmácias na favela, além de outros apartamentos pela cidade e até fazendas fora do Estado. Tudo em nome de um farto “laranjal”, como aponta a investigação policial.
Ela ganhou relevância na hierarquia do crime em 2005, depois que seu marido, Márcio Batista da Silva, o Dinho Porquinho, chefe na favela de Antares, na Zona Oeste, foi capturado em Fortaleza. É até hoje um dos bandidos mais poderosos do Rio. Do quinhão dele, Paula cuida bem.
Casada com o marginal há uma década e mãe de dois filhos, como as outras mulheres que ilustram esta reportagem ela responde fora da prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. Nos últimos tempos, ninguém sabe exatamente por onde anda. Depois que foi vítima de um sequestro engendrado por um grupo de policiais corruptos – aos quais pagou 400 000 reais em dinheiro vivo pela liberdade -, a “primeira-dama” de Antares foi vista em Itamaracá, Pernambuco, onde Dinho está encarcerado e, sabe-se, tem lá suas regalias.
A visita à prisão durou três dias. E o casal não foi incomodado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013


VÍDEO PREMIADO, PARA ROLAR DE RIR: DOIS CACHORROS JANTANDO NUM RESTAURANTE

18/01/2013 às 17:00 \ Tema Livre
Campeões de Audiência
Campeões de Audiência
Publicado originalmente em 5 de novembro de 2011.
Amigos, esse vídeo abaixo, “Dois Cachorros Jantando”, do cineasta Kristian Septimius Krogh, da Dinamarca, recebeu o prêmio de preferido do público e menção honrosa do júri do do FilmOneFest, festival de cinema e vídeo supercriativo realizado em Atlantic Heighlands, pequena cidade costeira de ares vitorianos em Nova Jersey, próxima a Nova York.
É genial e hilariante. Dois atores “vestem” as mesmas “roupas” dos cães e fazem de suas mãos as mãos dos dois bichos, que, assim, se sentam à mesa para comer, usam pratos, talheres e guardanapos.
É sempre sutil a forma com que os dois atores dão um jeito de os cães não seguirem à risca seu instinto e avançarem na comida. Parece que são duas pessoas-cachorros jantando, civilizadamente.
É de rolar de rir. Confiram mais esta dica preciosa do amigo do blog José Carlos Bolognese:

GRÉCIA: A CRISE COMEÇOU COM UMA FRAUDE


Manifestantes durante conflito com a polícia no centro de Atenas, Grécia


18/01/2013 às 19:00 \ Vasto Mundo

Publicado originalmente a 17 de junho de 2011.
A crise grega (aqui)  que está nas manchetes, inclusive do site de VEJA, tem mil explicações, amigos do blog, mas seu olho do furacão começou com uma fraude, uma maracutaia inacreditável praticada pelo partido conservador Nova Democracia, que governou a Grécia por seis anos, até 2009.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência
Vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro do Partido Socialista (Pasok), Giorgos Papandreu, constatou em poucos dias que seus antecessores haviam maquiado escandalosamente as contas públicas para os parceiros da União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE). O verdadeiro déficit público do país, de gravíssimos 15,7% do PIB, era mais do que o dobro do informado pelo governo anterior.
O déficit verdadeiro era a conta que chegava para ser paga pela gastança do governo do antecessor de Papandreu, Kostas Karamanlis (2004-2009), que, em vez de atuar dentro das possibilidades do Orçamento e, mais, equacionar o que restava de déficit devido aos investimentos na preparação das Olimpíadas de 2004 pelo governo socialista que o precedeu, preferiu continuar torrando dinheiro público – e mentir.
Bola de neve de desconfiança e um brutal ajuste fiscal

A desconfiança dos mercados para com a Grécia, a partir daí, diante do temor de que os empréstimos ao governo e às empresas gregas não seriam quitados, fez rolar uma bola de neve que explodiu nas mãos de Papandreu.
O primeiro-ministro conseguiu realizar um brutal ajuste fiscal, o mais severo já feito por um país da zona do euro desde o estabelecimento da moeda comum, em 2000, e baixou em 5 pontos percentuais o rombo. A essa altura, porém, os cortes orçamentários e outras medidas restritivas haviam levantado um turbilhão de protestos na sociedade, que foram num crescendo tal que, apenas nos últimos 15 meses, houve 22 greves gerais no país.



