segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ACUSADO DE PLÁGIO, CRIADOR DE GINA INDELICADA ADMITE CÓPIA DE PIADAS

"ALGUMAS RESPOSTAS DA GINA SÃO BASEADAS EM TUÍTES QUE EU ENCONTRO", DIZ RICCK LOPES|


Ricck Lopes, o criador da Gina Indelicada (Foto: Arquivo pessoal)
O sucesso da Gina Indelicada, página no Facebook que usa a marca dos palitos Gina, continua em alta: o número de seguidores segue crescendo em ritmo incomum e bateu 1,7 milhão. E a rejeição começou a aparecer quase na mesma proporção.Na última quarta-feira (29/08), foi criada uma página para acusar o criador de plagiar piadas. Com alguma razão. Ricck Lopes, dono da Gina Indelicada, admite que algumas das piadas não são nada originais.
"Algumas respostas da Gina são baseadas em tuítes que eu encontro no Twitter. Mas tem gente que se incomoda com meu sucesso e que fez uma página para criticar isso", afirma Lopes. O rapaz defende que é um publicitário, cuja principal habilidade é montar estratégias de divulgação voltadas para mídias sociais, e não comediante. "Não foram as cópias que incomodaram. Foi o sucesso alcançado em tão pouco tempo", diz o criador da página.
"Tem muita gente gritando por aí a autoria de piadas que nossos avós já faziam bem antes. O humor na internet é, em grande maioria, feito assim. As piadas são as mesmas, o que muda é o formato. Existem páginas no Facebook que servem apenas para compilar os 'melhores tuítes'. A maior delas, criada há quase um ano, tem menos de 160 mil fãs. Se fosse por causa de 'piadas prontas', ela já deveria ter 5 milhões. O sucesso da Gina deve ser creditado ao formato criado para a personagem", completa.
Um dos principais exemplo usados pelos críticos da Gina Indelicada é uma entrevista que o criador concedeu ao humorista Danilo Gentili no programa Agora é Tarde, da Band. Na ocasião, a produção pediu a Lopes que ele respondesse algumas perguntas como se fosse a personagem. Com uma máscara de Gina no rosto, as respostas não saíram à altura da página, combustível para as acusações de plágio.
A página Gina, Kibadora Indelicada, cuja descrição é "Homenagem especial à rainha do plágio", já tem cerca de 18 mil seguidores. O nome da página, Kibadora, faz menção ao termo "kibar", que na internet passou a ser usado como sinônimo para plágio. Os responsáveis pela página foram procurados porÉpoca NEGÓCIOS, mas a mensagem deixada pela reportagem não foi respondida.
Gina, Kibadora Indelicada (Foto: Reprodução)
Gina Plagiada
Ricck Lopes admite ter copiado algumas das piadas que usou em sua página, mas também é verdade que a ideia dele foi replicada dezenas de vezes. No Twitter, por exemplo, ele não administra nenhum perfil, mas passa de 50 o número de contas que utilizam o termo Gina Indelicada e suas variações, e copiam o estilo de respostas para embarcar na repercussão.

Apenas os cinco perfis mais populares, somados, ultrapassam a marca de 280 mil pessoas. No Facebook, há outras duas páginas falsas que acumulam cerca de 57 mil fãs.
O fan page também serviu de inspiração de outras páginas no Facebook. Um internauta, por exemplo, montou a Moça Sincera, fazendo uso da imagem do Leite Moça, da Nestlé, que segue rigorosamente o mesmo formato que o criador da Gina Indelicada adotou.
Direito autoral?
As acusações de plágio contra Ricck Lopes levantam um dilema: piada na internet possui direito autoral? "É bem complicado dizer se a piada é original ou não. É óbvio que toda pessoa tem um repertório que esgota e acaba se repetindo. Mas não dá para desmerecer o sucesso do rapaz, porque ele foi mais feliz, teve uma estratégia melhor e a lançou no tempo certo", diz André Tenenbaum, diretor executivo da agência Zona Internet, especializada em marketing digital.

O executivo se baseia em uma teoria, chamada de New Business Generation Model, para inocentar o criador da Gina Indelicada. De acordo com ele, há milhões de pessoas tendo a mesma ideia ao mesmo tempo, e então o ponto mais importante passa a ser quem conseguiu executá-la adequadamente. Principalmente na internet, onde a difusão de ideias é muito ampla e pouco controlada, ganha espaço quem consegue executar melhor certos formatos mais rapidamente.


Osvaldo Aires Bade - Comentários Bem Roubados na "Socialização"

O ratinho estava na toca, e do lado de fora o gato: - MIAU, MIAU, MIAU....
O tempo passava e ele ouvia: - MIAU, MIAU, MIAU...
Depois de várias horas e já com muita fome o rato ouviu:- AU! AU! AU!
Então ele deduziu: 'Se tem cachorro lá fora, o gato foi embora'.
Saiu disparado em busca de comida. Nem bem saiu da toca o gato CRAU!!
Incorformado, já na boca do gato perguntou:- Pô gato!!! Que sacanagem
é essa??? E o gato respondeu:
- Meu filho, hoje nesse mundo 'globalizado' quem não falar pelo
menos dois Idiomas 'MORRE DE FOME'!

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TRAINEES: SALÁRIOS DE ATÉ R$ 7,6 MIL E CARREIRAS METEÓRICAS ACIRRAM CONCORRÊNCIA

CURSO MAIS CONCORRIDO DA USP, EM 2012, TEVE 52 CANDIDATOS INSCRITOS POR VAGA, ENQUANTO O ÚLTIMO PROCESSO PARA TRAINEE NA AMBEV RECEBEU 3.700 POR VAGA


Entrevista de emprego vagas trabalho (Foto: Shutter Stock)
Quanto vale um futuro líder? Para aSouza Cruz, além de todo o investimento gasto em um treinamento que dura dois anos, ele vale até R$ 7.625,00 mensais. Salários atrativos (veja o quadro abaixo) e a possibilidade de carreiras meteóricas, aliás, tem atraído um número cada vez maior de jovens para os processos de trainees.
Enquanto o curso de engenharia civil, o mais concorrido da Universidade de São Paulo (USP) em 2012, registrou 52,27 inscrições por vaga, o processo de seleção para trainees da Ambev, no ano passado, atraiu um total de 74 mil jovens, sendo que 20 foram contratados (uma relação candidato/vaga de 3.700). Na Tecnisa, esse índice chega a 1.666 e, na Unilever, a 1.478.
O que faz com que tantos recém-formados passem por longos e estressantes processos de seleção, além dos salários e da possibilidade de trabalhar em empresas renomadas, é a possibilidade de chegar mais rápido ao topo.
Foi isso que fez com que Gustavo Silvaconcorresse com mais de 23 mil candidatos, em 2002, a uma vaga na Ambev. O primeiro cargo de liderança veio com apenas oito meses na empresa, quando foi escalado para gerenciar uma equipe de seis pessoas em um projeto. Com dois anos de casa já era gerente e, com sete, diretor. Dez anos depois, aos 34, ele é diretor regional para Espírito Santo e Minas Gerais da Ambev.
“Ficava impressionado com os meus conhecidos que trabalhavam lá [na Ambev] e falavam bem do ambiente, do espaço para os jovens e da velocidade de crescimento. Na época trabalhava em uma empresa de petróleo e o gerente mais novo tinha 34 anos. Não queria esperar ‘tudo’ isso”, conta Silva. A pressão da responsabilidade precoce ou da forte cobrança por resultados não o incomoda. “A rotina é como em qualquer outro lugar. Mas é óbvio que, se você quer se tornar diretor em sete anos, precisa se dedicar mais. Nem sempre consegui equilibrar a vida pessoal e a profissional.”
Por ter um dos mais concorridos processos de trainees, a Ambev desenvolveu um complexo sistema de seleção. Primeiro, o candidato preenche uma prova online, onde são avaliados o estilo de trabalho, nível do inglês e o raciocínio lógico. Também pela internet, ele trabalha em um case individual, que consiste na solução para um problema de negócios, com simulações ligadas ao mercado de bebidas. Depois, o candidato passa pela entrevista individual – a essa altura, o número de concorrentes já baixou para 1500. Os selecionados seguem para um jogo de negócios, é a única etapa em grupo, com situações que podem acontecer no dia a dia e demandam raciocínio lógico e trabalho em equipe. Os finalistas passam por uma entrevista final com João Castro Neves, presidente da companhia, e com os vice-presidentes, em uma banca com seis pessoas ou sete candidatos por rodada.