Eles enganam o nosso povo lhes dando esmolas, embutem na cabeça de seus militantes a ideia de que o comunismo é bom, enaltecem os maiores genocidas que a terra conheceu, fazendo-os dissertá-los em TCC nas faculdades e aprisionam o futuro do país em um verdadeiro gulag mental... O povo grego optou pelo socialismo e agora, estão sentindo na pele o Holodomor que aniquilou em apenas um ano, mais de 7 milhões de ucranianos, é isto que o PT vai fazer com o nosso povo em pouco tempo... Quem viver verá...

A União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que muitos chamam de troika, ressuscitando a velha palavra da extinta União Soviética – socorreram a Grécia há um ano com um empréstimo de 110 bilhões de euros (algo como 250 bilhões de reais), mas o atoleiro grego não melhorou, e o Papandreu necessita de mais 60 bilhões de euros (140 bilhões de reais).

Privatizar o banco estatal, serviços de águas, portos e até um cassino


Para tanto, as exigências da troika são severíssimas. Depois de baixar os 5 pontos percentuais no déficit, em dois anos, Papandreu agora precisa derrubá-lo de 10,5% para 7,5% até o final deste ano.
Para fazer frente ao total da dívida grega antes desses 60 bilhões, que supera 142% do PIB (só para comparar: a do Brasil bate nos 40% do PIB) e é de 328 bilhões de euros (750 bilhões de reais, uma enormidade para um país das dimensões da Grécia), o programa para o qual Papandreu precisa obter o consenso das principais forças políticas, e que o levou a reformar seu gabinete, consiste em basicamente dois pontos:

1. Corte de gastos de mais 28 bilhões de euros 
num país que já está no osso e que podou investimentos em saúde, educação e infraestrutura

2. Privatizações que obtenham de 50 a 60 bilhões de euros, para reduzir a sufocante dívida pública 


E que incluem o banco estatal Caixa Postal de Poupança, os portos de Atenas (Pireu) e Salônica, a segunda maior cidade grega depois da capital, os serviços de abastecimento de água das duas cidades, a empresa telefônica nacional, OTE, que já tem como sócio minoritário o gigante alemão Deutsche Telekon, e até o cassino de Atenas, que pertence — vejam só — ao governo.
Diante desse quadro dificílimo, quem começou tudo, o partido Nova Democracia, não tem colaborado em nada. Pode ser que Papandreu venha a obter para as medidas duras e mesmo um governo de união nacional, caso em que ele próprio disse que cederia seu cargo em prol de um acordo. Mas as palavras de Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, ditas ainda esta semana são de uma hipocrisia aterradora: “Não estou disposto a apoiar uma politica que arrase nosso país”, afirmou.
Ele ignorou o fato de que foi o governo antecessor de Papandreu, de seu próprio partido, quem iniciou esse processo de derrocada do país com uma fraude.


1 - Alexis Tsipras toma mijada do ex-primeiro ministro da Bélgix
(aqui)

2 - A forte Alemanha x a Grécia aos pedaços: os dois lados (muito diferentes) da mesma moeda — o euro (aqui)

3 - Na Europa, cresce pressão para salvar Grécia da falência (aqui)

Na Grécia, o desespero por comida fixado numa fotografia


Mãos estendidas para um saco de laranjas. É esta a imagem que está correr sites e redes sociais. Mas depois fazemos zoom out para perceber a cena. Mãos estendidas, as laranjas, e caras apanhadas em expressões que parecem pedir. Um homem sai com um sorriso e um saco de legumes ao ombro. As imagens mostraram, sublinharam, condensaram uma coisa: o desespero de muitos gregos por comida.

Foi em Atenas, em frente ao Ministério da Agricultura, que agricultores, protestando contra o aumento dos custos de produção, distribuíram fruta e vegetais de graça.


Não foi a primeira ação destas em Atenas. Mas o caos que se seguiu mostrou o ponto a que chegou a carência na Grécia, onde a taxa de desemprego é de 26% (superada na zona euro apenas pelos 26,6% de Espanha) e onde um em cada três gregos vive abaixo do limiar de pobreza, com novos 400 mil pobres entre 2010 e 2011, segundo o Instituto de Estatística da Grécia.


A ação dos agricultores de quarta-feira tinha começado pacífica, mas quando as pessoas se aperceberam que a fruta e vegetais estavam a acabar, lançaram-se para o único camião que ainda tinha alguma coisa. Velhos, mulheres com crianças, todos aos gritos e empurrões para ver quem conseguia chegar primeiro aos mantimentos. A dada altura, um dos agricultores faz gestos como que a enxotar as pessoas, pendido-lhes para se afastarem. Entre a multidão destaca-se uma criança num plano mais alto, está às cavalitas de alguém.
Uma pessoa acabou por ser levada para o hospital com problemas respiratórios.


Estas pessoas tinham uma vida normal


"Estas imagens deixam-me zangado", disse Kostas Barkas, deputado do partido de oposição Syriza. "Zangado por um país que não tem comida para comer, que não tem dinheiro para se manter quente, que não consegue chegar ao fim do mês", disse. Muitas famílias não têm dinheiro para o combustível de aquecimento, essencial no Inverno, muito rigoroso em algumas zonas da Grécia, e têm queimado madeira ou mobília em lareiras ou salamandras, no que provocou um problema de poluição em Atenas, e já foi letal, com a morte de três crianças num incêndio em Mesoropi, perto de Salónica.


O site grego Newsit, que mostrou vídeos da agitação na entrega dos vegetais, comentou: "Estas pessoas não são pedintes. São vítimas de uma crise econômica que como um furacão passou e deixou por terra famílias inteiras. São vizinhos que até ontem tinham empregos e uma vida normal. Hoje estas pessoas, engolindo o seu orgulho e dignidade, vão onde quer que seja preciso para encontrar um pouco de comida gratuita, como fizeram aqui".

No final, fica outra imagem: uma mulher com uma pequena criança aproxima-se da banca e inspeciona o que sobrou, restos de tomates rebentados, pequenas cenouras, uma laranja. Pega num tomate, testando a firmeza. Ainda haverá algo para levar?

O Jardim das Delícias Grego

Os quatro arbustos plantados na entrada da Evagelismos hospital em Atenas. | IHV
Jardim, o que é dito, é impossível chamar. Na melhor das hipóteses, e sendo extremamente generoso, você pode qualificar para parterre engraçado. Nós conversamos sobre os quatro arbustos plantados na entrada dos Evagelismos hospitalares, levando Atenas. Bem, apesar de todos os anos, o centro de saúde fecha suas contas no vermelho e que o governo é obrigado a fornecer injeções de dinheiro extra para conseguir sustentar a vida, algumas semanas atrás, veio à tona que, para manter todo o seu esplendor verde deste pequeno pedaço de terra do hospital éna folha de pagamento não inferior a 45 jardineiros! Paga, é claro, com o dinheiro dos cofres públicos gregos .

50 motoristas para um carro oficial

É um exemplo que explica como a Grécia chegou onde está agora: à beira da falência e da falência do Estado , tendo acumulado uma grande dívida de 340 mil milhões de euros (o equivalente a mais de 30.000 de euros de dívida para todos os gregos). Mas os casos são muitos e tão ultrajante que seria necessário um livro para recolher todos eles.

O que pode ser dito, para continuar com o elenco do absurdo, os 40.000 jovens que recebem uma pensão vi-ta-li-ção de US $ 1.000 mensais para o simples fato de serem filhas solteiras de oficiais falecidos e que os cofres custos O Estado 550.000.000 € por ano (a partir de agora só será cobrado até 18 anos). Ou os 50 motoristas para um único carro oficial que se concentram em alguns departamentos do governo.Ou os hospitais gregos marcapasso adquirido a um preço 400 vezes maior do que os hospitais britânicos pagos.

Já para não falar dos mortos 4500 cuja vívida família não tinha comunicado à Segurança Social a sua morte, a fim de obter o dinheiro no bolso do falecido pensão , custando ao Estado 16 milhões de euros por ano.

Falando em aposentadoria: na Grécia, há muitos trabalhadores que se beneficiaram de reforma antecipada-fixado em 50 anos para as mulheres e 55 anos para os homens, pertencentes a uma das 600 categorias profissionais consideradas particularmente extenuante , e entre os quais incluem cabeleireiros (para o que os corantes utilizados podem ser prejudiciais), jogadores de instrumentos de sopro (flauta soprando um é exaustivo) ou apresentadores de TV (assumindo que os microfones causar danos à saúde ).

Proteção de um lago que secou em 1930

E o que dizer das muitas entidades inúteis que operam no país, e entre aqueles que leva o bolo para o Instituto de Proteção Kopais Lake, um lago que secou em 1930. Além do mais, tudo isto é preciso acrescentar a evasão fiscal desenfreada : de acordo com estimativas do Ministério do Trabalho um em cada quatro gregos não pagar um centavo de impostos.