O treinamento dura dez meses, menos que a média geral de dois anos. São cinco meses de teoria e mais cinco de prática. Ao final, todos os trainees vão para uma integração em Saint Louis, nos Estados Unidos. Por meio do programa, a Ambev contratou 500 pessoas até hoje. “Esta é a nossa preparação para os futuros líderes da empresa. Buscamos pessoas que tenham o jeito Ambev. É gente que tem muita garra, propõe soluções diferentes para o que já existe e que toca o negócio como se fosse dono”, dizIsabela Garbers, gerente de recrutamento e seleção na Ambev.
Thaissa Sá, trainee recém-contratada da Johnson&Johnson  (Foto: Divulgação, Luiz Machado/Agência Imagem)
Mereceu, levou
A liderança veio rápido para Thaissa Sá. Com 24 anos e pouco mais de um ano como trainee da Johnson & Johnson, ela acaba de ser contratada para gerir uma equipe na área comercial da companhia, no Rio de Janeiro. O feedback ao longo do processo de seleção fez toda a diferença.
Thaissa havia se inscrito para uma vaga de marketing na seleção de trainees. Não passou, mas a J&J entrou em contato perguntando se ela queria fazer o processo em uma vaga de vendas, área onde a empresa acreditava que Thaissa fosse render mais. A trainee aceitou a acabou passando no processo.
Nos primeiros meses, trabalhou na área comercial e, recentemente, foi para um grande projeto de marketing da companhia, a ativação do patrocínio da J&J na Copa. A oportunidade rendeu contato com todas as divisões da empresa, mas a contratação veio por meio dos primeiros gestores, no Rio. Thaissa abraçou a proposta e vai voltar feliz da vida para vendas. “Eles têm um conhecimento humano e técnico muito forte. Por isso, conseguem visualizar onde você pode se encaixar melhor”, diz.
Mas Thaissa não é a regra na J&J. A companhia vê com muita cautela o fato de colocar gente tão jovem em posições de liderança. O treinamento é robusto, leva dois anos. “Somos uma empresa muito diversificada, atuamos na farmacêutica, em consumo e na área médica. Os trainees passam por diversas atividades específicas para que possam entender a companhia como um todo, recebem sessões de coaching individual e fazem job rotation. O objetivo é que possam assumir posições de liderança em cerca de cinco anos, mas isso depende muito do perfil do candidato”, afirma Mariana Ramirez, diretora de recrutamento e seleção da Johnson & Johnson.
Crescer junto
Liderança também é o que preocupa a Votorantim na seleção de trainees. Com o aquecimento do setor de infraestrutura, a empresa tem um potencial enorme de expansão e pretende aproveitá-lo. “Estamos em crescimento, precisamos de gente para nos ajudar. Buscamos trainees para fazer carreira aqui”, diz Gilberto Lara, diretor de desenvolvimento humano organizacional do grupo Votorantim.

E foi exatamente o fator liderança que culminou na perda de 80% dos trainees que passaram pela primeira seleção da empresa, em 2005. Segundo Lara, um levantamento identificou que os jovens não estavam encontrando em seus líderes imediatos um modelo de admiração e aprendizagem. Em um mercado no qual líderes geralmente vêm de cargos técnicos, essa é uma dificuldade clássica. Por isso, a Votorantim passou a reforçar o trabalho com as lideranças da companhia. Hoje, a retenção é de 80% dos selecionados. São jovens seduzidos pela possibilidade de atuar em diferentes países e trabalhar em projetos de diferentes áreas.

EmpresaPrazo das inscriçõesNúmero de vagasCandidato/VagaSalário
BRMallsinscrições ao longo do ano15 vagas400 por vagaR$ 4.500,00
Cieloaté 24/0917 vagasnão informadoR$ 4.530,00
Souza Cruzencerrada em 31/08não informado500 por vagaR$ 5.117,00 a R$ 7.625,00
Unileverencerrado em 27/0825 vagas1.478 por vagaR$ 5.000,00
VLIaté 16/09não informadonão informadoR$ 4.300,00
Johnson & Johnson10 de setembro34 vagas512 por vaganão informado
Bayeraté 02/0910 vagasnão informadonão informado
AmBevaté 10 setembronão informado3.700 por vagaR$ 4.600,00
Votorantimaté 16/0950 vagas250 por vagaR$ 5.000,00
Tecnisa30 de setembro6 vagas1.666 por vaganão informado

