É verdade que durante o ano passado adotaram medidas de austeridade duras : os salários dos funcionários públicos foram cortados em 20%, em média, pensões caíram 10%, foram eliminados os bônus e gratificações, têm aumentou os impostos. Mas isso não foi o suficiente.

Portanto, agora o governo está considerando a possibilidade não só para realizar um amplo programa de privatização e as medidas de maior austeridade, mas também começam a demitir alguns dos 750 mil funcionários públicos disseram na Grécia, um país com 11 milhões de habitantes e um total de 4,3 milhões de trabalhadores.


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Todos sabem que crises são alimentadas por pilantras e elas irão acontecer de qualquer forma em algum momento.

Agora defender a pilantragem como regra de vida só sendo pelos bandido de esquerda que só encontram espaço em locais financiados pelo governo. 

Neste próximo link vá direto à entrevista com Ayn Rand por Mike Wallace – 1959.

- ISRAEL E O SEU VIZINHO MAIS CIVILIZADO: O LÍBANO. E POR QUE? (clique aqui)



Abraço a Todos

Osvaldo Aires
Enquanto Lula foge de Rose, a coluna monta o questionário que o tutor de maiores abandonados está obrigado a responder

17/01/2013
 às 19:24 \ 
Direto ao Ponto

Depois de alguns dias enfurnado em Angra dos Reis para descansar sabe-se lá do quê, Lula ressurgiu em São Paulo para nomear-se tutor do maior abandonado que instalou na prefeitura. Nesta quarta-feira, apareceu no gabinete de Fernando Haddad para ensinar o que deve fazer um prefeito para tornar-se um bom candidato à reeleição. Conversou a sós com o poste municipal durante 20 minutos e gastou outros 40 ministrando lições de esperteza a  Haddad e seus secretários. Os fotógrafos tiveram alguns segundos para as imagens do mestre ladeado por alguns alunos. sperteza. Os jornalistas foram driblados na entrada e na saída pelo homem que foge há quase dois meses de perguntas sobre o escândalo protagonizado pela primeira amiga Rosemary Noronha.

O surto de mudez malandra que completou 56 dias nesta quinta-feira não vai durar para sempre. Não importa quando, Lula será interpelado por algum jornalista disposto a cumprir seu dever. Então, o fugitivo da imprensa será confrontado com perguntas cujas respostas só ele conhece. Envolvido até o pescoço na história muito mal contada, Lula está proibido de fingir que não sabe de nada. Se recorrer a mentiras para tapear os brasileiros que não perderam o juízo, o palavrório será transformado em confissão de culpa.
Enquanto Lula foge de Rose, a coluna convoca o timaço de comentaristas para a montagem da lista de perguntas à espera de respostas. Seguem-se 15 exemplos:
1. Onde e quando conheceu Rosemary Noronha?
2. Como qualifica a relação que mantém com Rose há 17 anos?
3. Em quais critérios se baseou para instalar uma mulher sem experiência administrativa na chefia do gabinete presidencial em São Paulo?
4. Quais motivos o levaram a criar o cargo que Dilma Rousseff extinguiu depois da demissão de Rose?
5. A extinção do cargo foi uma decisão equivocada?
6. Por que pediu a Dilma Rousseff que mantivesse Rose na chefia do escritório da Presidência?
7. Por que  Rose foi incluída na comitiva presidencial em pelo menos 20 viagens internacionais?
8. Por que o nome de Rosemary Noronha nunca apareceu na lista oficial de passageiros divulgados pelo Diário Oficial da União?
9. Por que nomeou os irmãos Paulo e Rubens Vieira, a pedido de Rose, para cargos de direção em agências reguladoras?
10. Conhecia o currículo dos nomeados?
11. Por que disse em Berlim que não se surpreendeu com a Operação Porto Seguro?
12. Por que Rose foi contemplada com um passaporte diplomático?
13. Por que comunicou à imprensa, por meio de um diretor do Instituto Lula, que não comentaria o episódio por considerá-lo “assunto pessoal”?
14. Por que Rose se apresentava como “namorada do presidente”?
15. Acha que Rose é culpada ou inocente?
Se Lula não fugir dessas respostas, não custa perguntar-lhe também se Marisa Letícia acreditou no que disse.



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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013