O ratinho estava na toca, e do lado de fora o gato: - MIAU, MIAU, MIAU....
O tempo passava e ele ouvia: - MIAU, MIAU, MIAU...
Depois de várias horas e já com muita fome o rato ouviu:- AU! AU! AU!
Então ele deduziu: 'Se tem cachorro lá fora, o gato foi embora'.
Saiu disparado em busca de comida. Nem bem saiu da toca o gato CRAU!!
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CHEFE RUIM? DEIXE DE SER VÍTIMA E TORNE-SE PROTAGONISTA

ESPECIALISTA DÁ DICAS PARA LÍDERES E LIDERADOS SE COMUNICAREM MELHOR E FACILITAREM A VIDA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Carreira disputa funcionário equipe confusão briga (Foto: Shutterstock)
Quem nunca reclamou do chefe, que atire a primeira pedra. "Ele(a) não sabe se comunicar com a equipe", "é centralizador", "delega demais", "não dá espaço para o time opinar", "é inseguro porque pede opinião demais"... A lista não tem fim e, por mais que o líder tente agradar, sempre vai ter alguém insatisfeito. Geralmente, quem está infeliz gasta energia reclamando em vez de tentar consertar a situação que o incomoda ou, ao menos, amenizar o problema.
Os especialistas da consultoria mundial em liderança Axialent prepararam um questionário que ajuda os liderados a descobrirem: quando algo acontece, você age como vítima ou como protagonista? Então, responda honestamente às perguntas seguintes:
1. Quando algo dá errado e você é questionado:
a) Você assume a sua contribuição para o problema (Exemplo: “Não terminei o relatório porque não me dei conta de que o prazo para entrega das informações pela contabilidade havia vencido e me esqueci de cobrar.”)
b) Você terceiriza a culpa (Exemplo: “O relatório não ficou pronto porque a contabilidade não me entregou as informações em tempo hábil...”)

2. Quando seu líder delega uma tarefa e você fica com várias dúvidas:
a) Você pede esclarecimentos
b) Você sai da conversa pensando em como vai se virar para descobrir o que ele não falou e/ou o que você não entendeu

3. Quando é requisitado a dar sua opinião:
a) Expressa o que pensa com honestidade consigo mesmo e respeito pelo outro
b) Omite-se ou diz algo “politicamente correto”

4. Quando você discorda do chefe, você:
a) Expressa seu desacordo, e coloca os fatos que embasam sua opinião, sem impô-la como a única verdade
b) Comenta sobre seu desacordo com seus colegas, mas não o menciona ao chefe

Segundo os especialistas, os comportamentos nas respostas “a” caracterizam o modelo mental do protagonista e, nas respostas “b”, o da vítima. Se você está mais frequentemente no papel de vítima do que no de protagonista, esta é a hora de rever seus comportamentos, pois, eles podem estar impactando negativamente na interação com a chefia.
“A nossa experiência mostra que, se uma das partes mudar o seu comportamento, a probabilidade de que a outra parte mudará também, aumenta significativamente. O primeiro passo para ganhar poder na interação é olhar para si e para seus comportamentos antes de atribuir a responsabilidade pela má interação a ele”, explica Carlos Misiara, consultor da Axialent no Brasil.
Como virar o jogo
O maior erro de um liderado é acreditar que o comportamento do líder está errado, mas que ele não pode fazer nada a respeito. Afinal, o chefe é visto como o “todo-poderoso”, investido de autoridade. É aí que o funcionário cai na armadilha de assumir o modelo mental da vítima. Nesta posição, ele não se sente responsável pelo problema que está enfrentando e, portanto, não faz nada para mudar a realidade.
‘’Podemos dizer que quando somos vítimas, somos inocentes, não carregamos a ‘culpa’ pelo problema. A desvantagem disso é que nos tornamos totalmente impotentes. Afinal, se eu não faço parte do problema, como posso ser parte da solução?”, questiona Misiara.
Ou seja, façamos um mea culpa, é mais fácil colocar a culpa nos outros e nos fatores externos, seguindo a máxima do filósofo, Jean Paul Sartre de que “o inferno são os outros”.
As dicas dos consultores é que o funcionário experimente fazer diferente do que tem feito em ambiente seguro, por exemplo, com colegas mais próximos, família ou amigos. Assim que ganhar mais confiança, pratique com seu líder. Perceba as mudanças no comportamento dele à medida que você vai mudando o seu.
Se, por exemplo, antes de aceitar uma tarefa, checar eventuais dúvidas com ele, confirmando o que foi pedido, o prazo e critérios de qualidade, você estará ajudando o chefe a ser mais claro em seus pedidos e em suas interações. A probabilidade de que vocês dois sejam mais efetivos é muito maior.
Líderes, atenção
A sugestão para quem está na posição de chefia, é nunca evitar as conversas difíceis, principalmente o feedback. Dizer ao outro “olho no olho” que ele não está desempenhando bem ou que há aspectos do seu comportamento que não estão adequados à cultura da organização ou ao cargo que ocupa, é algo que muitos líderes evitam fazer.
“Isso acontece porque, muitas vezes, eles não estão inteiramente preparados para conduzir conversas que sejam, ao mesmo tempo, honestas, respeitosas e efetivas”, afirma Misiara.
Falar o que pensamos de maneira construtiva e gerando maior efetividade, sem prejudicar o relacionamento entre líder e liderado e sem ameaçar a imagem do chefe, requer treinamento, disciplina e tempo.
O primeiro passo é ter a humildade de admitir que não sabemos tudo. O receio de prejudicar a imagem às vezes fala mais alto e impede de criar este espaço para a aprendizagem.
Se o líder não conversa habilmente, não oferece feedback respeitoso e honesto, cria-se uma cultura de mensagens indiretas, de coisas não ditas e não discutidas que, gradualmente, vai minando a confiança entre as pessoas e o grau de abertura em que conversam, impactando fortemente na qualidade das interações e nos resultados do negócio.


Osvaldo Aires Bade - Comentários Bem Roubados na "Socialização"

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domingo, 2 de setembro de 2012

Comédia involuntária – Os delírios da revista “Ego Capital” sobre o mensalão
02/09/2012 às 7:05

Confesso que fui fazer uma coisa feia, que não recomendo a ninguém: comprar cigarro. E vi lá na banca de jornais o semanário sobre o estado mental de Mino Carta, a tal revista “Ego Capital”. Na capa, uma formulação intrigante, abaixo da foto de alguns mensaleiros: “O que vem agora?”. Sim, dei a minha contribuição e comprei um exemplar. Sou católico, como sabem. Dou esmolas, ainda que digam que isso não é bom e não contribui para que o necessitado aprenda a pescar. Mas “Ego” já passou da idade de aprender algumas coisas e é teimoso demais para esquecer outras tantas. Então depositei na caixinha os meus R$ 9,90. Não fui enganado porque sabia que a revista não diria, como não disse, “o que vem agora”. Limitou-se a repetir uma síntese vesga do julgamento e a atacar os seus desafetos de sempre — Gilmar Mendes, por exemplo. O duro foi a bronca de Dona Reinalda: “Gastou dinheiro com droga?”. E eu: “Pô, eu nunca prometi parar de fumar, você sabe!”. E ela: “Eu não estou falando dos seus hollywoods, embora também sejam uma droga!”. Entendi.
Assim como não lhes recomendo cigarro, também não recomendo a “Ego Capital”… Que coisa impressionante aquilo! Todo mundo sabe que opino muito, não é? Sobre um monte de assuntos. Alguns se irritam com isso. Um professor de meteorologia, ou algo assim, ficou furioso uma vez porque escrevi sobre um tal “tornado extratropical” que me parecia ser um furacão… Nunca vi ninguém tão apaixonado pelos ventos. Fiquei quase comovido. Mas volto. Opino muito, sim. Mas tenho um compromisso com os fatos. Sem eles, qual a salvação? Como eu poderia me atrever a ser judicioso sobre o que não aconteceu, tentando trapacear com o leitor?
Pois é… Na revista “Ego Capital”, leio sobre o mensalão esta maravilha, que vai em vermelho:
“Os ministros só podem abrir mão do ato de ofício para condenar Dirceu se resolverem revogar o Código Penal”, analisa uma fonte do tribunal. Detalhe: em seu relatório de acusação, o procurador-geral, Roberto Gurgel, admitiu a falta de evidências da participação do ex-ministro no esquema. A hipótese levantada por Luiz Fux em seu voto, de que o ônus da prova também caberia à defesa, causou furor entre os advogados de defesa. “Os ministros caminham numa linha de profunda flexibilização, tanto do Direito Penal quanto do processo penal, afastando garantias caríssimas à própria democracia”, criticou Alberto Zacharias Toron, defensor de [João Paulo Cunha] Cunha.
VolteiMuito bem! Pessoas podem ser favoráveis à condenação; outras podem ser contrárias. Num grupo e noutro, as intelectualmente honestas lidam com os fatos. Então vamos a eles.
Um dos crimes de que Dirceu é acusado é “corrupção ativa”, artigo 333 do Código Penal, cuja redação é esta:
“Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Parágrafo único – A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional.
Para começo de conversa, Dirceu, ele mesmo, não tem de praticar, ou deixar de praticar, ato de ofício nenhum para consumar o crime. O ato, se praticado, seria por outro — e, nesse caso, basta que exista a perspectiva! A prática efetiva de tal ato, como está explícito, é um agravante. Dirceu é acusado também de formação de quadrilha. Nesse caso, diga-se, nem mesmo se discute a questão de ato de ofício. A redação do Artigo 288 é esta:
“Art. 288 – Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes:
Parágrafo único – A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é armado.”
Huuummm… Se há coisa que o STF tem demonstrado até agora é a associação de mais de três pessoas para cometer crime, não é mesmo? Mas sigamos com a “Ego Capital”:
Mentira sobre a Procuradoria
Escreve o semanário: “Em seu relatório de acusação, o procurador-geral, Roberto Gurgel. admitiu a falta de evidências da participação do ex-ministro no esquema”. É UMA MENTIRA DESLAVADA. O que não falta ao relatório de Gurgel são as “evidências”, os “indícios”, da participação de José Dirceu. E lembro suas palavras:
“José Dirceu, sendo líder do grupo, exerceu papel de fundamental importância para o sucesso do esquema ilícito. Sem risco de cometer injustiça, foi a principal figura de todo o apurado. Foi José Dirceu que formatou sistema ilícito da formação da base aliada mediante pagamento ilícito. [...] Comandou os demais integrantes para a consecução de seus objetivos.”
Mentira sobre Luiz FuxEscreve a “Ego Capital”:
A hipótese levantada por Luiz Fux em seu voto, de que o ônus da prova também caberia à defesa, causou furor entre os advogados de defesa. “Os ministros caminham numa linha de profunda flexibilização, tanto do Direito Penal quanto do processo penal, afastando garantias caríssimas à própria democracia”, criticou Alberto Zacharias Toron, defensor de [João Paulo] Cunha.
Luiz Fux jamais disse no tribunal que o ônus da prova cabe à defesa, e Toron, que é um dos pré-candidatos à Presidência da OAB-SP, com o apoio do PT e de Márcio Thomaz Bastos, poderia ter evitado esse mico.
Fux apenas citou o Artigo 156 do Código de Processo Penal, a saber:
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: (Alterado pela L-011.690-2008)
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; (Acrescentado pela L-011.690-2008)
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante.
O ministro está a lembrar que quem aponta um álibi, por exemplo, compromete-se com a necessidade de prová-lo. Não se trata de uma feitiçaria do STF. Trata-se apenas da lei! Os ministros estão ainda ancorados no Artigo 239 do mesmo Código de Processo Penal:
“Art. 239. Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias.”  
Muitos dos ministros citaram vasta jurisprudência para demonstrar a validade das provas indiciárias. De resto, como lembrou Rosa Weber — e não sei se ela vai condenar ou absolver Dirceu —, quanto mais sobe na hierarquia, menos provas o criminoso deixa de seu crime. Por isso, a indução, com base em “circunstância conhecida e provada”, tem de ser levada em conta pelo juiz. E não é inferior a prova nenhuma.
Parece que a “Ego Capital” está tentando mobilizar seus 126 leitores (fui o 127º hoje) para uma batalha contra o Supremo. Tem o direito de propor o que quiser. Mas não tem o direito de afirmar que Fux disse o que não disse e de sugerir que o julgamento do mensalão se dá ao arrepio da lei.

Por Reinaldo Azevedo

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